Libertadores

Um golaço de letra foi a solução ao Athletico Paranaense contra a retranca do Peñarol

O Athletico Paranaense enfrenta um processo de reformulação e sabe que os resultados não devem acontecer tão naturalmente. Jogadores importantes deixaram o Furacão nas últimas semanas, assim como um novo projeto é dirigido por Dorival Júnior. Dentro dessas perspectivas, é compreensível a partida difícil que os rubro-negros realizaram nesta terça-feira, em sua estreia na fase de grupos da Copa Libertadores. No entanto, a equipe não pode reclamar do resultado. Mesmo suando contra um adversário retrancado na Arena da Baixada, os athleticanos arrancaram a vitória por 1 a 0 sobre o Peñarol graças a um golaço. Nikão e Guilherme Bissoli foram os responsáveis pela pintura.

Durante o primeiro tempo, o que se viu foi uma partida bastante travada. O Athletico tinha bem mais iniciativa, mas sofria com a falta de criatividade e de profundidade. O Peñarol também não se expunha, fechado com duas linhas de quatro em seu campo defensivo. Tecnicamente o jogo não agradava, sem que as equipes conseguissem construir suas jogadas com qualidade. Além do mais, sobravam farpas entre os jogadores.

O Furacão só descolou sua primeira boa chance aos 28 minutos, a partir de uma cobrança de escanteio. Adriano cruzou a bola na área e Thiago Heleno cabeceou contra a trave. E se faltava pontaria aos rubro-negros, o Peñarol nem conseguiu finalizar direito durante o primeiro tempo, limitado a algumas bolas levantadas. Thiago Heleno também fazia muito bem o seu trabalho na proteção. Já nos acréscimos, o Athletico ainda reclamou de um pênalti negligenciado pelo árbitro. Giovanni González cortou a bola com o braço dentro da área, em disputa com Nikão. Sem o VAR, nada foi marcado.

Durante o segundo tempo, o Athletico Paranaense conseguiu se impor mais no campo de ataque. Tentava aproveitar principalmente as jogadas pelas pontas, mas andava difícil furar a retranca do Peñarol. Nikão e Carlos Eduardo apareciam mais, enquanto as bolas alçadas se tornaram uma alternativa constante. O goleiro Kevin Dawson, além disso, passou a salvar os carboneros. O camisa 12 fez uma defesa difícil em chute rasteiro de Erick, antes de operar um milagre em cabeçada de Bissoli aos 17. O arqueiro espalmou à queima-roupa com uma só mão e ainda viu a bola bater na trave.

Neste momento, o Peñarol tentou colocar mais pilha no Athletico e o jogo ficou ríspido. Os jogadores chegaram a se desentender aos 25 minutos, sobrando cartões em meio à confusão. E quando os aurinegros buscavam sair de seu campo para aliviar a pressão, o gol da vitória surgiu ao Furacão. Aos 30, Thiago Heleno lançou Nikão em profundidade e o ponta realizou uma jogadaça. O camisa 11 ganhou na força e também na habilidade de Gabriel Rojas. Pedalou para cima do lateral, levantou a cabeça e fez o cruzamento na medida a Guilherme Bissoli. Então, o centroavante apresentou seu oportunismo, ao desviar com categoria de letra. Golaço, sem qualquer chance de reação para Dawson.

O jogo duro ficava nas mãos do Athletico Paranaense. Diego Forlán gastou as suas trocas, mas o Peñarol não tinha forças o suficiente para reagir. Além disso, o jogo pegado e os minutos perdidos agora não beneficiavam os carboneros. As únicas chances dos uruguaios vieram apenas nos acréscimos, em erros dos rubro-negros, mas Jandrei saiu para abafar o lance mais perigoso. Contra um adversário que também atravessa um momento de reformulação, o Furacão teve mais contundência e encontrou seu gol, mesmo demorando a engrenar.

Em um grupo equilibrado, o Athletico Paranaense faz o seu dever de casa. Conquista os primeiros três pontos e supera o adversário mais tradicional da chave. Já na próxima rodada, o Furacão tentará arrancar o resultado na visita ao Colo-Colo, que não vive um bom começo de ano e até mesmo demitiu o seu técnico. Poderá ser mais um passo para os rubro-negros buscarem a classificação aos mata-matas, apesar das incertezas deste reinício.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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