América do Sul

No clima da luta do século, relembremos o maior nocaute das Américas: el puñetazo

Por Leandro Paulo Bernardo

Na noite de sábado, Floyd Mayweather Jr e Manny Pacquiao reviveram um bom duelo de boxe em Las Vegas, depois de muito tempo, dando a todos os fãs desse esporte um bom motivo para permanecemos acordados na madrugada. Como a Trivela não fala de boxe, mas de futebol, vamos lembrar o “grande nocaute” que marcou o futebol peruano, vinte anos atrás. A intenção não é promover violência, pois ambos não venceram nada, mas el puñetazo (soco em português) virou folclore, principalmente pelo embate físico dos participantes.

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“Os lutadores”

Jorge Amado Nunes

Nasceu na Argentina, mas iniciou a carreira no Cerro Porteño do Paraguai. Naturalizou-se e defendeu a seleção paraguaia ao longo de sua carreira. Seu nome foi uma homenagem dos seus pais ao escritor Baiano Jorge Amado. Jogou no Deportivo Cali, Elche, Vélez Sarsfield e Club Libertad. Chegou ao Universitário do Peru em 1993 e saiu em 1996. Era um meio-campista com raça e coragem, apesar do aspecto franzino (fisicamente muito semelhante ao Brasileiro Josué). Segundo algumas lendas paraguaias, ele foi aconselhado a manter a barba comprida para jogar o mundial do México, para ficar com o aspecto mais rude, tal qual o do zagueiro Rogelio Delgado. Coincidentemente tirou a barba para o confronto contra a Inglaterra nas oitavas de final e a seleção albirroja foi eliminada. Ao término da partida, escondeu a bola e a levou como recordação. Encerrou a carreira de jogador no Chaco For Ever da Argentina.

Juan Carlos Kopriva Rivera

Também era argentino. Iniciou a carreira no Sportivo Italiano, depois jogou pelo Deportivo Cuenca, Sporting Cristal, La Serena e Everton do Chile. Foi contratado pelo Alianza Lima em 1994 para jogar a Libertadores, e só marcou três gols pelo clube. Ao final daquele ano, retornou para a Argentina e jogou pelo Los Andes, Tigre e All Boys. Encerrou a carreira em 2000 no Racing Club de Montevidéu. Era um volante trombador, mas foi ídolo no Deportivo Cuenca do Equador e era classificado pela imprensa local como um jogador de grande dinâmica, bom domínio de bola e lançamento. Por lá recebeu um apelido que marcaria sua carreira, El VIKINGO (o vinking), alusivo ao seu avantajado porte físico e seus longos cabelos, que o tornavam semelhante a um bárbaro escandinavo.

“A arena e a historia do combate”

Este El superclássico aconteceu em 21 de maio de 1994 e foi disputado no estádio Alejandro Villanueva (o popular Matute) na casa do Alianza Lima.  El Aliancistas venciam Los Cremas por um a zero, com gol de Jorge Soto. Era um jogo tenso e com jogadas duras. As duas equipes já haviam jogado duas partidas pela Libertadores daquele ano, com uma vitória para cada. Nos minuto finais do segundo tempo, após uma ríspida jogada na lateral, Nunes empurrou um jogador rival. O árbitro Alberto Tejada tirou o cartão amarelo para mostrar à Nunes. É nesse momento que Kopriva diz algo para o “Paraguaio”. O baixinho ignorou o valentão ostrogodo e imediatamente dirigiu um “cruzado de direita” que nocauteou o volante do Alianza e caiu na grama.

“Resultado do confronto”

O juiz teve de suspender o jogo ali mesmo, devido a confusões generalizadas (dentro e fora do campo). Em uma entrevista, Juan Carlos Kopriva explicou o que aconteceu: “Eu me joguei no chão de propósito para expulsá-lo. Depois do que aconteceu, fui para o vestiário para dar-lhe uma dura, mas ele veio até mim e respondeu: ‘ por que é a LA U certo? Clássico tem isso rapaz’”.

Nunes recebeu seis jogos de punição. Em 2006 foi treinador do Universitário, quando chegou ao aeroporto de Lima recebeu um Banner com o desenho da agressão. Recentemente, ambos comentaram o fato e um clima de paz, para evitar confrontos no futuro, seja entre jogadores ou torcedores.

Enquanto as equipes perdiam tempo brigando, o Sporting Cristal se consagrava campeão com cinco rodadas de antecipação, três jogadores entre os quatro maiores marcadores do campeonato  Maestri foi o artilheiro com 25 gols e vários recordes:

  • Ganhou 63 pontos de 76 disputados, (82.89% de pontos possíveis) marcando o recorde da Liga Peruana de Futebol.
  • Na decima terceira rodada, Sporting Cristal goleou por 11 a 1 o Defensor Lima (segunda maior goleada da Liga Peruana de Futebol).
  • Sporting Cristal anotou 113 gols em 38 partidas. Uma média de 2.97 gols por partido (recorde nacional). Tomou 25 goles com média de 0.65 goles por partida (recorde nacional).

Esta equipe ficou conhecida como “La máquina celeste”, era um time maravilhoso dos meias Nolberto Solano e Roberto Palacios, e dos atacantes Flavio Maestri e Julinho. Foi campeã em 1995, 1996 e vice da Libertadores em 1997.

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