Libertadores

Internacional voltou a uma semi de Libertadores após 8 anos, mas eliminação para o Fluminense deixou gosto amargo

Em 2023, Internacional voltou a chegar à semifinal da Libertadores depois de oito anos, mas a eliminação para o Fluminense foi traumática principalmente pela forma como aconteceu

Tratada como prioridade, a Libertadores foi a única competição em que o Internacional empolgou a torcida colorada em 2023. A expressiva campanha levou o clube de volta à semifinal, o que não acontecia desde 2015, quando foi eliminado para o Tigres, do México. Desta vez, a desclassificação para o Fluminense foi traumática principalmente pela forma como ocorreu.

Mesmo com dificuldades, Internacional passou em primeiro lugar no Grupo B

Classificado direto para a fase de grupos, por ter sido vice-campeão brasileiro em 2022, o Inter caiu no Grupo B, com Nacional (Uruguai), Independiente Medellín (Colômbia) e Metropolitanos (Venezuela). A estreia foi fora de casa, contra os colombianos. Depois de sair perdendo, o Inter conseguiu o empate aos 41 minutos do segundo tempo, com gol de Alan Patrick em jogada de Lucca, que acreditou no lance e recuperou a bola na ponta esquerda do ataque.

O atacante formado na base colorada voltou a ter participação decisiva na sofrida vitória sobre o Metropolitanos, na segunda rodada, no Beira-Rio. Após muito martelar, o Inter conseguiu seu gol somente aos 46 minutos do segundo tempo, com Alemão, em jogada e assistência de Lucca.

Novamente em Porto Alegre, o Inter esteve duas vezes à frente do Nacional, com gols de Mercado e De Pena. Mas os uruguaios, que empataram pela primeira vez com Zabalo, conseguiram a igualdade em 2 a 2 aos 46 minutos do segundo tempo, com Fábian Nogueira, em bola erguida para a área.

Após sequência de cinco derrotas consecutivas nas outras competições, o Inter abriu 2 a 0, com Alan Patrick e Pedro Henrique, em menos de 30 minutos contra o Metropolitanos, na Venezuela. Porém, os donos da casa vieram para cima no segundo tempo, se aproveitando dos problemas físicos que o Colorado apresentava àquela altura da temporada. Descontaram com Freddy Vargas e, não fosse John, autor de duas defesas espetaculares, e Nico Hernández, que trocou gol por expulsão, teriam chegado ao empate.

No Uruguai, contra o Nacional, o Inter fez boa partida. Abriu o placar aos 18 minutos do segundo tempo, com Alan Patrick, em bela jogada coletiva. Porém, novamente cedeu o empate no final, e na bola aérea. Bruno Damiani marcou para os Bolsos, aos 44 minutos da segunda etapa.

Os pontos que o Inter deixou escapar em Montevidéu levaram a briga pela classificação para a última rodada, em que o Colorado precisava vencer o Independiente Medellín, no Beira-Rio. E o time de Mano Menezes tratou de resolver a parada logo no primeiro tempo, abrindo 3 a 0 em apenas 27 minutos, com um gol de Maurício e dois de Luiz Adriano. Luciano Pons descontou no início do segundo tempo, mas não evitou a derrota por 3 a 1 que sacramentou a eliminação dos colombianos.

Com Coudet e reforços, Internacional passou pelo River Plate nos pênaltis

Mesmo classificado em primeiro do grupo, com os desempenhos que não convenciam no Campeonato Brasileiro, Mano foi demitido em julho, duas semanas antes do jogo de ida das oitavas de final, que colocaria o Inter frente a frente com o River Plate. E o presidente Alessandro Barcellos buscou alguém que conhecia bem o adversário: seu amigo pessoal e treinador dos sonhos, Eduardo Coudet.

Com Chacho, e os acréscimos de Rochet, Aránguiz e Enner Valencia, contratações que chegaram após a fase de grupos, o Inter encarou a pressão de quase 80 mil torcedores no Monumental de Nuñez, em Buenos Aires. Saiu na frente no final do primeiro tempo, com gol de cabeça do atacante equatoriano. Mas sofreu na segunda etapa, em que o River virou com dois gols de Solari.

Houve grande mobilização para o jogo da volta no Beira-Rio. E o Inter, superior na primeira etapa, conseguiu dois gols de bola parada no segundo tempo. Primeiro, com Mercado, de cabeça, em cobrança de escanteio de Wanderson. Poucos minutos depois, em cobrança de falta de Alan Patrick, que desviou na barreira e matou Armani. Quando tudo indicava classificação colorada no tempo normal, o River descontou aos 44 minutos, com Rojas, levando a disputa para os pênaltis.

Os batedores vinham com 100% de aproveitamento até Solari tocar com os dois pés na bola, algo que tinha acontecido com De Pena na eliminação do Inter para o América-MG, na Copa do Brasil. O próprio uruguaio teve oportunidade de definir a classificação do Inter, mas tirou de mais e acertou a trave. Nas cobranças alternadas, o desgaste da marca do pênalti levou o árbitro a trocar de goleira, levando para a da zona sul, onde fica a Guarda Popular, maior torcida organizada colorada. Rojas acertou o travessão, e Rochet, que havia feito grandes defesas na Argentina, chamou a responsabilidade para converter a última cobrança e classificar o Inter.

Estratégico, Internacional despachou o Bolívar e a altitude

O goleiro uruguaio também teve papel fundamental no jogo de ida das quartas de final, contra o Bolívar, na altitude de 3.700m de La Paz. Estratégico, com três zagueiros e linha de cinco defensiva, o Inter abriu o placar com Enner Valencia, já no primeiro tempo. A partir daí, segurou como pôde, contando com grande atuação de Rochet, e participação da trave, para voltar ao Brasil com vantagem.

No Beira-Rio, o Inter foi amplamente superior, e Valencia marcou mais duas vezes para garantir nova vitória, por 2 a 0, e o retorno à semifinal da Libertadores depois de oito anos. Rochet ainda pegou pênalti na reta final para abrilhantar a festa colorada.

Internacional é superior ao Fluminense, mas Renê e Enner Valencia falham e tudo desmorona em seis minutos

Contra o Fluminense, o Inter fez um jogo aberto e de trocação no Maracanã. Saiu atrás logo aos 10 minutos, em gol de Cano, após Arias roubar bola de Renê. Com um a mais a partir da expulsão de Samuel Xavier, aos 45 minutos, o Colorado pressionou e empatou antes do intervalo, com Hugo Mallo, escolha de Coudet para a lateral direita. Na segunda etapa, o Inter teve gol anulado de Mercado, e virou com o Alan Patrick. Porém, não conseguiu aproveitar a superioridade numérica para sustentar o resultado e, em escanteio após mais uma falha de Renê, o Tricolor Carioca empatou em mais um gol de Cano.

O Inter foi superior durante grande parte do jogo de volta, no Beira-Rio. Abriu o placar cedo, logo aos 10 minutos, com gol de cabeça de Mercado. Na segunda etapa, Enner Valencia teve chances claras para matar o confronto, mas desperdiçou. Diferentemente de John Kennedy e Cano, que em intervalo de seis minutos — aos 36 e aos 42 minutos — transformaram a festa colorada em enorme frustração.

Foto de Nícolas Wagner

Nícolas Wagner

Gaúcho, formado em jornalismo pela PUC-RS e especializado em análise de desempenho e mercado pelo Futebol Interativo. Antes da Trivela, passou pela Rádio Grenal e pela RDC TV. Também é coordenador de conteúdo da Rádio Índio Capilé.
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