Libertadores

Ricardo Oliveira fez a diferença em Montevidéu, mas os desleixos do Atlético pesaram contra

A idade não se coloca como um empecilho suficiente a Ricardo Oliveira. Poucos centroavantes possuem uma trajetória tão respeitável no futebol brasileiro ao longo das últimas duas décadas. E poucos deles foram tão regulares na arte de fazer gols. O tempo não é inimigo do veterano, que permanece com faro e técnica apurados aos 38 anos de idade. Nesta terça-feira, sua especialidade teve enorme valia ao Atlético Mineiro. Estreando na Libertadores, o Galo viveu alguns bons momentos no Estádio Luis Franzini. Quase sempre coroados pelo artilheiro, que anotou dois gols e forçou boas defesas do arqueiro Federico Cristófaro. Porém, o time oscilou e cedeu o empate por duas vezes ao Danubio. O placar de 2 a 2 não é ruim aos alvinegros, considerando o reencontro no Estádio Independência, que definirá o classificado à terceira fase preliminar. De qualquer maneira, dava para ser mais tranquilo. Ricardo Oliveira havia mostrado o caminho das pedras.

O Atlético Mineiro não se acanhou em Montevidéu, por mais que aguardasse os adversários para contragolpear. Começou criando boas ocasiões e esbarrou em Cristófaro. O camisa 1 estava atento e realizou três boas defesas antes dos 15, especialmente em lance no mano a mano com Ricardo Oliveira. Os méritos do Galo, todavia, eram maiores atrás. A defesa dava conta do recado, cedendo raros espaços ao Danubio, que investia pela direita e buscava os cruzamentos. Quando os anfitriões realmente ameaçaram, aos 25, o lance nasceu a partir de uma bola parada. Federico Rodríguez cabeceou por cima do gol.

Não demoraria para o Atlético responder. Mais do que isso, logo os mineiros marcariam o seu primeiro gol, aos 28. Ricardo Oliveira era bastante acionado no ataque, embora faltasse um pouco mais de velocidade ao time nas transições. Quando encaixou uma jogada rápida, o Galo balançou as redes, a partir de uma bola roubada por Adilson. Cazares acionou Ricardo Oliveira, que rompeu a linha de zaga e, de frente para o gol, não teve problemas em superar Cristófaro. O replay mostraria que o veterano estava em ligeiro impedimento, embora não dê para colocar na conta do assistente. A vantagem correspondia à superioridade e deu ainda mais tranquilidade aos visitantes, com Cazares e Chará aparecendo. O problema veio na única desatenção dos alvinegros, nos acréscimos. Dennis Olivera bagunçou pela direita e cruzou para Carlos Grossmüller. Então, o veterano ajeitou para Rodríguez definir, igualando o placar.

Na volta para o segundo tempo, o Atlético Mineiro demorou a acordar. Sofreu com a pressão do Danubio, que agora sufocava pela esquerda em busca da virada. Quando pôde responder, todavia, o Galo exigiu novas defesas de Cristófaro. Mais uma vez o goleiro se agigantou contra Ricardo Oliveira. E na sequência intensa, ainda haveria um milagre de Victor, salvando com a perna o arremate de Olivera. O intuito dos atleticanos era atacar em velocidade e Maicon entrou para ajudar neste sentido. Ainda assim, o gol sairia a partir do jogo aéreo. Os mineiros tiveram uma sequência de escanteios, nos quais Cazares quase marcou um olímpico. Já aos 31, Maicon cruzou e desta vez não houve quem parasse a cabeçada de Ricardo Oliveira.

Pena é que mais um desleixo do Atlético custaria caro. O time mal teve tempo para comemorar o tento, já que o Danubio buscou o empate dois minutos depois. A resposta foi na mesma moeda, aliás. Leandro Sosa cruzou pela esquerda e Sergio Felipe ganhou de Fabio Santos no alto, cabeceando para dentro. Diante do placar, o Galo ainda almejou a vitória. A melhor oportunidade veio em recuo para o goleiro, que gerou uma falta dentro da área. Cazares ajeitou e Zé Welison chutou, mas a defesa uruguaia fez o desvio salvador. Nos acréscimos, por fim, um vacilo de Victor quase o complicou, mas nada que fosse além do susto.

Desde já, fica claro que o Atlético tem mais qualidade que o Danubio. Criou mais oportunidades e parou em Cristófaro. O problema é que isso nem sempre basta na Libertadores. O time não funcionou tão bem nas transições e os desleixos custaram à defesa, sobretudo pela fragilidade na marcação pelos lados. Duas jogadas por ali permitiram que os uruguaios arrancassem um conveniente empate. O duelo ainda está nas mãos do Galo, não só pelo placar, mas pela costumeira pressão no Independência. Contudo, os vacilos precisam criar uma consciência do que é necessário corrigir o quanto antes.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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