Libertadores

O Santos até criou esperanças de início, mas sucumbiu no segundo tempo contra o Boca e sua situação piora

O Santos não precisou nem entrar em campo para iniciar sua semana turbulenta. A venda de Yeferson Soteldo foi confirmada, enquanto a saída de Ariel Holan soava como um golpe duro no planejamento do clube. O Peixe mal teria tempo para digerir as notícias, logo enfrentando seu compromisso mais difícil na fase de grupos da Libertadores, na visita ao Boca Juniors em La Bombonera. Os santistas tinham ótimas lembranças contra os xeneizes, em seu passado mais glorioso e também nas memórias mais recentes. Porém, a campanha passada já parece distante e a viagem à Argentina guardou um choque de realidade. Apesar de um bom primeiro tempo do Santos, o Boca ganhou por 2 a 0 e complicou mais a situação dos alvinegros em seu grupo.

Marcelo Fernandes substitui Ariel Holan interinamente no Santos e apostou numa formação mais básica, sem improvisações. A equipe ainda precisava confiar em muitos garotos, num elenco que não oferece tantas opções. Ainda assim, estava presente metade da base que levou o Peixe à final passada da Libertadores. No Boca Juniors, Miguel Ángel Russo também renova alguns setores, especialmente o meio-campo. O perigo maior se guardava no ataque, com a ótima fase de Sebastián Villa, acompanhado por Carlos Tevez e Cristian Pavón na linha de frente.

O Santos começou bem a partida na Bombonera. Parecia disposto a imprimir uma intensidade maior durante os primeiros minutos, para sair com a vantagem logo cedo. O Peixe marcava em cima e era mais agressivo em suas ações. Roubava bolas no campo de ataque, mesmo que isso não tenha gerado oportunidades tão claras. Parecia a equipe mais confortável na Bombonera, com o Boca levando um tempo até sentir o jogo e sair mais para o ataque. A partir dos 20 minutos, os xeneizes melhorariam.

Não era uma partida de muitas emoções, com as dificuldades dos times em criar bons lances. O Boca Juniors ficava mais com a bola, mas sem dar trabalho a João Paulo. Da mesma maneira, o Santos tinha suas válvulas de escape e se mostrava ligado, mas a defesa xeneize conseguia travar as investidas. O equilíbrio sugeria que o resultado poderia pender a qualquer um dos lados, mas a forma como os santistas conseguiam competir saía até melhor que a encomenda, considerando a semana bombástica. Foi só depois dos 40 que o Boca teve sua maior oportunidade, num chute forte de Pavón que João Paulo salvou.

A esperança do Santos ruiu logo aos dois minutos do segundo tempo, quando o Boca Juniors abriu o placar. Um desleixo defensivo após a cobrança de escanteio permitiu o gol dos xeneizes. Lisandro López desviou no primeiro pau e, graças às condições dadas por Marcos Leonardo, Tevez pôde concluir com liberdade. João Paulo tocou a bola, mas não evitou o tento. O Peixe ainda reclamou da jogada, num escanteio marcado erroneamente pela arbitragem. Era um banho de água fria enorme, com um velho problema nas bolas paradas. Os santistas ainda tentaram responder na sequência, sem muitas forças e sem criatividade, limitados a Gabriel Pirani. Kaio Jorge seria opção no lugar de Vinicius Balieiro aos 18.

Sem que o Santos atacasse com tanta contundência, o Boca Juniors aproveitou os espaços nos contra-ataques. Aos 24, a partida seria resolvida por Villa. Numa bola roubada a partir de um erro de Marinho, Tevez avançou e passou ao colombiano, que definiu na saída de João Paulo. Por mais que o Peixe tivesse uma postura propositiva, a afobação também batia e o time não resolvia seus ataques. Os visitantes ficavam mais com a bola, mas o controle era dos argentinos. As dificuldades eram claras e um trio de alterações aos 30, incluindo a entrada de Ângelo, não faria tanto efeito. Sem ideias, o Santos se limitaria a alguns chutes para fora no fim. Para piorar, Alison ainda recebeu o amarelo. Pendurado, não enfrentará o Strongest.

O Santos sofre a segunda derrota no Grupo C, depois da estreia ruim contra o Barcelona de Guayaquil. Os alvinegros ocupam a lanterna da chave. Já o Boca pode não convencer tanto, mas larga na liderança, com seis pontos. O complemento da rodada acontece nesta quarta, com a visita do Strongest ao Barcelona no Equador. Na próxima semana, será a vez dos bolivianos encararem o Peixe na Vila Belmiro.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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