Libertadores

O papel decisivo nesta Libertadores faz jus à importância de Dudu no Palmeiras

Dudu colecionava frustrações na Libertadores e tem sido fundamental nesta nova caminhada à decisão

Dudu é um nome inescapável do sucesso construído pelo Palmeiras desde a última década. O “chapéu” dado pelos alviverdes na contratação se provou uma jogada de mestre, por tudo aquilo que o atacante representa em identificação e conquistas. Primeiro veio seu poder de decisão na Copa do Brasil de 2015, antes do papel essencial em dois títulos do Brasileiro, sobretudo em 2018. A importância evidente do ídolo palestrino nos torneios domésticos, porém, nem sempre se reproduziu na Libertadores. Por isso mesmo, seu protagonismo no Mineirão é tão valioso. Ele faz jus à grandeza no clube de Dudu, que deveria ter mais momentos de brilho no torneio continental.

LEIA MAIS: Num jogo bem mais vivo no Mineirão, o Palmeiras busca o empate contra o Galo e vai a mais uma final de Libertadores

O duelo contra o Atlético Mineiro nem apresentou a melhor versão de Dudu nesta Libertadores. Contra o São Paulo, nas quartas de final, o meia foi bem mais destrutivo e comandou a classificação palmeirense. Desta vez, o confronto se desenhou mais complicado ao ídolo e à sua equipe. Se a noite no Allianz Parque viu meros espasmos dos alviverdes, desta vez o time apresentou mais recursos, com escapes ao ataque e chegadas mais constantes. Ainda assim, esse crescimento não se deu necessariamente por causa de Dudu. O astro palestrino até ganhou mais liberdade para se movimentar na linha de frente, mas não era exatamente quem proporcionava os melhores lances de seu clube.

Dudu, no entanto, possui um claro poder de decisão. Foi por isso que sua substituição no Allianz Parque acabou contestada e gerou até ruído, pela escancarada insatisfação do jogador. Desta vez, mesmo sendo menos ativo que Rony, não seria ele a sair logo de cara. E a estrela brilhou, no lugar certo e na hora certa. Quando Gabriel Verón entrou e logo arranjou uma excelente arrancada pela esquerda, quem acreditou no lance e apareceu atento na área foi Dudu. Deu o carrinho e completou à meta aberta o gol que botou o Palmeiras na decisão. Carimbou o passaporte de muitos torcedores que seguirão a Montevidéu. É disso que são feitos os ídolos: eles alimentam os sonhos e os tornam realidade.

Este foi apenas o sétimo gol de Dudu pelo Palmeiras em Libertadores, ao longo de 38 partidas disputadas. Um tento que, de certa forma, reescreve sua história no torneio. De 2016 a 2019, o meia não conseguiu superar a sina palestrina que estendia o jejum continental. Para começar, uma queda na fase de grupos. Depois, uma frustração contra o Barcelona de Guayaquil nas oitavas de 2017. O Boca Juniors foi o carrasco nas semifinais de 2018, mesmo com as boas atuações do craque na fase anterior contra o Colo-Colo. Já em 2019, nas quartas de final, o Grêmio interrompeu as pretensões do destaque alviverde.

Na teoria, Dudu até fez parte do elenco vencedor em 2020. O meia disputou as duas primeiras partidas da fase de grupos. Porém, ao aceitar a proposta do Al-Duhail (em meio às denúncias de agressão de sua esposa), deixou de ajudar nos momentos mais agudos e não apareceu do pôster de campeão. Estava com outra camisa quando o Palmeiras disputou o Mundial de Clubes. Seguiu pendente em sua dívida com a Libertadores. E a nova chance dos palestrinos na final de 2021 tem muito a ver com o retorno do ídolo nesta edição. Não é a sua versão mais impressionante e nem a mais efetiva, mas é aquela que fez mais diferença no torneio continental. Numa equipe de gols contados, a estrela do camisa 43 acabou preponderando em dois confrontos decisivos.

Ainda falta a decisão para Dudu realmente completar sua ambição na Libertadores e adicionar o torneio continental à sua lista de conquistas. Porém, a classificação do Palmeiras à segunda final consecutiva entra na lista de feitos do ídolo. Num momento mais contestado do time de Abel Ferreira, o atacante se provou um diferencial nas horas de maior pressão. Vai mirar o troféu no Centenário, com a possibilidade de tocar a glória eterna que o colocaria numa posição ainda mais privilegiada entre os grandes jogadores da história alviverde.

Mostrar mais

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo