Libertadores

Pressão do Palmeiras moeu o Del Valle e construiu uma vitória enfática: 5 a 0

Roubando três bolas no campo de ataque que viraram gols, o Palmeiras teve uma grande atuação no Allianz Parque

Porque o futebol brasileiro é maluco, o Palmeiras entrou em campo nesta terça-feira um pouco pressionado demais para quem acabou de ser campeão da Libertadores e da Copa do Brasil. Fruto de mais uma derrota em um campeonato que ativamente ignorou neste começo de temporada, no seu terceiro jogo em cinco dias e o oitavo apenas em março. Enfim, nada como uma goleada contra um dos melhores times do continente para aliviar esse inexplicável clima pesado: 5 a 0 sobre o Independiente del Valle e a segunda vitória em duas rodadas na fase de grupos da Libertadores.

O desempenho do Palmeiras tem oscilado neste começo de temporada, mesmo com o time completo, mas a maratona do ano passado – e começo deste – e um calendário ainda mais insano pela paralisação do Campeonato Paulista precisam entrar na conta. Nos jogos que importam, o campeão sul-americano, se longe de irretocável, ainda tem sido competitivo. Levou a Supercopa do Brasil e a Recopa Sul-Americana à decisão por pênaltis e começou muito bem a campanha na Libertadores.

O Independiente Del Valle está de novo treinador, Renato Paiva, mas tem uma identidade muito enraizada. O ex-guru da base do Benfica foi contratado justamente para dar sequência ao trabalho de Miguel Ángel Ramírez, então a melhor estratégia aos brasileiros era óbvia: deixar o adversário com a posse e se defender bem, pressionar a saída de bola e atacar com velocidade.

A boa notícia é que o Palmeiras sabe fazer isso muito bem, e a estratégia de roubar a bola e imediatamente esticar ao ataque funciona muito melhor quando o seu adversário não consegue cortar um passe. Duas vezes a defesa do Independiente del Valle errou o famoso gesto técnico e facilitou os gols marcados por Rony e Luiz Adriano no primeiro tempo.

Aos 11 minutos, Raphael Veiga soltou pelo meio, Pellerano não conseguiu cortar, e Rony ficou com a sobra. Entrou na área e bateu forte para fazer 1 a 0. Aos 20, a mesma coisa: Rony recuperou, deixou com Patrick, que espetou para Luiz Adriano. William Pacho errou, e a sobra foi mandada às redes pelo centroavante palmeirense.

Os gols saíram em erros, mas não por acaso. O Palmeiras pressionou alto para forçá-los e chegou a criar outras oportunidades perigosas, como uma cabeçada de Rony (em posição de impedimento) e uma batida de Patrick de Paula de fora da área, ambas defendidas pelo goleiro Wellington Ramírez.

Também teve enormes méritos defensivos. Muito bem posicionado, com Victor Luis e Marcos Rocha fechando em uma linha de cinco. Os lados de campo foram muito bem protegidos para combater um dos pontos fortes do Independiente del Valle. Sem conseguir gerar a amplitude que precisa, a posse de bola de 67% que teve no primeiro tempo foi inócua, sem exigir uma defesa de Weverton.

O Del Valle, bom time que é, mas também às vezes sujeito a esse tipo de pane, ameaçou no começo da etapa final, com Favarelli, de fora da área, e Murillo, em cobrança de falta. Weverton fez boas defesas e, antes que o jogo pudesse ficar complicado demais, o Palmeiras ampliou. Novamente, a pressão funcionou na entrada da área equatoriana, Patrick de Paula tirou Pacho com um toquinho e entrou na área. Bateu em cima do goleiro, mas converteu o rebote.

E aí, como dizia o poeta, virou passeio. O quarto gol saiu em um contra-ataque lançado por Zé Rafael. Victor Luis foi à linha de fundo e cruzou rasteiro para Rony completar de primeira. Danilo Barbosa desviou a cobrança de escanteio e decretou a goleada, que poderia ter sido ainda maior porque o Palmeiras começou a ter muita facilidade para aparecer completamente livre nas costas da defesa do Del Valle.

O resultado foi importante para lembrar que o Palmeiras pode parecer às vezes cansado, pode até ficar fora da fase final do Campeonato Paulista, em que está escalando praticamente apenas a garotada, mas não pode ser ignorado como uma das forças desta Libertadores. E também para dar uma boa adiantada na classificação às oitavas de final, agora com seis pontos em dois jogos.

.

.

Mostrar mais

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

Artigos relacionados

Botão Voltar ao topo