Libertadores

Tevez honrou a 10 de Maradona, com gol e homenagem na vitória do Boca dentro do Beira-Rio

Carlos Tevez sentiu bastante a perda de Diego Maradona. O veterano não era apenas um ídolo a Carlitos, mas também um amigo e um mentor. O atacante esteve presente no velório na Casa Rosada e, no final de semana, seria poupado pelo técnico Miguel Ángel Russo por ainda sofrer com o luto – bem como por lidar com estado de saúde crítico de seu pai. Tevez voltou a campo nesta quarta-feira, com o 10 às costas, para enfrentar o Internacional na Libertadores. Pois o capitão do Boca Juniors honrou a memória de Maradona no Beira-Rio. Carlitos anotou o gol da vitória por 1 a 0 e, na comemoração, mostrou uma camisa dada a ele pelo próprio Diego, usada na conquista do Campeonato Argentino de 1981.

O Internacional começou com Rodrigo Lindoso no lugar de Edenílson, acompanhando Rodrigo Dourado na cabeça de área. Yuri Alberto atuava ao lado Thiago Galhardo na frente, enquanto D'Alessandro também estava confirmado, aberto na armação. Já no Boca Juniors, a novidade era mesmo Tevez. O camisa 10 teria o apoio de Edwin Cardona, Sebastián Villa e Eduardo Salvio nas meias.

A chuva torrencial que caía em Porto Alegre deixava o gramado pesado, ainda que as poças tenham diminuído até o pontapé inicial. Mesmo assim, a bola não rolaria normalmente no Beira-Rio. Patrick arriscaria de fora da área logo no primeiro minuto, mas erraria o alvo, antes de Lindoso acertar a rede pelo lado de fora. A primeira etapa seria mais física, com dificuldades para que as equipes trabalhassem a bola. E aos dez minutos, o duelo seria paralisado para que os jogadores homenageassem Maradona com um minuto de aplausos.

Melhor no início, o Inter contava bastante com o apoio pelos lados do campo. Patrick e D'Alessandro se soltavam, acompanhados pelos laterais. Porém, os colorados não construíam muito e nem conseguiam dar continuidade às jogadas com a dupla de ataque. E o Boca Juniors cresceu, encaixando os contragolpes. A zaga até ia bem nos combates, especialmente Rodrigo Moledo, mesmo por vezes exposto. Os maiores problemas vinham para conter Villa. O colombiano era a válvula de escape dos xeneizes, providenciando as melhores jogadas e partindo em velocidade para cima de Heitor. Chegou a invadir a área sozinho antes de bater para fora e, pouco antes do intervalo, exigiu uma grande defesa de Marcelo Lomba em chute forte. Tevez era outro que aparecia, recuando para organizar o time.

Na volta ao segundo tempo, o Internacional trocou D'Alessandro por Maurício. E a partida ficaria ainda mais aberta, com os colorados conseguindo se soltar ao ataque. Heitor bagunçaria a defesa aos quatro minutos e seu chute desviado passou por cima. Logo depois, o Boca respondeu com Tevez. O atacante saiu de frente para o gol e Lomba fechou o ângulo com grande defesa, mas havia impedimento na jogada. O Inter, de qualquer maneira, rondava a área xeneize. Lindoso também poderia marcar aos 13, em cruzamento de Uendel, mas falhou na pequena área.

Apesar da postura ofensiva do Inter, nada impedia que a zaga cometesse seus deslizes. E eles seriam fatais aos 18, com Tevez anotando o gol da vitória. Zé Gabriel bobeou e Salvio passou como quis, achando a brecha pelo lado direito da área. O ponta passou a Tevez, que girou e finalizou, deslocando Lomba. Na comemoração, o camisa 10 faria sua homenagem particular a Maradona. Tal qual Lionel Messi, Carlitos tirou a camisa de jogo e por baixo vestia o uniforme com o qual Diego conquistou o Metropolitano de 1981, seu único título na Bombonera. Também beijou a braçadeira albiceleste, com a imagem do gênio.

O Inter sentiu o gol e perdeu ímpeto. Moledo liderava a resistência na defesa, contra um Boca Juniors que se sentia praticamente em casa. Aos 25, Leandro Fernández entrou no lugar de Yuri Alberto. Os colorados não conseguiam trabalhar com a mesma qualidade no campo de ataque, com o Boca mais propenso a ampliar. Aos 31, Tevez chegou a avançar espaço e mandou para fora. Os colorados só acordaram nos dez minutos finais, especialmente a partir de uma falta frontal.

Leandro Fernández cobrou com capricho e carimbou a trave. Rodrigo Dourado tentou aproveitar o rebote, mas ficou a um triz de alcançar a bola. Fernández, pouco depois, ainda arriscaria uma cobrança de falta do meio do campo e por pouco não anotou um golaço. Já o maior lamento viria aos 41, quando Galhardo conectou com Patrick na área e o meio-campista pegou mal demais na bola. Faltava organização aos gaúchos, que até insistiram no fim, mas sem clareza nas ideias. Mais próximo esteve o segundo gol do Boca, com Lomba salvando novamente em batida firme de Julio Buffarini no último minuto.

A partida de volta, dentro da Bombonera, reforça o favoritismo do Boca Juniors. O Internacional precisará vencer, de preferência com mais de um gol marcado, para evitar o risco dos pênaltis. Esta foi uma das melhores atuações do time desde a chegada de Abel Braga, especialmente pelos momentos de superioridade no início dos dois tempos. Contudo, os colorados ainda concederam espaços na defesa e apresentaram poucos recursos ofensivos. A agressividade dos tempos de Eduardo Coudet e os avanços vorazes já fazem parte do passado. Mesmo que o time tenha melhorado em relação a outras exibições recentes, não agradou tanto e foi menos contundente que o Boca. Neste momento, parece difícil acreditar em uma reviravolta em Buenos Aires.

Tevez exibe a camisa da homenagem (Silvio Avila-Pool/Getty Images/One Football)
Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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