América do Sul

No Uruguai, a festa não é do país inteiro, mas é Nacional: Bolso sagra-se campeão pela 46ª vez

O último domingo foi dia de boa parte de um dos menores países da América do Sul ficar gigante de emoção com a final do campeonato do país, e, assim sendo, se tornar plena. No Uruguai, a festa não foi exatamente da nação inteira, mas foi Nacional. Na última rodada da segunda competição interna mais importante, o Bolso conquistou seu 46º título após uma temporada sem o fazer. E, com isso, conseguiu se aproximar ainda mais do arquirrival Peñarol no número de taças do Campeonato Uruguaio.

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Depois de ter vencido o Juventud na penúltima rodada por 2 a 0, só restava ao Nacional um ponto para alcançar a glória. Ou seja, só precisava de um empate com o Boston River, seu último desafio no torneio, para gritar junto a sua torcida, no Gran Parque Central, que “se viene el bolso campeón”. E até o intervalo o resultado nivelado, sem gols, persistia. Mas os Bolsos venceram. Com um placar magro, mas venceram, como fizeram ao longo de toda sua campanha em casa.

O único gol anotado na partida de domingo foi de Sebastián ‘Papelito’ Fernández, que logo nos primeiros suspiros da segunda etapa foi oportunista após o goleiro adversário espalmar um chute de Kevin Ramírez. Mas embora tenha sido um jogo de um tento só, ambas as equipes criaram bastante e tiveram chances de balançar as redes. Sobretudo no primeiro tempo, etapa mais equilibrada da partida.

Como alguns dos calendários sul-americanos de futebol, o do Uruguai seguia o sistema de disputa baseado nos campeonatos europeus. Isto é, há 11 temporadas os uruguaios jogavam de agosto de um ano até maio, mais ou menos, do ano seguinte. Em 2016, porém, depois do Peñarol ter conquistado o título da temporada, foi feita uma edição especial, de agosto a dezembro, com 16 equipes disputando 15 jogos. E foi desse torneio de formato incomum e temporário que o Nacional saiu campeão.

Apesar da derrota ante aos Bolsos, o Boston River terminou esta campanha com 22 pontos na tabela, conseguindo, assim, a classificação para a Copa Sul-Americana do próximo ano. Por outro lado, o Nacional fechou o campeonato invicto no Parque Central, somando 34 pontos ao todo, cinco a mais do que o Wanderers, segundo colocado, e o Danubio, terceiro. E com o passaporte para a Copa Libertadores de 2017 garantida, claro.

Ao passo em que os tricolores tiveram uma jornada aplaudível e estão a quatro títulos de alcançar o número de taças do Peñarol, o principal rival fez sua pior temporada em duas décadas e terminou em antepenúltimo na tabela. Aliás, o vexame não foi só em campo. Infelizmente, uma porção da torcida também colaborou para que os auri-negros tivessem um semestre vergonhoso, como visto no episódio do clássico, em que torcedores de ambos os times praticaram crimes e fizeram o jogo ser suspenso antes mesmo da bola rolar.

Ou seja, se tratando das torcidas que geralmente se resumem em fazer festas lindas para os times de Montevidéu (como pode ser visto abaixo), só a do Peñarol foi condizente com o que a equipe mostrava dentro das quatro linhas. Ambas estiveram envolvidas em polêmicas, acontecimentos violentos e colocaram vidas e os próprios clubes em risco ao longo do Cameponato. Isso, óbvio, não todos os torcedores. Mas, infelizmente, o que alguns fazem, outros que nada tem a ver acabam pagando junto.

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Nathalia Perez

Jornalista em formação trabalhando a favor de um meio esportivo mais humano. Meus heróis sempre foram jogadores de futebol, mas hoje em dia são muito mais heroínas.

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