Libertadores

Palmeiras contou com os renegados Mayke e Deyverson para escrever a história do seu tri da Libertadores

Deyverson marcou o gol do título para se tornar protagonista da conquista; Mayke, substituto de Marcos Rocha, superou desconfiança com participação decisiva na final

Colaborou: Bruno Bonsanti, de Montevidéu

Entre os grandes nomes que o Palmeiras levou a campo neste sábado, Deyverson estava longe de ser um deles. Raphael Veiga, que talvez tenha sido o melhor jogador da Libertadores, Dudu, Rony ou Gustavo Scarpa eram os nomes mais badalados para brilharem. Todos eles tiveram o seu papel, mas no fim, foi Deyverson quem marcou o gol do título. Além dele, no gol de Raphael Veiga, um destaque óbvio, quem brilhou também foi Mayke, lateral direito que passou longe do time titular neste ano, que teve papel decisivo para fazer o cruzamento.

VEJA MAIS: Herói tão improvável quanto predestinado, Deyverson sai do banco e dá o tri da Libertadores ao Palmeiras

O Palmeiras teve dois desfalques importantes na final da Libertadores neste sábado. Felipe Melo não estava em condições físicas ideais e começou o jogo no banco de reservas. O segundo nem isso: Marcos Rocha estava suspenso da partida e foi substituído por Mayke. O lateral direito teve uma grande atuação e participa diretamente do primeiro gol.

O técnico Abel Ferreira teve um papel decisivo para que esses jogadores conseguissem brilhar. Mayke era o mais cotado para substituir Marcos Rocha, mas por ter características diferentes, foi aproveitado de uma maneira diferente: em vez de lateral, foi ala pela direita. Marcos Rocha por vezes é um jogador que fecha como terceiro zagueiro no Palmeiras, mas Mayke é mais conhecido pela sua rapidez e facilidade de apoio. Foi assim que ele aproveitou a chance, em um lançamento de Gustavo Gómez, e deu o passe para o gol de Raphel Veiga, ainda no primeiro tempo.

Mais do que participar do primeiro gol, Mayke conseguiu ter um papel importante no apoio e também na defesa. Sem a bola, especialmente no segundo tempo, o Palmeiras contou com o lateral fechando o seu lado, tendo que lidar com Bruno Henrique, um dos principais jogadores rubro-negros. O bom posicionamento do jogador e de todo o time impediu que o Flamengo tivesse liberdade por aquele lado. Ele foi o jogador que fez mais interceptações no jogo, com quatro, mesmo número de desarmes – neste quesito, quem liderou no jogo foi Joaquín Piquerez.

“Momento único, estou muito feliz pelo jogo de todos, pelo grande campeonato que fizemos e graças a Deus, pelo título. Então pude entrar dentro de campo e ajudar meus companheiros da melhor maneira possível, trabalhei bastante para receber essa oportunidade do professor Abel e, como eles dizem, quem trabalha Deus ajuda. Agradecer muito a Deus e agora é comemorar bastante porque merecemos”, afirmou Mayke depois do jogo, à Trivela.

Quando perguntado sobre jogar mais adiantado, como um ala, ele confirmou que esse era o plano. “Sim, porque o time do Flamengo do lado direito desce mais, o Isla desce mais. Então, o professor decidiu me espetar mais, porque o Filipe Luís fica um pouco mais preso. E graças a Deus deu certo. O professor Abel tem grande parte dessa vitória, ele é um cara que estuda muito, nos ajuda muito dentro de campo, entramos em campo sabendo o que vamos fazer, e deu tudo certo. Agora é festejar, porque é muito difícil ser campeão”, afirmou ainda o lateral direito.

Com Deyverson, o caso é ainda mais improvável. O atacante tem sido reserva na maioria dos jogos e não era cotado para o jogo. Quando ele entra em campo no lugar de Raphael Veiga, antes do início da prorrogação, parecia uma aposta de risco do treinador. Acabou se pagando. O seu gol, já no começo da prorrogação, contou com um pouco de sorte, claro, mas principalmente teve a sua atuação na pressão na saída de bola, que contribuiu para forçar o erro de Andreas Pereira. Escreveu ali o seu nome na história do clube e se tornou o autor do gol do título do bicampeonato do Palmeiras na Libertadores, o terceiro título da competição do clube, igualando os rivais São Paulo e Santos e o Grêmio, os maiores campeões do torneio no Brasil.

Mesmo jogadores que não eram tão utilizados pelo elenco do Palmeiras acabaram tendo papel importante. Quando Zé Rafael precisou sair, machucado, aos 36 minutos do segundo tempo, e com Patrick de Paula já substituindo outro machucado, Danilo, se esperava que Felipe Melo entrasse em campo. Mas as condições físicas não pareciam as ideias e quem entrou em campo foi Danilo Barbosa, um volante que não está nem perto de ser uma das principais opções do time. Mas ele entrou e foi bem em campo, conseguiu cumprir o seu papel, ainda que sem destaque.

O Palmeiras que já teve nomes como Betinho como um renegado que se tornou herói, desta vez tem Deyverson como personagem, além de Mayke, já muitas vezes criticados, que brilham em mais um título. Uma das características que o time alviverde mais tem ressaltada é a profundidade do seu elenco. Só que isso só vale se os jogadores que estão no banco consegue entrar bem. Em alguns momentos no ano, não foi assim. Desta vez foi e acabou sendo decisivo para a conquista da terceira taça da Libertadores.

A história do Palmeiras é repleta de renegados e aumentou a lista com a presença de Deyverson e Mayke entre eles, cruciais na final do torneio mais importante da América e da temporada alviverde.

Mostrar mais

Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

Conteúdos relacionados

Botão Voltar ao topo