Libertadores

São Paulo se agigantou em pleno Cilindro para amassar o Racing e arrancar uma classificação histórica

Em pleno Cilindo de Avellaneda, São Paulo atropelou, venceu La Academia por 3 a 0 e arrancou a classificação com grandes atuações de Rigoni, Marquinhos e Benítez

O São Paulo teve a sua melhor atuação da temporada para conseguir um resultado histórico na Libertadores. Em pleno Cilindro de Avellaneda, o tricolor do Morumbi venceu por 3 a 1 e conseguiu a classificação às quartas de final da Libertadores. É só a segunda vitória do time do Morumbi na Argentina na história da competição, o que mostra o tamanho do feito. A atuação teve grande participação de Emiliano Rigoni, com dois gols, e de Marquinhos, atacante de 18 anos que foi escolhido para ser titular e brilhou, fazendo um gol e participando de outros dois.

Diferente do que aconteceu no primeiro jogo, os dois times jogaram melhor. A intensidade foi outra, bem diferente do marasmo visto no Morumbi. O São Paulo sabia que precisava de ao menos um gol para não ser eliminado no tempo normal. Por isso, tudo foi diferente, da escalação à postura. Aquele empate por 1 a 1 no jogo de ida tinha deixado uma péssima impressão no São Paulo e o Racing parecia mais perto da vaga. Por isso, o time brasileiro parece ter entrado disposto a mudar isso desde o minuto inicial.

O técnico Hernán Crespo montou um time com apenas um jogador recuado no meio-campo e manteve o esquema com três zagueiros. Liziero era o único jogador mais recuado, com os dois alas passando muito, Igor Vinícius pela direita, Welington pela esquerda, e Gabriel Sara e Martínez Benítez como meias. No ataque, a maior surpresa: Emiliano Rigoni voltou de lesão e ganhou vaga no time, e Marquinhos foi escolhido pelo técnico, diante da má fase de tantos jogadores do setor e da ausência de Luciano por lesão.

Primeiro tempo

A primeira etapa foi bastante equilibrada, com os dois times tentando apertar o adversário. O Racing adiantou sua marcação, tentou pressionar, mas desta vez o São Paulo parecia melhor preparado para lidar com isso e conseguia avançar no campo.

Os minutos iniciais do São Paulo foram muito bons, melhores até que o Racing, e o time brasileiro se colocava no campo de ataque. O Racing só melhorou depois dos 20 primeiros minutos, conseguindo empurrar o São Paulo para o campo de defesa. O time brasileiro sabia que precisava usar a velocidade. E esse foi um aspecto que contou a favor de Marquinhos.

Aos 44 minutos do primeiro tempo, Miranda fez um lançamento perfeito, nas costas da zaga, Marquinhos saiu na cara do gol e chutou. O goleiro raspou na bola, que bateu na trave e sobrou para Emiliano Rigoni pegar a sobra de primeira e marcar: 1 a 0.

Um gol que mudou o panorama do jogo, porque agora o Racing não estava mais confortável na partida. Também precisava do gol para evitar a eliminação. Foi assim que os dois times foram para o intervalo.

Segundo tempo

Marquinhos comemora (Reprodução/Conmebol)

Logo no começo do segundo tempo, o São Paulo ampliou o placar. Martín Benítez fez um passe preciso em profundidade, no meio da defesa, para Marquinhos. O atacante da base, em velocidade, recebeu, avançou e finalizou cruzado: 2 a 0. Ele se tornou o jogador mais jovem a fazer um gol pelo São Paulo na história com 18 anos e 104 dias.

O Racing cresceu no jogo e tentou pressionar para voltar ao jogo. O time da casa precisava virar a partida para se classificar e passou a atacar, especialmente pela direita. Com o contra-ataque à sua disposição, o São Paulo desfrutou. Wellington puxou o ataque pelo meio, tocou para Rigoni, que devolveu rápido e o lateral colocou em profundidade para Marquinhos. Ele avançou e, já dentro da área, tocou para o meio e Rigoni, livre, só empurrou para o gol: 3 a 0.

Para voltar ao jogo, o Racing chegou tocando a bola e Leonel Miranda tocou para Javier Correa finalizar com categoria, no canto, e diminuir o placar: 3 a 1. Eram 18 minutos, ainda havia muito tempo pela frente, mas a vantagem do São Paulo era imensa. Seria preciso tomar a virada e perder o jogo para ser eliminado.

O Racing foi para cima, tentando acreditar ainda no que era possível. Logo depois, em um cruzamento para a área, Correa tocou de cabeça completando para o gol e Tiago Volpi fez uma grande defesa.

O Racing tentava manter o ritmo e o São Paulo tentava acalmar o jogo. Crespo colocou Rodrigo Nestor e Reinaldo nos lugares de Liziero e Marquinhos, tornando o time mais defensivo para aguentar o momento de mais pressão do time argentino.

Juan Antonio Pizzi, por sua vez, jogou o time para o ataque, em busca de mais um gol que pudesse colocar o time de volta no confronto. Mais os minutos passavam e o ímpeto dos argentinos diminuía.

O São Paulo seguia tendo bons contra-ataque e os desperdiçando. Na defesa, Miranda teve uma atuação excepcional, e seu companheiro, Robert Arboleda, também foi muito bem. Os dois mostraram bastante segurança, rebatendo quando preciso, se posicionando bem, resistindo bem no jogo aéreo. O São Paulo resistiu bem até o último segundo para, enfim, poder comemorar.

Miranda, capitão do São Paulo, comemora (Reprodução/Conmebol)

Depois de alguns jogos atuando muito mal, o São Paulo consegue uma vitória categórica, contra um clube de porte como é o Racing. Ainda há muito trabalho pela frente, mas o time de Crespo mostrou mais do que vinha fazendo, conseguiu um ótimo desempenho e contou com jogadores que não vinham jogando por lesão, especialmente Rigoni e Benítez, que vivem tendo problemas físicos.

A vitória é expressiva, a classificação é bastante importante e o time vai continuar em uma maratona de jogos, mas ganha uma moral imensa pelo que conseguiu fazer em campo. Para quem quer ao menos sonhar de forma mais realista com algo grande, é um primeiro passo.

Na próxima fase, o São Paulo espera o vencedor de Palmeiras e Universidad Catolica. O alviverde conseguiu uma vitória importante fora de casa, que coloca o time bem mais perto. Se o Palmeiras confirmar o favoritismo, teremos um clássico nas quartas de final, que certamente abalará as estruturas dos dois times.

Veja os gols

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo