América do Sul

Mais que um clássico…. Planejamento, organização, etc

O senso comum muitas vezes dialoga com essa ideia. Coube ao técnico Tite verbalizá-la nos últimos tempos com certa insistência: “clássico é um campeonato à parte”. Via de regra a frase é verdadeira, mas em alguns casos chega a níveis que beiram o absurdo. Nestes, o clássico não é um torneio à parte; o clássico É o campeonato. No fim de semana teremos dois desse tipo na América do Sul: Nacional x Peñarol e Universidad de Chile x Colo-Colo.

No Campeonato Uruguaio a maior rivalidade do país normalmente já é alvo de fascínio. Desta vez, porém, o jogo do domingo vale demais – e até mais do que devia – para os dois times. De um lado o Peñarol vive nova crise de comando com Jorge Polilla Silva ameaçado de demissão. A imprensa local garante que ele não “sobrevive” a uma derrota contra o Bolso e uma enquete na capa do portal Ovación Digital mostra uma rejeição de quase 70% ao nome do técnico. O motivo para tanta revolta é a soma do binômio eliminação na fase de grupos da Libertadores mais sequência ruim de resultados no campeonato do Uruguai. Antes do clássico, no entanto, nada mudou. Ou seja: sair do torneio continental e emendar uma péssima sequência no uruguaio é tolerável, desde que se vença um clássico…

Do outro lado a ânsia por um triunfo contra os Manyas é capaz de cegar. Mesmo tendo um importante confronto contra o Real Garcilaso na próxima quinta-feira pela Copa Libertadores – em que o Nacional tem que fazer 2 a 0 em casa para passar – ninguém sequer cogita a possibilidade do uso de um time misto ou de que atletas sejam poupados, apesar de o time ter atuado na segunda-feira passada pelo torneio do país. Aliás, o destaque e as declarações dos atletas e da comissão técnica do Bolso dão também a impressão de que é o clássico que importa e não o torneio continental. É claro que há a possibilidade de nenhum jogador sentir nada e de todos os atletas estarem em ótimas condições nos dois jogos, mas, dada a idade avançada do elenco e os recentes problemas de Recoba, podemos dizer que há uma situação de risco para a Libertadores.

No Chile a história envolvendo o “Superclásico” é parecida. Tanto Universidad de Chile quanto Colo-Colo passam por momentos ruins. O Cacique, porém, está pior. A equipe ocupa apenas a nona posição no Campeonato Chileno e tem como técnico um interino: Hugo González, treinador do time desde março, quando Omar Labruna foi demitido. Assim uma vitória contra La U é tratada pelo clube e pela imprensa como redenção para um péssimo semestre. É quase como se tudo de ruim pudesse ser apagado com uma vitória no domingo…

Já do lado da Universidad de Chile, a questão é mais complexa. Após a eliminação na fase de grupos da Libertadores, o técnico Darío Franco recebeu da diretoria a seguinte “mensagem”: ou ganha o campeonato chileno deste primeiro semestre ou está fora. Faltando quatro rodadas, La U está a três pontos do líder O’Higgins, mas com uma crise de vestiários gigantesca. Nesta semana o atacante Isaac Díaz falou à imprensa que há um racha entre o treinador e o elenco, enquanto o portal La Tercera diz que outros atletas disseram, sob condição de anonimato, que Franco não sabe o que está fazendo e que tem sérias dificuldades para diagnosticar os problemas da equipe. A gota d’água teria sido a derrota por 4 a 2 para o Antofagasta no fim de semana, quando três gols saíram em cima do meia Civelli. E mesmo com todo este clima, uma vitória no clássico pode fazer com que o técnico chegue até o final do campeonato, de repente até com um título…

Importante ressaltar que os clássicos tem sim muito valor e que principalmente na América do Sul são os momentos máximos do futebol. No entanto, transformá-los em redentores ou definidores de uma temporada e de um trabalho de longo prazo não é a melhor das saídas para times que – limitados tecnicamente e financeiramente – precisam apostar na organização como ideal para crescer. O Nacional até certo ponto desdenha da Libertadores pelo clássico… O Colo Colo deixa de lado a própria história para se apegar a um bom resultado como salvação da lavoura. No Peñarol, o técnico pode ganhar sobrevida se vencer um jogo e pode ser demitido por este resultado, enquanto na Universidad de Chile nem mesmo a crise instalada parece ser contundente o bastante para a avaliação de seu treinador e do futuro do clube… Os azules vão esperar o clássico e o resultado que virá dali…

Mais chilenas

– Além da derrota de La U para o Antofagasta por 4 a 2, a 13ª rodada do Torneo Transición teve a vitória do líder O’Higgins sobre a vice-líder Unión Española por 2 a 0, o empate do Col-Colo por 2 a 2 com o Huachipato e a igualdade de 1 a 1 entre Católica e Iquique.

– Faltando quatro jogos, a tabela tem o O’Higgins com 27 pontos, Unión Española e Universidad Católica com 26 e Universidad de Chile com 24.

Uruguaias

– No Uruguai o Nacional começou a semana vencendo o River Plate por 2 a 1 e retornou à carga pelo título. O Defensor Sporting, no entanto, dá poucas brechas aos adversários. La Violeta venceu o Peñarol por 1 a 0 e lidera com 22 pontos. O River Plate é o segundo, com 19 pontos, e o Nacional o terceiro, também com 19. Faltam cinco jogos para o fim do Clausura.

– O Peñarol é o quinto com 17.

Venezuelanas

Momentos de decisão e emoção na Venezuela com a reta final do Clausura 2013. O Zamora perdeu do Mineros de Guayana por 1 a 0, mas o Deportivo Anzoátegui ficou no 0 a 0 com o Deportivo Táchira. Desta forma, faltando duas rodadas para o fim do torneio, o Zamora e o Anzoátegui estão empatados no número de pontos: 31. O Trujillanos e o Deportivo Lara aparecem na sequência da tabela com 29 pontos.

Equatorianas

No Primera Etapa o Emelec empatou por 1 a 1 com o Independiente e viu os rivais se aproximarem. Os Eléctricos lideram com 29 pontos em 12 jogos, mas o Deportivo Quito tem agora 24 pontos, assim como a LDU e a Universidad Católica, embora tenham 13 jogos.

Colombianas

– No Apertura da Colômbia o Santa Fe vai conseguindo administrar bem as duas competições que disputa. O Expresso Rojo venceu o Envigado por 1 a 0 e chegou a 24 pontos, na liderança do torneio. Itagüí e Once Caldas vêm na sequência, com 23 pontos.

– Os outros classificados para os playoffs hoje seriam Tolima, Atlético Nacional, Deportivo Cali, Deportivo Pasto e Cúcuta.

– O último campeão, o Millonarios, está em décimo, com a mesma pontuação do oitavo colocado.

Paraguaias

– No Apertura paraguaio o Nacional ampliou seu domínio no atual campeonato com uma vitória por 4 a 1 sobre o Cerro Porteño. A vantagem só não é maior porque o Libertad venceu o Sportivo Luqueño em jogo atrasado do campeonato. O Nacional tem agora 28 pontos contra 20 do Libertad, 17 do General Díaz e 16 do Guaraní.

– O Cerro Porteño é o oitavo, enquanto o Olimpia, que prioriza a Libertadores, está na décima posição com 13 pontos após derrota para o Sol de America por 3 a 2.

Bolivianas

– Na Bolívia a disputa segue acirrada entre Bolívar e Oriente Petrolero. La Academia perdeu para o Jorge Wilstermann por 5 a 0, mas ainda lidera, com 38 pontos em 17 jogos. Já o Oriente também foi derrotado: 1 a 0 para o Universitario de Sucre. A equipe de Santa Cruz de La Sierra tem 37 pontos.

– O The Strongest, por sua vez, perdeu do Aurora por 2 a 1 e é o sétimo, com 20 pontos.

Peruanas

No Descentralizado peruano o Sporting Cristal venceu a Unión Comercio por 3 a 0 e manteve a liderança com 23 pontos em 12 jogos. A Universidad César Vallejo ocupa a segunda posição, com 21 pontos, mas em 13 jogos, depois da vitória por 4 a 3 contra o Melgar. O Sport Huancayo é o terceiro, o Garcilaso o quarto e o Alianza Lima o quinto.

Foto de Anderson Santos

Anderson Santos

Membro do Na Bancada, professor da Unidade Educacional Santana do Ipanema da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), doutorando em Comunicação na Universidade de Brasília (UnB) e autor do livro “Os direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro de Futebol” (Appris, 2019).

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