Libertadores

O talento do Flamengo prevaleceu também em Guayaquil, para selar a categórica classificação à final

Bruno Henrique desta vez contou com os ótimos passes de Everton Ribeiro, enquanto Diego Alves voltou a negar o gol ao Barcelona

O Flamengo disputará a terceira final de Libertadores da sua história, a segunda em três anos, depois de mais uma classificação categórica nas semifinais. Os rubro-negros tinham ressaltado sua superioridade já no Maracanã, apesar do papel digno do Barcelona de Guayaquil, e repetiram a dose dentro do Estádio Monumental Isidro Romero Carbo. A qualidade de muitos dos campeões em 2019 segue desequilibrando e, fulminante no ataque, o Fla construiu o placar por 2 a 0. Bruno Henrique marcou mais dois gols, desta vez muito bem servido por Everton Ribeiro, enquanto Diego Alves voltou a realizar defesas decisivas do outro lado. Os flamenguistas chegam com moral para o gigantesco duelo que se promete contra o Palmeiras no Estádio Centenário – o palco de sua primeira conquista, em 1981.

O Flamengo contava com retornos importantes em relação à ida. Filipe Luís e De Arrascaeta estavam de volta ao time. Renato Gaúcho punha novamente David Luiz na zaga, enquanto Andreas Pereira mais uma vez era usado ao lado de Willian Arão na cabeça de área. Já na frente, Gabigol e Bruno Henrique se combinariam, com a qualidade de Everton Ribeiro na armação. Já o Barcelona deixou no banco Damián Díaz, referência técnica da equipe. Fabián Bustos apostou num 4-4-2, com Gonzalo Mastriani e Carlos Garcés mais à frente. No meio, Michael Carcelén suplantava o suspenso Nixon Molina.

A intensidade da partida no Maracanã se repetiria também no Monumental. O Flamengo começou apertando a marcação, mas logo o Barcelona teria sua primeira chegada, em cabeçada de Gonzalo Mastriani que Diego Alves defendeu com segurança. E os rubro-negros sofreram um problema logo cedo, com a lesão de David Luiz, substituído por Gustavo Henrique aos dez minutos. O duelo seguiu corrido, mas concentrado no meio-campo. Isso até que o Fla desse um passo firme rumo à classificação, com o gol aos 18 minutos.

Em grande fase recente, Everton Ribeiro tem muitos méritos no lance, com uma enfiada de bola magistral. Pegou Bruno Henrique em velocidade e com espaço, o que foi fatal. O atacante driblou o goleiro Javier Burrai e mandou às redes vazias. Com isso, o Barcelona passava a precisar de quatro gols para a classificação. Na primeira resposta, logo na sequência, Diego Alves já se agigantou para defender com o pé o tiro de Mario Pineida pela esquerda, sem tanta direção.

A sequência do primeiro tempo guardaria um duelo aberto, com as duas defesas concedendo espaços em excesso. Andreas Pereira quase ampliou, ao receber uma bola ajeitada por Bruno Henrique e chutar na trave. Depois, Gabigol ainda teria uma chegada perigosa. Já o Barcelona insistia nos cruzamentos e explorava principalmente o lado direito da zaga rubro-negra, mas parava em Diego Alves. O goleiro voltaria a trabalhar numa cobrança de falta de Luis Fernando León, com Emmanuel Martínez isolando o rebote. Já aos 30 minutos, Diego Alves realizou seu principal milagre na primeira etapa, em tiro cruzado de Martínez.

O Barcelona seguiu mais à frente na sequência do primeiro tempo, mas o Flamengo conseguiu fechar melhor os espaços e esfriar o jogo. A reta final antes do intervalo perderia ritmo, com as linhas rubro-negras mais recuadas, freando ímpeto dos equatorianos. Em compensação, o Fla não acertaria muitas jogadas no campo de ataque. De qualquer maneira, era uma situação cômoda o suficiente para os visitantes administrarem em Guayaquil.

O Barcelona de Guayaquil voltou com Damián Díaz no lugar de Adonis Preciado, o que garantia mais qualidade nos passes. O Flamengo compensou com um início de segundo tempo mais ligado, esperando o momento para atacar. E qualidade abundante dos rubro-negros mais uma vez fez a diferença, com o segundo gol aos cinco minutos. Numa linda troca de passes pelo lado direito, Gabigol lançou e Everton Ribeiro disparou. O maestro não foi nada egoísta e, diante do goleiro Burrai, deu o presente para Bruno Henrique anotar mais um. A fatura parecia liquidada, diante da necessidade dos equatorianos anotarem mais cinco tentos.

O jogo ficaria mais cômodo para o Flamengo, com espasmos do Barcelona, que não acreditava mais no milagre. Os rubro-negros também não precisavam de tanto esforço, com a situação resolvida. A movimentação só voltaria a se tornar um pouco mais intensa aos 20, mas por uma confusão entre os jogadores, depois que Jonathan Perlaza arriscou com perigo para fora. Aos 25, Renato fez suas duas primeiras trocas, mandando a campo Michael e Renê, nos lugares de Filipe Luís e Bruno Henrique. Gabigol quase deixou o seu num chute rasteiro, que passou ao lado da trave. Depois, ainda entrariam Bruno Viana e Pedro, saindo Andreas e Arrascaeta, em testes de Renato.

Os minutos finais acabariam marcados pela festa da torcida do Barcelona, mesmo com a eliminação. Na volta dos torcedores amarelos ao estádio, ainda rolava muita cantoria e mesmo gritos de olé quando seu time trabalhava os passes. O Flamengo, mesmo assim, era mais contundente e Burrai precisou sair nos pés de Gabigol para evitar mais um tento. Ainda daria tempo para nova intervenção de Diego Alves aos 42, numa cabeçada de Martínez. Neste momento, porém, os dois times já se mostravam mais relaxados e aguardavam o apito final. No máximo, Pedro e Michael tentaram jogadas individuais. O término do jogo seria seguido por aplausos no Monumental e a celebração dos brasileiros.

O Flamengo consegue algo com a atual geração que nem mesmo o timaço dos anos 1980 alcançou, ao retornar à final da Libertadores em tão pouco tempo. E o que impressiona é como o entrosamento de muitos dos campeões em 2019 continua fazendo a diferença, com mostras claras de talento sobretudo no ataque. Mesmo que outros reforços tenham chegado, o papel do quarteto ofensivo é irrefutável. Fica apenas mais uma vez a preocupação com a defesa, exposta em diferentes momentos, mas salva pela forma como Diego Alves cresceu nessas semifinais. A decisão, por fim, guardará um duelo mais do que especial entre Flamengo e Palmeiras, os dois últimos campeões continentais e também os campeões nacionais da última temporada. Pelas diferenças entre os times e pela rivalidade dos anos recentes, o jogo no Centenário tem tudo para ser inesquecível.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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