Por que Peñarol x Racing pode ser considerado o pior jogo da Libertadores até o momento?
Duelo válido pela ida das oitavas de final teve pouco tempo de bola rolando e nível que surpreendeu até mesmo os envolvidos
O duelo entre Peñarol e Racing pela ida das oitavas de final da Copa Libertadores, disputado nessa terça-feira (12), foi classificado como um dos piores jogos do torneio, segundo a “TyC Sports”, da Argentina. O veículo aponta que os uruguaios – que venceram o gigante argentino por 1 a 0 – até entenderam a tônica da partida, mas isso não foi o bastante para elevar o nível de um duelo entre dois grandes do continente.
Foram diversos os fatores que geraram essa avaliação. Desde o jogo extremamente faltoso até o gramado do estádio Campeón del Siglo, que estava em péssimas condições. Até mesmo os protagonistas da partida chegaram a admitir o baixo nível do espetáculo.
Comparando os primeiros tempos de todos os jogos da atual edição, a ‘TyC’ colocou os 45 minutos iniciais de Racing e Peñarol como um dos piores. Segundo o aplicativo “365Scores”, a bola rolou apenas 18 minutos e 24 segundos, totalizando 53 paralisações. Além disso, dois impedimentos foram marcados, um para cada lado, e nenhuma chance perigosa foi criada.
Na segunda etapa, a situação deu uma leve melhorada, foram 50 minutos ao todo, sendo 21 de bola rolando. No entanto, houve 59 paralisações e duas chances perigosas criadas, ambas para o Peñarol, que abriu o placar com David Terans, jogador ex-Fluminense e Athletico, aos 33′.
— Vou ser sincero, joguei na Federal A, Amador Regional, e não me lembro de uma partida como aquela. Não sei como era visto de fora, mas imaginei na hora em que estava na partida e pensei: ‘Nossa, como deve estar sendo [ver] essa partida’ — admitiu o atacante do Racing, Santiago Solari, após o fim do jogo.
Somando os dois tempos, foram 34 faltas, sendo 12 do Carbonero e 22 da Academia. O árbitro Raphel Claus mostrou sete cartões amarelos. Além disso, o VAR também foi chamado duas vezes. A primeira para avaliar uma possível falta de Adrián Martínez em Javier Médez. Inicialmente, o atacante da Academia foi expulso, mas a decisão foi revertida após análise do VAR. Depois, o árbitro de vídeo atuou novamente para analisar o gol marcado pelo Peñarol, em um lance de possível impedimento de Matías Arezo, mas o tento terminou sendo validado.
— Sabíamos que seria um jogo pelo qual teríamos que lutar. Não acho que ninguém vá nos vencer na hora de marcar gols. Eles podem jogar melhor do que nós, mas do jeito que o jogo foi, nos sentimos confortáveis. Tínhamos que lutar — avaliou o técnico Diego Aguirre, do Peñarol.

Campo de jogo também é alvo de críticas
Além da partida truncada, o gramado do estádio Campeón del Siglo também foi alvo de críticas. Com muitos buracos, a bola saltava muito e não dava total estabilidade aos jogadores. Uma das saídas era apostar na bola longa para tentar criar chances.
— A bola estava mais no ar do que no chão, já vi poucos jogos assim. Era difícil jogar, era difícil fazer o passe e a cada passe que fazíamos corríamos risco porque o campo estava saltitante. Não estou usando isso como desculpa, não é desculpa, mas bem, gostaríamos de ter feito o jogo do nosso jeito — analisou o técnico Gustavo Costas, do Racing.
A opinião do treinador foi compartilhada pelo atacante Adrián Martinez, que também não perdoou ao gramado do estádio uruguaio.
— Foi um jogo muito equilibrado, com muitas bolas longas em campo, o campo não estava bom. Não estamos acostumados a bater tantas bolas longas. O campo estava ruim para nós dois, isso não é desculpa. Isso mudou a forma como iríamos jogar e batemos bolas longas.
Agora, Peñarol e Racing fazem o duelo de volta na próxima terça-feira (19), às 21h30 (de Brasília). As equipes se encontram no El Cilindro, em Buenos Aires, para buscar a classificação. A equipe uruguaia leva a vantagem por ter vencido o jogo de ida por 1 a 0.



