América do Sul

Nos 25 anos sem Andrés Escobar, um retrato sobre o homem e o jogador além da tragédia

Há exatos 25 anos, o futebol colombiano vivia o seu episódio mais triste. Andrés Escobar era assassinado em frente a uma boate em Medellín, a sangue frio, com seis tiros. Embora isso não tenha sido comprovado pela justiça, sua morte teria sido motivada pelo gol contra que marcou diante dos Estados Unidos na Copa do Mundo de 1994, dias antes. A teoria aponta que as apostas perdidas pelos narcotraficantes durante o Mundial os levaram ao ato extremo. O responsável pela investigação, por outro lado, garante que a ação foi determinada por mera mostra de poder, em um cotidiano extremamente violento na Colômbia. Fato é que a sensação de impunidade prevalece.

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O autor do assassinato, Humberto Muñoz, se entregou à polícia naquela semana e foi condenado a 43 anos de prisão, mas acabou solto em 2005 por seu comportamento. Ele era motorista dos irmãos Juan Santiago e Pedro Gallón, que iniciaram a discussão com Andrés Escobar e tinham ligações com os cartéis de drogas, além do paramilitarismo. Seriam eles os mentores do assassinato. Permaneceram impunes, sentenciados apenas por “acobertamento”, o que renderia alguns meses de detenção. Pior, sequer ficaram presos, logo pagando a fiança. Juan Santiago acabaria detido apenas em 2018, mas por outros motivos: a mando das autoridades americanas, o narcotraficante foi capturado em Cúcuta, ligado a uma organização que camuflava cocaína em rações para cães e gatos.

Tanto tempo depois, a indignação resiste. Mas é importante também relembrar o carinho e a consideração ao redor de Andrés Escobar. Seu funeral levou 120 mil pessoas às ruas de Medellín. Era um jogador exaltado não apenas por seu talento, prestes a se transferir ao Milan, mas também por sua personalidade e por seus trabalhos sociais. Os apelidos de ‘Caridoso’ e ‘Cavalheiro do Futebol’ indicavam bem esta índole. Assim, em uma data tão triste, novamente preferimos valorizar a memória do homem e do jogador além da vítima. Republicamos texto de março de 2017, quando Andrés faria 50 anos, resgatando sua história nos gramados e também os relatos sobre o seu caráter.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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