América do Sul

Longe do narcotráfico, América de Cali sai de lista negra dos EUA

Por 14 anos o América de Cali esteve proibido de entrar nos Estados Unidos. Em 1999, o clube foi incluído em uma lista negra formulada pelo governo de Bill Clinton, que negou vistos a pessoas e empresas ligadas ao narcotráfico. Mas nesta quarta-feira, enfim, o veto caiu. Em evento que reuniu autoridades colombianas e americanas, os Diablos Rojos voltaram a ficar com a barra limpa junto aos EUA.

A ligação do América com o Cartel de Cali começou em 1979, quando Miguel Rodríguez Orejuela comprou o clube. Os Diablos Rojos viveram sua era mais gloriosa a partir de então, com três vice-campeonatos na Libertadores e oito títulos colombianos até 1992. Ao mesmo tempo em que os troféus eram levantados em campo, um esquema de lavagem de dinheiro funcionava nos bastidores.

A crise começou a se intensificar em 1996. No mesmo ano em que chegou a sua quarta final continental, a equipe teve suas contas nos EUA congeladas pelo governo local. Três anos depois, veio a inclusão na lista negra de Clinton. O rombo financeiro cresceu gradativamente e empresas começaram a evitar negócios com o América. Vendendo jogadores para se manter, o clube passou a acumular dívidas e só viu a salvação a partir de 2010. A criação de uma sociedade anônima foi incentivada pela prefeitura e o apoio da torcida evitou a falência.

“O América é sensivelmente diferente. Cresceu como uma paixão de seus torcedores e cresceu como um fenômeno nacional e internacional. Temos uma história rica em momentos de glória e, nos últimos 17 anos, vivemos uma etapa menos afortunada. Porém, o governo e seus representantes sempre nos apoiaram. Hoje recebemos o carimbo como uma gestão legal”, festejou o presidente do clube, Oreste Sangiovanni.

O próximo passo para o América é sair do calvário na segunda divisão colombiana, a qual disputa desde a temporada passada, muito em consequência dos problemas acumulados nos anos anteriores. Depois de fracassar na primeira tentativa de acesso, o clube atualmente ocupa a segunda colocação do Torneio Apertura. Somente um time consegue o acesso direto, enquanto o vice-campeão da segundona disputa um playoff contra o penúltimo da elite.

Além disso, o acordo de paz com os Estados Unidos deve abrir o caminho para a recuperação econômica. Com o nome limpo, o América deverá ter maior facilidade para entrar em acordo com seus credores e buscar novas fontes de renda. Depois de acertar as contas, a direção do time terá caixa para investir no elenco e colher os frutos em campo.

Até mesmo o embaixador dos EUA em Cali, Michael McKinley, se empolgou com a decisão: “Estou muito contente de anunciar que o América saiu da Lista Clinton, o que é um feito administrativo e institucional. Isso deve ser um estímulo para que o time volte à primeira divisão. Tomara que comecem triunfando nesta nova era. Hoje somos todos diablos rojos”. E é exatamente essa a próxima boa notícia que os torcedores do time querem ouvir em breve.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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