América do Sul

Na intensa repatriação do futebol paraguaio, Libertad apresenta Cardozo e Paulo da Silva

O Libertad caiu relativamente cedo na Copa Libertadores, para o que costuma almejar. Os paraguaios não passaram da fase de grupos, sucumbindo na chave que também contava com Atlético Mineiro e Godoy Cruz. A decepção no primeiro semestre, ao menos, esteve longe de ser total. Afinal, na última semana os alvinegros faturaram o Torneio Apertura do Campeonato Paraguaio. Emendando cinco vitórias consecutivas em uma reta final emocionante, superaram o Guaraní por apenas um ponto. Garantiram o 20° título nacional, assim como uma vaga na Libertadores 2018. E o Gumarelo ainda promete causar impacto na Copa Sul-Americana deste ano, reforçando seu elenco com alguns veteranos de renome no cenário internacional.

Na esteira da euforia pelo título, o Libertad apresentou dois reforços nesta semana: Óscar Cardozo e Paulo da Silva. Dois jogadores com uma longa lista de serviços prestados à seleção paraguaia, que garantem tarimba e (apesar das limitações pela idade) qualidade ao elenco alvinegro. Nos bastidores, ainda são comentadas as repatriações de Miguel Samudio e Víctor Cáceres, que passaram pelo clube em outras oportunidades, além de terem uma história respeitável na Albirroja.

Aos 34 anos, Cardozo estava no Olympiacos. Seus melhores momentos haviam ficado no Benfica, apesar da boa temporada de estreia que viveu no Trabzonspor. Já a transferência ao futebol grego pouco rendeu, culminando em sua volta para casa. Da Silva, por sua vez, encerrou uma trajetória longuíssima pelo Campeonato Mexicano. Mesmo aos 37 anos, ainda era o dono da defesa do Toluca, clube que defendeu por 10 anos, divididos em duas passagens. Retorna justamente à última equipe que defendeu em seu país-natal, no início da década passada.

O movimento de retorno ao Paraguai, aliás, tem sido comum a alguns nomes reconhecidos do futebol local. A última geração a levar os guaranis a uma Copa do Mundo, em 2010, está envelhecendo. E todos se reencontram na liga nacional. O próprio Libertad já contava com o zagueiro Antolín Alcaraz. Roque Santa Cruz é o nome principal do Olimpia, ao lado de Darío Verón, Diego Barreto e Cristian Riveros. Nelson Haedo Valdez fez o caminho de volta ao Cerro Porteño. Rodolfo Gamarra serve de referência ao Guaraní. No Nacional, Jonathan Santana e Carlos Bonet adicionam experiência. O único dos paraguaios mundialistas que permanece atuando no futebol europeu é Edgar Barreto, na Sampdoria.

A volta de tantos veteranos oferece um questionamento sobre o Campeonato Paraguaio. Contudo, em uma competição que se sobressai pela disciplina tática, algo ressaltado nas últimas edições da Copa Libertadores, um pouco mais de qualidade técnica pode ajudar. Basta ver os festejos que o Libertad fez na recepção de Óscar Cardozo e Paulo da Silva. Dois nomes experientes que podem desempenhar uma liderança importante em meio aos duelos contra o Huracán, nos 16-avos de final da Copa Sul-Americana. Se a geração ajudou a manter o nome da seleção na vitrine internacional, agora chegou a hora de proporcionar ao menos uma contribuição para o sucesso de seus clubes no terreno continental.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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