Libertadores

Quando o Palmeiras achou que dava, Benedetto fez a história se repetir e colocou o Boca na final

O Palmeiras tinha uma missão muito difícil. Ela beirou o impossível, aos 18 minutos do primeiro tempo, quando Ábila abriu o placar para o Boca Juniors. Mas voltou a ser possível, na metade do segundo tempo, com o pênalti cobrado por Gustavo Gómez. Faltavam dois gols, com meia hora no relógio. Eis que Darío Benedetto fez a história se repetir: saiu do banco de reservas e, com um chute parecido ao da Bombonera, decretou a eliminação do Palmeiras e a classificação do Boca, com o empate por 2 a 2.

O gol de Benedetto enterrou as chances palmeirenses. Daria para tentar o milagre no coração, na raça, na pressão. Porque, na bola, foi difícil. Ironicamente, o lance que poderia ter mudado a partida foi bem construído, um dos únicos. Deslocamento do Deyverson para a direita, toque para Dudu na ultrapassagem, cruzamento consciente, e Bruno Henrique completando às redes. Mas, com o auxílio do assistente de vídeo, o gol foi anulado.

A jogada teve importância dupla. Primeiro, obviamente, porque um gol logo no começo era tudo que o Palmeiras precisava para ganhar moral. Segundo, porque a concentração do Palmeiras, talvez frustrado, baixou imediatamente. E Ábila exigiu defesa de Weverton em cima da linha. E Pavón desviou chute cruzado de Jara, livre e dentro da grande área. E Villa apareceu na ponta direita, não foi bloqueado por Diogo Barbosa, Luan deixou Ábila se antecipar, Felipe Melo assistiu a tudo de camarote, e a bola ainda bateu na trave antes de entrar.

A expectativa de que a escalação de Lucas Lima fizesse o Palmeiras trocar mais passes e lançar um pouco menos foi frustrada. Os atalhos continuaram: bola longa para o Deyverson ou Dudu pela direita vendo se arrancava um escanteio ou um cruzamento para trás, geralmente sozinho. Foram 381 passes trocados pelo mandante, apenas um pouco a mais do que a média de 352 do time no Brasileirão.

O restante do primeiro tempo decorreu em temperatura morna, perfeita para o Boca Juniors, virtualmente classificado, com uma vantagem de três gols. No começo do segundo tempo, uma bola parada colocou Luan em boa posição para se redimir do seu erro no tento de Ábila. Empate. Logo na sequência, falta de de Izquierdoz em cima de Dudu pela direita. Pênalti. Gustavo Gómez cobrou e fez 2 a 1.

O Allianz Parque pegou fogo. Os jogadores do Palmeiras se empolgaram. Faltava meia hora. Borja quase ampliou, em uma cobrança de escanteio, desviando a cabeçada de Gustavo Gómez quase em cima da linha. Mas foi para fora. E logo em seguida veio o balde de água fria. Felipe Melo perseguiu Nández, sem fazer falta ou o desarme. A bola manteve-se com o Boca, e o Palmeiras se posicionou. Benedetto recebeu na intermediária, Melo deu um bote muito ruim e parou. O atacante soltou a perna cruzada e acabou com o jogo no Allianz Parque.

O trabalho de Luiz Felipe Scolari é muito bom. Em pouco tempo, deu consistência e competitividade para o Palmeiras, chegou a duas semifinais e tem chances reais de título no Campeonato Brasileiro. Mas, como contra o Cruzeiro na eliminação da Copa do Brasil, Felipão mostrou novamente que não tem alternativas para as situações em que precisa correr atrás do placar. E se a defesa não é intransponível, essas situações aparecem.

O Boca Juniors, por sua vez, tem talento em todos os cantos e, embora não tenha ainda conseguido atuar coletivamente muito bem, chegou à sua 11ª final de Libertadores, a primeira desde 2012. E a primeira contra o River Plate, no que promete ser a maior decisão de todos os tempos.  

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Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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