Libertadores

O Santos estreou na Libertadores com um jogo difícil, mas a nova leva de Meninos da Vila deu motivos para sonhar

O Santos atravessa um momento de transição, com a chegada de Ariel Holan, mas não tem muito tempo à adaptação. O Peixe já tinha uma decisão nesta terça, com o início de sua jornada nas fases preliminares da Copa Libertadores, tentando seguir seu impacto depois da louvável campanha de 2020. O Deportivo Lara foi um adversário mais indigesto que as expectativas na Vila Belmiro, fazendo um primeiro tempo duro e arrancando o empate. Mas a grande certeza dos santistas, que permitiu a vitória foi 2 a 1, é antiga no clube: os Meninos da Vila. Os nomes mudam, mas a garotada sempre aparece para garantir resultados essenciais aos alvinegros. E com um senso de responsabilidade imenso, apesar da inexperiência.

O Santos tinha desfalques importantes, como Marinho, Pará e Kaio Jorge. Até por isso, os garotos foram mais numerosos, mas a escalação repleta de novatos também indica a renovação e a confiança na base que será depositada por Holan. Sandry era até um veterano no meio-campo, considerando a precocidade de seus companheiros. Vinícius Balieiro aparecia na lateral direita e Kaiky acompanhava Luan Peres no miolo de zaga. Já na frente, enquanto Marcos Leonardo era outro mais conhecido no time principal, o ponta Ângelo carregava enormes expectativas, ao fazer maravilhas na base e ser pinçado com 16 anos.

Apesar de algumas chegadas iniciais do Deportivo Lara, o Santos tinha amplo domínio de bola, mas encontrava certas dificuldades na criação e pendia ao lado direito. Ângelo era quem aparecia e demonstrava grande maturidade, muito ativo, combinando sua habilidade com boas tabelas. A primeira chance nasceria por ali, com Marcos Leonardo completando o passe de peixinho e exigindo boa defesa do goleiro Luis Curiel aos 11. Os santistas continuaram apertando, com muita participação de Ângelo, mas problemas para converter a superioridade em chances. Lucas Braga ainda deixaria uma bola escapar na área, mas as finalizações eram raras.

O Santos tomaria mais sustos com o passar dos minutos. Sem que o zero saísse do placar, o Deportivo Lara se mostrou mais confiante para dar suas escapadas ao ataque. Luis Barrios mandou um chute desviado com perigo e João Paulo fez uma ótima defesa aos 33, espalmando uma falta de Jesus Bueno. Dentro de suas limitações, os venezuelanos montavam um sistema bem defensivo, com as linhas de marcação recuadas. Isso dificultava o passe final do Peixe e permitia os contragolpes.

Com o empate prevalecendo até o fim do primeiro tempo, o Santos voltou mais agressivo para a etapa final e conseguiu o gol aos cinco minutos. Sandry teve participação especial, ao abrir o caminho com um grande passe. Alison tentou cruzar e a zaga afastou parcialmente, até que Vinícius Balieiro mandasse a sobra para dentro. O Peixe só não comemorou muito, com o empate do Deportivo Lara no ataque seguinte. Depois de cobrança de escanteio, Ignacio Anzola aproveitou o cochilo da marcação e completou no segundo pau. O jogo seguia difícil aos santistas, ainda precisando superar um adversário aplicado taticamente.

O domínio permaneceu com o Santos, mas sem tanta efetividade. Soteldo não conseguia exercer tanta influência, mesmo sendo o principal nome em campo, e sua melhor jogada não teve continuidade na área. Pior, o Deportivo Lara teve um gol anulado aos 23. Anzola completou mais um escanteio às redes, mas houve impedimento no corta-luz antes que a bola entrasse. O alívio do Santos foi respondido com o gol da vitória aos 25, graças a mais um menino. Jean Mota cobrou escanteio e Kaiky, de 17 anos, cabeceou para dentro. Em seu primeiro jogo pela Libertadores, o zagueiro se tornou o mais jovem santista a marcar na competição.

Com a vantagem, o Santos pôde cadenciar mais o jogo e administrar o placar, à espreita do terceiro gol. Os alvinegros seguiram melhores, mas sem converter novas oportunidades. Lucas Braga mandou para fora quando poderia ter anotado o terceiro. Do outro lado, contudo, João Paulo deu um susto numa saída errada e Kaiky salvou. No fim, os paulistas permaneceram em cima. Curiel evitou um placar pior aos venezuelanos, pegando arremates de Lucas Braga, Jean Mota e Gabriel Pirani. A diferença no resultado não é tão confortável, mas o Peixe cumpriu sua parte num jogo difícil e com suas limitações.

O Santos jogará pelo empate na visita à Venezuela, durante a próxima semana. O Deportivo Lara não permite descuidos e os desfalques exigem mais dos alvinegros. De qualquer maneira, o saldo é positivo na Vila Belmiro. Se não necessariamente pelo futebol apresentado, foi pelos meninos que brilharam. A torcida santista ganha novos nomes para admirar, alguns já badalados desde a base. E as novas revelações não são uma surpresa, num trabalho excepcional feito pelo clube em suas categorias inferiores, e que pode aparecer mais nos próximos meses, seja pelas limitações financeiras ou mesmo pelo olhar de Ariel Holan.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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