Libertadores

O Santos tomou um sufoco desnecessário no fim, mas segurou o empate e garantiu seu lugar na fase de grupos

Com um homem a mais, Peixe jogou fora uma vantagem de dois gols contra o San Lorenzo e dependeu de boas defesas de João Paulo

O Santos carimbou a classificação para a fase de grupos da Copa Libertadores, mesmo tomando sustos desnecessários no reencontro com o San Lorenzo. O Peixe tinha a situação tranquila depois da vitória por 3 a 1 em Buenos Aires e não precisava de muito esforço no Mané Garrincha. Melhor ainda, os alvinegros abriram uma vantagem de dois gols no início do segundo tempo e contavam com um jogador a mais, após a expulsão de Rojas no lado azulgrana. Porém, mesmo com dez homens, o Ciclón buscou o empate por 2 a 2 e causou problemas aos anfitriões. Embora tenha falhado em um dos gols, João Paulo realizou três defesaças no fim e evitou um sufoco maior. Apesar dos riscos, os santistas puderam celebrar a passagem à próxima fase.

Vale lembrar que o jogo aconteceu no Mané Garrincha por conta das restrições ao futebol no estado de São Paulo. Apesar da permissão concedida na última semana, com a volta à fase vermelha, as equipes não alteraram a programação. O Santos contava com o retorno de Soteldo ao time titular, enquanto Ariel Holan optou por Madson na lateral direita, invertendo Pará na esquerda e adiantando Felipe Jonathan ao meio. Lucas Braga era alternativa no banco, assim como Kaio Jorge e Ângelo. Já o San Lorenzo vinha com Óscar Romero entre os titulares desta vez, com quatro mudanças em relação à ida.

Com a vantagem construída na Argentina, o Santos trabalhava a bola em Brasília e administrava o jogo durante os primeiros minutos. Madson criou a primeira chance, numa cabeçada para fora, e os alvinegros tentavam manter o controle do duelo, mas ainda sem acertar sua sintonia. O San Lorenzo levou perigo aos 15, quando Franco Di Santo se antecipou à marcação e mandou para fora. Pouco depois, Óscar Romero aproveitou uma roubada de bola no campo de ataque e soltou a bomba por cima do travessão. Ainda assim, os cuervos não conseguiam ter um domínio claro, para quem precisava de uma reviravolta.

Aos poucos, o Santos voltou a responder no ataque e parecia pronto a abrir o placar, mesmo sem fazer uma exibição tão boa quanto no Nuevo Gasómetro. Marinho quase marcou um gol olímpico, mas o goleiro José Devecchi salvou, depois de já ter desviado uma batida de Pirani. Já aos 22, Marcos Leonardo de novo fez a diferença e abriu o placar num contra-ataque. Em ótima construção coletiva, Pirani acionou Felipe Jonathan e este enfiou para Marcos Leonardo na esquerda. O atacante chegou na linha de fundo e, quase sem ângulo, mandou um chute direto que aproveitou o canto aberto do goleiro Devecchi. Belo gol, que dava ainda mais segurança aos santistas.

O San Lorenzo demorou a responder na sequência do primeiro tempo, embora tenha melhorado e tomado a iniciativa nos minutos anteriores ao intervalo. As bolas paradas eram as principais ameaças do Ciclón, com uma cabeçada de Alejandro Donatti que assustou. Mesmo assim, o campo se abria à velocidade do Santos, que também poderia ter ampliado. Soteldo parou no goleiro Devecchi aos 41 e Marinho logo depois mandou para fora. Em minutos mais movimentados, nos acréscimos Juan Ramírez também testou João Paulo, com duas boas defesas em sequência para preservar a vantagem.

Na volta ao segundo tempo, o San Lorenzo parecia disposto a martelar e João Paulo defendeu um tiro de Óscar Romero, enquanto Alison travou uma bola na pequena área. Porém, o Ciclón veria sua vida ficar ainda mais difícil quando Gabriel Rojas recebeu o vermelho direto, ao derrubar Marinho com um carrinho por trás, quando o meia se aproximava sozinho da área. A vantagem numérica reacendeu o Santos, que anotou o segundo gol aos 12. Soteldo foi inteligentíssimo, ao avançar e esperar a passagem de Pará, descolando um passe perfeito. O lateral chutou cruzado e marcou. Neste momento, o Ciclón precisava de quatro gols. Diminuiu a diferença no ataque seguinte, a partir de um escanteio. Franco Di Santo subiu sozinho e concluiu de cabeça.

Apesar do gol argentino, o fim do jogo se sugeria tranquilo ao Santos. O time seguia no comando e Felipe Jonathan quase marcou outro belo gol, em pancada de fora que Devecchi buscou no ângulo. Um problema desnecessário ao Peixe surgiu por causa de seu jogador mais talentoso. Já advertido com o amarelo, Marinho deu lugar a Lucas Braga aos 22 minutos e se recusou a cumprimentar Ariel Holan, saindo direto aos vestiários, antes de voltar ao banco. Mais acomodado, o Peixe também permitiu o empate do San Lorenzo. Com espaço, Ángel Romero bateu de longe e João Paulo saltou atrasado, falhando ao deixar a bola entrar no canto.

João Paulo, no entanto, se redimiu e seria essencial à classificação, evitando o pior no fim. O San Lorenzo ficava mais com a bola e tentava o milagre, precisando ainda de dois gols. Não exercia uma pressão tão sufocante, mas tinha novas oportunidades. João Paulo realizou uma defesaça aos 39, em cabeçada de Óscar Romero. Pouco depois, o próprio Óscar Romero mandou uma pancada de longe e de novo João Paulo salvou. O Santos sentia o momento e as alterações não surtiram tanto efeito quanto na ida. Ao menos, os alvinegros encaixaram alguns bons contragolpes no final e conseguiram um pouco de respiro. Antes do apito derradeiro, ainda assim, João Paulo realizou um verdadeiro milagre em cabeçada de Federico Gattoni e impediu a derrota no último lance.

O Santos estará no Grupo C da Libertadores, o mesmo de Boca Juniors, Barcelona e The Strongest. É uma chave que se promete difícil, especialmente considerando a tradição dos concorrentes. Se depois da vitória no Nuevo Gasómetro as impressões eram ótimas, desta vez o Peixe também deu sinais de preocupação. Os alvinegros não imprimiram uma intensidade tão alta e correram riscos por isso. Além disso, Ariel Holan não foi bem em suas escolhas ao longo da noite. A classificação vem, mas o resultado também demonstra que nada acontecerá num passe de mágica. Mesmo com um bom treinador e com várias promessas à disposição, os santistas têm suas vulnerabilidades e as oscilações podem acontecer neste início de projeto. Por sorte, não foram tão custosas no Mané Garrincha.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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