Libertadores

Endrick e Dudu: símbolos que resumem as duas fases do renascimento do Palmeiras

Os dois atacantes de maior destaque no Palmeiras nos últimos tempos representam mais do que já fizeram no campo

Endrick faz nesta quinta-feira (30), para um Allianz Parque lotado, seu último jogo como atleta do Palmeiras. Quando ele deixar o campo do jogo contra o San Lorenzo, pela fase de grupos da Copa Libertadores, estará saindo do clube um jogador que representa o auge de um Palmeiras imaginado no fim de 2019.

É uma pena para o torcedor que Dudu dificilmente será relacionado para este jogo. O camisa 7 está na reta final de recuperação de cirurgia de ligamento cruzado anterior que o tirou de campo por oito meses.

Ver os dois juntos em campo pela última vez seria mais uma reafirmação simbólica dos caminhos certos que o Palmeiras vem tomando há dez temporadas.

Protagonista no mercado

Em 2015, quando quis comunicar ao futebol brasileiro que o Palmeiras estava de volta ao protagonismo, o recém-chegado diretor Alexandre Mattos entrou com força na briga pela contratação de Dudu.

Destaque no Grêmio, o atacante do Dynamo era disputado palmo a palmo por Corinthians e São Paulo. Ao atropelar os dois rivais e fechar com o jogador, o Palmeiras avisava ao mercado que um ator importante deste cenário estava de volta.

De fato, a primeira fase do renascimento do Palmeiras, iniciada em 2015, após o clube quase cair pela terceira vez para a segunda divisão, ficou marcada por contratações de vulto, medalhões, destaques internacionais.

Além de Dudu, nomes como Gustavo Scarpa, Weverton, Marcos Rocha, Borja, Guerra, Luiz Adriano, Ramires, Felipe Melo, Lucas Barrios, Lucas Lima, Michel Bastos e Zé Roberto, entre outros, foram trazidos com função dupla: além de jogar, eles estavam no clube para sinalizar esse novo Palmeiras forte financeiramente e audacioso no mercado.

Em 1º de dezembro de 2019, ainda sem saber que seria demitido minutos depois, foi o próprio Mattos quem anunciou a morte do modelo que ele implantara e que dera ao Palmeiras dois Campeonatos Brasileiros (2016 e 2018) e uma Copa do Brasil (2015) em cinco temporadas.

A ideia do Palmeiras, dali em diante, seria contratar pontualmente e apostar nas categorias de base. Que, até aquela altura, sob sua administração, haviam sido muito mais fonte de receita do que de jogadores para o clube.

A Era dos Crias

Em 2020, já foi com Gabriel Menino e Patrick de Paula entre os titulares que o Palmeiras venceu o Corinthians, nos pênaltis, para ser campeão paulista.

E seria com os dois, além de Danilo, Gabriel Veron, Wesley e Renan em funções importantes, que o Palmeiras venceria ainda a Copa Libertadores e a Copa do Brasil do mesmo ano.

Naquela época, já se falava de um garoto do sub-15, que São Paulo e Santos haviam deixado passar. Um centroavante que estreara pelo sub-11 em 28 de maio de 2017, cujo pai trabalhava na Academia de Futebol, o CT do clube. Seu nome era Endrick.

Cinco anos e meio depois, em dezembro de 2022, o Real Madrid venceria uma concorrência com as principais potências do futebol mundial para contratar tal jogador por R$ 400 milhões, incluindo metas e impostos com os quais o time espanhol vai arcar.

Endrick não foi o primeiro nome formado no clube a ser vendido com destaque para o exterior. Gabriel Jesus saiu em 2017 para o Manchester City, por exemplo.

Mas, até pelo valor pelo qual foi negociado, Endrick representa o auge desse momento iniciado há cinco temporadas. No qual os garotos formados nas categorias de base até podem ser negociados. Mas não sem antes terem suas utilidades para o Palmeiras mapeadas e testadas em campo.

Se Dudu é o símbolo de um Palmeiras que ganhava disputas no mercado, Endrick é o símbolo deste Palmeiras que investe na formação e captação de talentos como filosofia.

E é na soma desses dois modelos que está o sucesso do Palmeiras, 14 vezes campeão, em uma lista crescente, nas últimas dez temporadas.

Foto de Diego Iwata Lima

Diego Iwata Lima

Jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero, Diego cursou também psicologia, além de extensões em cinema, economia e marketing. Iniciou sua carreira na Gazeta Mercantil, em 2000, depois passou a comandar parte do departamento de comunicação da Warner Bros, no Brasil, em 2003. Passou por Diário de S. Paulo, Folha de S. Paulo, ESPN, UOL e agências de comunicação. Cobriu as Copas de 2010, 2014 e 2018, além do Super Bowl 50. Está na Trivela desde 2023.
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