Libertadores

Pioneirismo e prestígio: outros grandes momentos do Flamengo em Montevidéu

Montevidéu foi palco do primeiro jogo do Flamengo fora do Brasil, assim como abrigou glórias rubro-negras

Palco da decisão da Libertadores neste sábado, o Estádio Centenário de Montevidéu traz boas lembranças ao Flamengo. Além de ter sido a cancha onde, em 1981, os rubro-negros alcançaram pela primeira vez a glória eterna em partida extra contra o Cobreloa, foi também marcante para o clube por outras duas ocasiões. Foi na tradicional praça de esportes da capital uruguaia que o Fla fez sua primeira partida fora do Brasil, há 88 anos. E também foi nela que o clube levantou o prestigioso Torneio Octogonal de Verão, em 1961.

A estreia no exterior

A primeira visita do Flamengo a Montevidéu, em abril de 1933, se deu em meio a um contexto crucial para sua história. Dois meses antes da excursão – a primeira dos rubro-negros ao exterior – o empresário e publicitário José Bastos Padilha assumira a presidência do clube, cujo futebol ainda era oficialmente amador. Mas dentro de pouco tempo muita coisa mudaria sob o comando do novo mandatário. E aquela viagem pelo Prata, com três partidas na capital uruguaia e outra em Buenos Aires, deixaria sinais importantes.

Para a viagem, a delegação levou a base do time vice-campeão carioca no ano anterior reforçada por atletas de outros clubes, prática muito comum naquele tempo. Dos atletas que já constavam no elenco rubro-negro, os principais nomes eram o goleiro Fernandinho (falecido em 2018, aos 105 anos de idade), a forte dupla de zaga formada por Moisés e Bibi, o médio Flávio Costa (capitão do time e mais tarde treinador), o meia Vicentino (tio do futuro zagueiro rubro-negro Rondinelli, o “Deus da Raça”) e o artilheiro Nelson.

De outros clubes vieram o goleiro Newton e o atacante Ladislau da Guia (Bangu); o zagueiro Lino (Vasco); os médios Ariel, Canalli (Botafogo) e Zezé Moreira (Sport Club Brasil); o atacante Gradim (Bonsucesso); e os pontas Jarbas (Carioca) e Roberto (São Bento de Niterói). Curiosamente, o Flamengo também tentou obter por empréstimo o atacante Leônidas, então no Bonsucesso. Mas o clube da Leopoldina não cedeu o “Diamante Negro”, que, no entanto, seguiria na mira do Flamengo até ser contratado de vez em 1936.

Entre os cedidos havia quatro atletas pretos: Jarbas, Gradim, Roberto e Ladislau da Guia (irmão de Domingos). O clube abria de vez suas portas aos jogadores negros, no caminho para se tornar ainda mais popular. Antes, o Flamengo já tivera Friedenreich vestindo sua camisa num amistoso em 1917. Nonô, ídolo dos anos 1920, tinha nítidos traços afrodescendentes. E nomes como José Augusto Santos Silva e Waldemar “Coroa” Gonçalves, estavam entre seus astros desde a década anterior no atletismo e no basquete, respectivamente.

Recorte do Jornal dos Sports

O Peñarol, adversário do Flamengo em seu primeiro jogo fora do Brasil, mantinha três titulares da seleção uruguaia campeã do mundo em 1930. Eram o zagueiro Ernesto Mascheroni, o médio Lorenzo Fernández e o atacante Peregrino Anselmo, mais o goleiro reserva Miguel Capuccini. O futebol daquele país, aliás, já havia adotado o profissionalismo há alguns anos, enquanto no Brasil o tema ainda dividia opiniões, com parte da imprensa defendendo o amadorismo e outra parte clamando pelo regime remunerado.

Mas mesmo diante da força e experiência do adversário e dos 40 mil torcedores no Centenário, o Flamengo não se intimidou e abriu o placar aos dois minutos com Gradim. O Peñarol virou com Anselmo e Matta, mas pouco antes do intervalo Gradim escorou de cabeça um cruzamento de Roberto para empatar. O gol da vitória rubro-negra por 3 a 2 saiu aos 17 minutos do segundo tempo, em lance de oportunismo após rebote do goleiro uruguaio. Alguns jornais creditam o gol a Roberto. Outros apontam Ladislau.

A imprensa uruguaia cobriu de elogios as atuações do goleiro Fernandinho e do atacante Ladislau. E ao retornarem da excursão, os ponteiros Roberto e Jarbas seriam contratados em definitivo pelo Flamengo. O primeiro ficaria até 1936, saindo para o São Cristóvão (clube ao qual pertencia quando disputou a Copa do Mundo de 1938). Já o segundo faria história entre os rubro-negros, atuando 380 vezes e marcando 153 gols (o sexto maior artilheiro do clube) até se retirar em 1946. Seria eternizado como o “Flecha Negra”.

Em meados de maio, um mês após a excursão ao Prata e graças ao esforço pessoal do presidente Bastos Padilha, o Flamengo anunciava seu desligamento da amadora Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (Amea), filiando-se em seguida à recém-criada Liga Carioca de Football (LCF), o que representava sua adesão definitiva ao profissionalismo.

O título do Octogonal de Verão

Outro momento marcante rubro-negro em Montevidéu foi a conquista do Torneio Octogonal de Verão disputado em janeiro de 1961 e que, juntamente com a Gran Serie Suramericana Inter Clubs (também conhecida simplesmente como “Hexagonal de Lima”) de 1959, ocupa lugar de destaque na galeria de troféus internacionais de prestígio levantados pelo clube naquela virada dos anos 1950 para 1960. Além do Fla, participaram do octogonal Vasco, Corinthians, São Paulo, Boca Juniors, River Plate e os uruguaios Nacional e Cerro.

Dirigido pelo “Feiticeiro” Manuel Fleitas Solich, o time rubro-negro vivia período de transição. Se por um lado o elenco ainda mantinha nomes experientes e históricos do clube como os laterais Joubert e Jordan, o zagueiro Jadir, o meia Moacir, o ponta-esquerda Babá e os artilheiros Dida e Henrique, por outro já apresentava nova safra, ponteada pelo volante Carlinhos, o “Violino” (ganhando o lugar do antigo ídolo Dequinha), e o armador Gerson, o “Canhotinha de Ouro”, que estrearia na seleção brasileira naquele ano.

Com as primeiras rodadas marcadas pelos confrontos locais, deixando os duelos dos brasileiros contra os vizinhos sul-americanos para a reta final, a tabela acabaria sofrendo alterações nos locais das partidas, já que, de saída, argentinos e uruguaios bateram o pé e se recusaram a atuar no Brasil. Com isso, além do clássico diante do Vasco, o Flamengo só faria mais uma partida no Maracanã, enfrentando o São Paulo na terceira rodada. A estreia, diante do Corinthians, seria no Pacaembu, no dia 4 de janeiro.

O time do Parque São Jorge incluía os campeões mundiais Gylmar e Oreco e o atacante Almir Pernambuquinho, futuro ídolo rubro-negro. Mas foi o Fla que largou na frente, ainda com poucos segundos de jogo, num chute forte de Dida da intermediária que o Gylmar aceitou. O Corinthians empatou na etapa final com Lanzoninho, mas logo os rubro-negros recuperaram a vantagem com gol de Moacir, escorando cruzamento de Henrique que Gerson deixou passar. E a vitória por 2 a 1 faria o time de Solich largar na frente.

Três dias depois seria a vez de receber o São Paulo de Poy, De Sordi, Dino Sani e Gino Orlando. E o tricolor saiu em vantagem com gol do meia Paulo aos oito minutos. O Fla passou a bombardear o gol adversário, mas só conseguiu o empate aos 40, quando Dida fez a assistência para o ponta Babá superar Poy. A virada rubro-negra chegaria no início da etapa final, aos 11 minutos, quando Gerson entregou a Dida que, de costas para o gol, girou e fuzilou de primeira, sem deixar cair. Um golaço do camisa 10 do Flamengo.

Foi quando o árbitro uruguaio Esteban Marino começou a aparecer no jogo. Primeiro viu pênalti em disputa de bola pelo alto entre o zagueiro rubro-negro Nelinho e Paulo. Dino Sani bateu e converteu. Aos 22, Dida tabelou com Henrique e foi derrubado por Geraldo na área, mas Marino mandou o lance seguir. E aos 37, Moacir levantou a bola para a área e o mesmo Geraldo cortou o cruzamento com a mão. Em vez de marcar pênalti, o uruguaio apontou falta fora da área, praticamente em cima da linha.

O Flamengo de 1961

Mas aos 39, Babá recebeu um rebote na área e encheu o pé para decretar a vitória rubro-negra por 3 a 2, placar que mantinha o Fla como líder isolado naquele início de torneio. A batalha deixou baixas: Jadir rompeu o ligamento lateral interno do joelho esquerdo ainda no primeiro tempo e ficou de fora do resto do torneio. E Joubert, com entorse no tornozelo direito, também era desfalque certo para o clássico diante do Vasco – que se aproveitaria da improvisada defesa rubro-negra para vencer por 1 a 0, gol de Azumir.

A fase de jogos internacionais do torneio começaria para o Flamengo com as duas partidas em Buenos Aires, a primeira delas no Monumental de Núñez diante do River Plate do goleiro Carrizo, e de Ramos Delgado, Onega e Sarnari. A partida seria realizada numa sexta-feira 13, mas diante do forte temporal que alagou e provocou queda de luz em vários pontos da capital argentina, acabou transferida para o dia seguinte. Dida era o desfalque da vez, mas mesmo assim o Fla levou a melhor, vencendo por 1 a 0, gol de Henrique.

O gol saiu logo aos 19 minutos de jogo: Gerson chutou, a bola bateu num zagueiro e voltou para o meia, que arriscou de novo uma pedrada, que explodiu no travessão. No rebote, Henrique apareceu rápido para empurrar para as redes. Mas assim como havia ocorrido contra o São Paulo, a vitória cobrou seu preço: entre os possíveis desfalques para o jogo seguinte estavam o goleiro Ari, o lateral Joubert, o zagueiro Nelinho e o ponta Luís Carlos, todos com problemas físicos. Além deles, o atacante Dida também era dúvida.

O reflexo de tudo isso seria a apresentação muito ruim e a goleada de 4 a 0 sofrida para o Boca Juniors na Bombonera. Com Joubert e Nelinho jogando no sacrifício na defesa, Dida também sem condições e poupado para entrar durante o jogo, Luís Carlos irremediavelmente fora, Carlinhos tendo que deixar o campo no intervalo e o goleiro Fernando lesionado na etapa final, precisando ser substituído por Ari, o Fla ainda teve pela frente um adversário embalado pela chegada do técnico Vicente Feola e a coliderança do torneio.

Com dois gols de Nardiello no primeiro tempo e um de Yudica e outro de Loayza na etapa final, o Boca venceu com facilidade e assumiu a liderança isolada do octogonal com oito pontos, a duas rodadas do encerramento. O Flamengo, por sua vez, caía para o terceiro posto, ultrapassado pelo surpreendente Cerro (que derrotara Nacional, Corinthians e São Paulo). Para piorar, os xeneizes fariam seus últimos jogos em La Bombonera, contra a dupla paulista, enquanto o Fla viajaria a Montevidéu para encarar os dois uruguaios.

Mesmo com o revés, o prestígio dos jogadores do Flamengo seguia em alta: o River Plate oferecia dez milhões de cruzeiros pelos passes de Gerson e Jordan. Ainda que o clube não vivesse fase de bonança financeira, a diretoria rubro-negra se negou a abrir mão da dupla. E assim como quando da chegada da delegação a Buenos Aires, um temporal sobre Montevidéu levou ao adiamento do primeiro jogo dos rubro-negros na capital uruguaia, contra o Nacional, inicialmente previsto para 20 de janeiro e disputado dois dias depois.

Quando a bola enfim rolou, a liderança do octogonal mudara de mãos: batido pelo Corinthians em plena Bombonera, o Boca Juniors cedeu a primeira colocação ao Cerro, que derrotara o Vasco no mesmo estádio Centenário no dia anterior. Com isso, o Flamengo precisaria de qualquer forma vencer o jogo contra o forte time do Nacional – que reunia vários jogadores da seleção uruguaia, como o capitão Troche, o zagueiro Rubén González e o ponta Escalada – para chegar à rodada decisiva ainda com chances de título.

Gérson pelo Flamengo em 1961

O Flamengo venceu por 1 a 0, gol de Babá, aos 23 minutos do segundo tempo, quando já atuava com dez jogadores. Dida havia sido expulso de maneira bizarra pelo árbitro após reclamar de ter recebido um soco do zagueiro Moreno numa disputa de bola. O agressor, entretanto, recebeu apenas advertência. Sem seu camisa 10 para a partida decisiva contra o Cerro, o Flamengo seguia sua rotina de desfalques no Octogonal – Gerson seria adiantado à ponta de lança, com Moacir fazendo dupla com Carlinhos no meio-campo.

Apenas Flamengo, Cerro e Boca Juniors chegavam à última rodada do Octogonal com chances de título. Aos rubro-negros, era preciso derrotar o time uruguaio no estádio Centenário e torcer para o Boca não vencer o São Paulo na Bombonera. Em caso de vitórias de Fla e Boca, uma partida desempate entre as duas equipes seria marcada para o domingo seguinte. O pequeno Cerro, que quase beliscara o título uruguaio no ano anterior, teria, entretanto, o apoio de mais de 43 mil torcedores no tradicional palco de Montevidéu.

Só que o Flamengo logo tomou conta do jogo e abriu o placar aos dois minutos com Gerson em cobrança de falta. E a vantagem rubro-negra não foi ameaçada até o fim da primeira etapa. No intervalo, porém, o sistema de som do estádio anunciou a surpreendente goleada de 5 a 1 sofrida pelo Boca para o São Paulo em Buenos Aires, resultado que, aliado a um empate no Centenário, daria o título ao Cerro. Foi o que bastou para que o panorama se modificasse, em especial na atuação do árbitro argentino Ángel Coerezza.

As faltas duvidosas a favor do time uruguaio foram se sucedendo, e o Flamengo se viu obrigado a recuar suas linhas e evitar ao máximo qualquer choque dentro da área. Outro acontecimento bizarro envolvendo a arbitragem neste jogo foi a permanência em campo do médio do Cerro Ángel Rodríguez até o fim da partida, mesmo após ter sido expulso no final do primeiro tempo. O árbitro Coerezza registrou a expulsão na súmula, mas não se deu conta de que os uruguaios atuaram com 11 até o fim.

Aos 40 minutos da etapa final, Coerezza ainda anulou um gol legítimo de Babá, alegando falta no goleiro. Mas, num contra-ataque puxado por Henrique, o Flamengo voltaria a balançar as redes com Gerson. Depois disso, torcedores atiraram garrafas no gramado, alguns invadiram o campo e chegaram a arrancar a rede de um dos gols, paralisando a partida por cinco minutos. Coerezza ainda esticou a partida até os 48, algo pouco comum para a época, mas a vitória rubro-negra por 2 a 0 estava mais do que consolidada.

Nos vestiários após a derrota, os cartolas uruguaios ainda tentaram uma última cartada, alegando que o suspenso Dida, e não o reserva Manoelzinho, é que teria entrado no lugar do ponta-direita Othon durante a partida, o que faria o Flamengo perder os pontos do jogo. Mas os protestos incabíveis foram prontamente rechaçados por Coerezza e pelos organizadores do torneio. Ficou apenas o vexame para o Cerro. Enquanto isso, do lado rubro-negro, Gerson comemorava o título chorando abraçado a Fleitas Solich.

Em sua análise da competição, o jornal O Globo ressaltou: “Na verdade, no Octogonal o Flamengo andou geralmente esquecido nos cálculos para a conquista do título, embora inicialmente ganhasse dos dois clubes paulistas. Enganaram-se redondamente todos os profetas e a melhor hipótese acabou sendo a que não entrara nos cálculos: derrota do Boca, clara, como positiva a vitória do Flamengo. Resultado: campeões os rubro-negros, com o Cerro em segundo a um ponto, vindo em terceiro, empatados, River e Boca”.

A primeira conquista da América

Vinte anos após a conquista do Octogonal, o Centenário seria o palco do primeiro título rubro-negro na Libertadores ao receber, como campo neutro, o jogo desempate provocado pelas vitórias alternadas do Flamengo no Maracanã (2 a 1) e do Cobreloa no Estádio Nacional de Santiago (1 a 0). Os chilenos tinham pequena vantagem, a do empate na prorrogação em caso de igualdade também no tempo normal, devido ao gol marcado como visitante. Mas o Fla dominou amplamente a decisão e venceu por 2 a 0, dois gols de Zico.

Os rubro-negros tinham desfalques importantes para a final: agredido com um soco na batalha de Santiago, Lico não teria condições de jogo – o que levou o técnico Paulo César Carpegiani e mexer em outras posições: Adílio, que também havia sofrido agressão dos chilenos e jogaria com quatro pontos no supercílio, foi deslocado para a ponta-esquerda, passando Leandro para o meio-campo e abrindo espaço para a entrada de Nei Dias na lateral-direita. Outra baixa estava na zaga: lesionado, Figueiredo dava lugar a Marinho.

Mas logo aos 17 minutos, o Fla já estaria em vantagem: Adílio recuperou uma bola na entrada da área e entregou a Andrade, que passou a Zico. Entre dois adversários, o camisa 10 girou e bateu de primeira, com força, surpreendendo o goleiro Wirth. Perdendo, o time chileno voltava a tentar intimidar com faltas violentas e provocações, como havia feito em Santiago. Mas desta vez seria punido: quando Alarcón entrou de sola, por cima da bola, numa disputa com Andrade, recebeu o cartão vermelho aos 26 minutos.

As faltas desleais continuariam, mas depois de Adílio levar um pontapé de Puebla no joelho, de Zico ser atingido nas costas por Mario Soto e de Junior levar um carrinho feio de Jiménez, Andrade perdeu a paciência: entrou no meio do mesmo Jiménez e também recebeu cartão vermelho, o primeiro da carreira. Caberia a Leandro exercer sozinho a cobertura da defesa, com Tita e Adílio se juntando a Zico numa linha de três armadores. Sem problema: o Fla seguia melhor e voltaria a balançar as redes no segundo tempo.

A agressão de Anselmo em Mario Soto

O lance foi aos 30 minutos. Um lançamento de Tita para Adílio, que o goleiro Wirth teve de sair da área para interceptar com as mãos. O árbitro uruguaio Roque Cerullo não expulsou o camisa 1, mas marcou a falta. De novo, sem problema: Zico partiu para uma cobrança perfeita, no canto, tirando da barreira e do goleiro, que permaneceu estático, sem ter o que fazer. Com o 2 a 0 no placar – fora o banho de bola – a poucos minutos do fim da partida, chegava o momento de dar o troco no adversário também no braço.

O estopim foi um soco de Mario Soto em Tita bem em frente do banco de reservas rubro-negro. Carpegiani imediatamente chamou o centroavante Anselmo, que entrou no lugar de Nunes com uma missão específica: “Vem cá, você viu ali? Deixa a bola vir, tu dá-lhe no meio (de Mario Soto) e pode sair”, orientou o treinador. Dito e feito. Na confusão a seguir, que teve até a entrada da polícia uruguaia em campo, Anselmo, Mario Soto e Jiménez foram expulsos. Mas o jogo já estava decidido, com vitória incontestável do Flamengo.

Na noite de Montevidéu, Zico erguia a taça e Junior comandava a volta olímpica no mesmo palco onde o Flamengo já havia escrito sua história em outras décadas, com outros craques e em outros contextos. Uma relação que o clube busca preservar em mais uma decisão de Libertadores.

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Emmanuel do Valle

Além de colaborações periódicas, quinzenalmente o jornalista Emmanuel do Valle publica na Trivela a coluna ‘Azarões Eternos’, rememorando times fora dos holofotes que protagonizaram campanhas históricas.

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