Libertadores

Um pouco de sorte não faz mal e, com ela, após atuação fraca, Botafogo avança como líder

O Botafogo já demonstrou doses cavalares de competência nesta Libertadores. Venceu quatro ex-campeões continentais, incluindo o do último ano (duas vezes), e se classificou com uma rodada de antecipação em um grupo bastante equilibrado. Assim, uma pitada de sorte não faz mal ao alvinegro. Graças a ela, o time também garante a primeira colocação de sua chave, o que (em teoria) oferecerá um sorteio mais afável no próximo 14 de junho, quando a Conmebol definirá os duelos das oitavas de final. E é melhor olhar para frente, para não ficar com a impressão ruim deixada nesta quinta. Desencontrado, o time de Jair Ventura perdeu para o Estudiantes por 1 a 0, em jogo arrastado, e só se garantiu no topo com uma ajuda do Atlético Nacional.

A escalação titular do Botafogo trouxe algumas novidades. Todavia, pesaram mais as ausências de jogadores fundamentais na campanha, como Rodrigo Pimpão e Camilo. O Estudiantes colocou os visitantes contra a parede, dominando a posse de bola e as chances de gol. E o gol pincharrata não demorou a sair, aos 25 minutos de bola rolando. A partir de um erro da zaga, em bola mal afastada por Igor Rabello, Augusto Solari mandou para as redes. Os cariocas só passaram a atacar um pouco mais nos 15 minutos finais, e sem levar tanto perigo.

Já no segundo tempo, Jair Ventura tentou fazer limonada com os limões que tinha em campo. Mudou o posicionamento, mas não viu a estratégia surtir muitos resultados. Pelo contrário, o Estudiantes continuava levando muito perigo e não ampliou por pouco. Aos dois minutos, Javier Toledo perdoou. Apenas com o passar dos minutos é que o Botafogo buscou as alternativas ofensivas no banco, mas Joel e Fernandes não aproveitaram a oportunidade. Se alguém se destacava, era Gatito Fernández, que fez grandes defesas aos 37. Desta maneira, o duelo se arrastou. E só teve um pouco mais de cor nos acréscimos, quando Juan Sebastián Verón saiu aplaudidíssimo, ao encerrar a carreira pela terceira vez. Sua volta para disputar a Libertadores pouco adiantou.

Se não fez sua parte, o Botafogo contou com a sorte. O Atlético Nacional começou perdendo no Atanásio Girardot para o Barcelona de Guayaquil, em enorme bobeira de Franco Armani ao sair com os pés. Todavia, buscou o empate num pênalti cobrado por Dayro Moreno e virou para 3 a 1 graças a dois gols contra dos Canários. O saldo de gols permitiu que os alvinegros assumissem a liderança, igualados em pontos com os equatorianos. Já os verdolagas vão para a Copa Sul-Americana.

Agora é ver o que virá na próxima fase. A noite desta quinta não serve de parâmetro, com o Botafogo sem demonstrar o mesmo espírito de luta e a eficiência de outras noites nesta Libertadores. Independentemente disso, o time de Jair Ventura já demonstrou que entendeu como poucos qual a essência da competição. Mesmo com um elenco que possui as suas limitações, não irá se entregar fácil.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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