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Marquinhos foi o melhor do Cruzeiro, e é fácil entender o porquê

O Cruzeiro que conquistou o bicampeonato brasileiro em 2013 e 14 não era apenas um time de bons jogadores. Era uma equipe bem montada coletivamente, da proposta de jogo definida ao fato de ter um banco de reservas que desse bom suporte ao time titular. Por isso, era óbvio que o começo de 2015 seria de altos e baixos para os celestes. Um time que depende do entrosamento não decolaria rapidamente após perder muitos jogadores importanets.

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Isos ficou claro até quando o time consegue um bom resultado, como o 2 a 0 sobre o Mineros em Ciudad Guayana pela Libertadores. O Cruzeiro não jogou bem. Foi apático em alguns momentos e travado em outros. E, dentro desse universo, teve em Marquinhos seu principal jogador. Compreensivelmente.

Os melhores times que Marcelo Oliveira montou (o Coritiba bivice-campeão da Copa do Brasil e o Cruzeiro bicampeão brasileiro) tinham como característica principal a intensa movimentação ofensiva, com jogadores que trocavam de posição e usavam as laterais como forma de abrir espaço na defesa adversária. Tanto que o índice de gols de cabeça do Cruzeiro em 2014 era alto, ainda que o futebol apresentado não tivesse nenhuma relação com o pragmatismo de quem não sabe armar jogada e apela para chuveirinhos na área.

A Raposa de 2015 ainda não tem esse padrão de jogo, e precisará de tempo para chegar àquele nível. Leandro Damião se movimenta muito menos que Marcelo Moreno e De Arrascaeta não tem exatamente as mesmas características de Ricardo Goulart ou Éverton Ribeiro. De qualquer modo, os dois gols desta quinta na Venezuela saíram nos momentos em que se viu um esboço dessa movimentação.

Marquinhos, por ser o jogoador mais rápido e que corta da lateral para o centro com mais facilidade no setor ofensivo, foi fundamental nas duas jogadas. Talvez ele nem se firme na Toca da Raposa, talvez seja ofuscado por outros companheiros com o passar do tempo. Mas, nesse momento de equipe em formação, é ele quem pode trouxe um pouco daquele Cruzeiro de 2014 de volta.

Foto de Ubiratan Leal

Ubiratan Leal

Ubiratan Leal formou-se em jornalismo na PUC-SP. Está na Trivela desde 2005, passando por reportagem e edição em site e revista, pelas colunas de América Latina, Espanha, Brasil e Inglaterra. Atualmente, comenta futebol e beisebol na ESPN e é comandante-em-chefe do site Balipodo.com.br. Cria teorias complexas para tudo (até como ajeitar a feijoada no prato) é mais que lazer, é quase obsessão. Azar dos outros, que precisam aguentar e, agora, dos leitores da Trivela, que terão de lê-las.

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