Libertadores

Weverton teve uma atuação histórica para se candidatar ao panteão dos grandes goleiros do Palmeiras

A história do Palmeiras pode ser contada por meio dos seus goleiros. Oberdan Cattani, Valdir de Morais, Emerson Leão, Velloso, Marcos, Fernando Prass. Poucos clubes se orgulham tanto de seus goleiros e foram tão marcados por uma posição específica quanto o Palmeiras. Isso tudo para dizer que, se alguém se candidata a entrar na lista, é porque fez alguma coisa especial, e Weverton fez alguma coisa especial.

O Palmeiras chegou à final da Libertadores pela quinta vez em sua história nesta terça-feira, apesar de ter perdido para o River Plate por 2 a 0 no Allianz Parque, graças à vitória no jogo de ida por 3 a 0. E apesar de ter feito uma das suas piores atuações. Avançou por uma combinação de fatores: um pouco de sorte, a precisão do assistente de vídeo, a infelicidade do River Plate nas finalizações. Coletiva e individualmente, nada funcionou. Com uma exceção.

Weverton fez dez defesas. Nove em finalizações do River Plate, uma delas para limpar a barra de Luan que quase marcou um gol contra que potencialmente o marcaria como o vilão de uma eventual eliminação. Havia feito intervenções cruciais também no jogo de ida, antes de o Palmeiras marcar os seus gols, e tudo somado compõe uma daquelas atuações que marcam a carreira de um jogador.

Especialmente porque não tem sido uma exceção na passagem de Weverton pelo Palmeiras. A sua contratação em 2018 não foi exatamente contestada, mas parecia estranha. O clube tinha dois favoritos da torcida para defender a sua meta, Jaílson e Fernando Prass. Não parecia necessário trazer mais um nome forte naquele momento, por mais que fosse compreensível preparar a sucessão de dois goleiros cujas carreiras estavam mais próximas do fim do que do começo.

Firmou-se como titular com a chegada de Luiz Felipe Scolari e, desde então, tem sido um dos pilares do Palmeiras. Já soma 146 partidas, o décimo goleiro que mais vezes defendeu o Palmeiras, superando Oberdan Cattani. Tem a terceira menor média de gols sofridos da história do clube, em aproximadamente 0,63 gols a cada partida, e é o primeiro a somar três temporadas com 20 jogos sem ser vazado desde Velloso, entre 1995 e 1997.

Ao não ser vazado contra o América Mineiro no jogo de volta da semifinal da Copa do Brasil, Weverton chegou a 27 clean sheets em 2020, superando o seu próprio recorde. As 26 partidas sem levar gol em 2019 já eram a melhor marca de um goleiro do Palmeiras no Século 21. Em 2018, foram 21. No total, Weverton saiu ileso de 76 jogos pelo Verdão, atrás apenas de Marcos (107) e Fernando Prass (101) neste século.

E além desses números, e de outras atuações marcantes, há a noite contra o River Plate. Defendeu a batida de Borré e depois a de Paulo Díaz antes de os argentinos abrirem o placar no Allianz Parque. Barrou De La Cruz, barrou Luan, barrou a cabeçada de Enzo Pérez, barrou Nacho Fernández. Barrou tudo (quase tudo: foi 2 a 0, no fim das contas). E se conhece a história do Palmeiras, sabe que terá a oportunidade de se solidificar como uma das suas maiores lendas na final da Libertadores no Maracanã.

.

.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo