Libertadores

Quem é o ‘Endrick equatoriano’ que o Palmeiras vai enfrentar na Libertadores?

Jogador do Independiente del Valle, Kendry Páez será adversário do Palmeiras na fase de grupos da Libertadores

Ele não é necessariamente um centroavante, mas a coincidência fonética do nome e a história de negociação precoce para a Europa tornam inevitável fazer uma comparação.

Quando entrar em campo para enfrentar o Independiente del Valle, na fase de grupos da Copa Libertadores, o Palmeiras vai encarar Kendry Páez, 16, maior revelação do futebol equatoriano das últimas décadas. O “Endrick equatoriano”.

O também canhoto Kendry está para o Chelsea como Endrick está para o Real Madrid — o que muda, bastante, são os valores. O jovem equatoriano foi negociado com o clube inglês em julho de 2023 por 10 milhões de euros: oito vezes menos do que os merengues pagarão pelo palmeirense.

Assim como o 9 do Palmeiras, Kendry também só pode ir para a Europa quando completar 18 anos, em maio de 2025. Até lá, deve seguir brilhando no Del Valle. Já Endrick ruma para Madri já em julho deste ano.

Muito futebol, mas ainda falta corpo

— Kendry Paez é o menino-prodígio do futebol equatoriano. Sua qualidade técnica permitiu que ele estreasse pela seleção adulta e já ganhasse títulos. Pelo que vimos, já foi possível perceber que possui uma qualidade extrema. O futebol equatoriano é um jogo muito físico e veloz. E, mesmo assim, ele conseguiu sobressair e conquistar o respeito dos adversários — disse à Trivela Jerry Robalino, jornalista e um dos principais narradores de futebol no Equador.

— É um jogador que não se intimida, que tem dribles. E os jogadores dos outros clubes não se incomodam porque fica claro que isso faz parte do jeito dele jogar, que não faz para provocar ou se divertir. É um jogador versátil, que joga em todas as posições do ataque. Joga menos pela esquerda, mas também atua. Na seleção, jogou mais pelos lados. Na minha visão, renderia melhor jogando por trás do centroavante — acredita.

Outra diferença de Kendry para seu quase xará está na parte física. Segundo Jerry, Kendry ainda precisa se desenvolver um pouco mais fisicamente. Ao passo que Endrick já é um trator desde sua estreia.

— Entendo que vá ser um desenvolvimento natural, na parte muscular. Ele ainda é um adolescente, afinal. Além disso, creio que ainda vá evoluir em aspectos táticos, pois a exigência do trabalho sem bola é muito maior na Europa — crê Jerry.

Estreia aos 15

Kendry Páez fez sua estreia no time principal do Independiente del Valle em 2023, quando tinha apenas 15 anos. Ele se tornou o jogador mais jovem a marcar um gol no Campeonato Equatoriano ao balançar as redes em sua estreia.

Embora estivesse relacionado para os dois jogos contra o Flamengo na Recopa Sul-Americana do ano passado, não entrou em campo durante a campanha do título.

Com dois gols e seis assistências, Kendry Páez foi fundamental para levar o Equador ao vice-campeonato do Sul-Americano sub-17 em abril. Ele também registrou um gol e duas assistências no Mundial sub-20, onde a seleção equatoriana foi eliminada nas oitavas de final no início de junho do ano passado.

Em 32 jogos pelo Del Valle, Kendry soma seis gols e uma assistência. Cinco desses jogos foram na Libertadores do ano passado, competição na qual ele passou em branco. Entrou em campo aos 27 do 2º tempo na vitória por 2 a 1 sobre o Corinthians. E foi titular na eliminação ante o Deportivo Pereira, que acabou caindo para o Palmeiras na fase seguinte.

Pela seleção, o jovem foi titular em cinco jogos. Estreou em 12 de setembro do ano passado, na vitória por 2 a 1, contra o Uruguai, com uma assistência. Seu primeiro gol veio em 13 de setembro, contra a Bolívia, em La Paz: nova vitória por 2 a 1.

Neste ano, ele jogou as três partidas do Del Valle e fez um gol na vitória por 3 a 0 sobre o Cumbayá, no último dia 15. Além da Recopa Sul-Americana, Páez esteve no elenco campeão da Supercopa do Equador.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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