Libertadores

O River Plate cresce e mostrou toda a velocidade de seu ataque para eliminar o Independiente

O River Plate é um dos times que mais evoluiu em relação à primeira metade da Libertadores. E não se trata de uma questão relacionada a reforços ao elenco, algo que não aconteceu em Núñez, diferentemente de outros concorrentes. Os méritos estão na maneira como o time de Marcelo Gallardo se azeitou nas últimas semanas, aproveitando melhor as suas peças. Algo reiterado nesta terça-feira, na qual os millonarios conquistaram a classificação às semifinais do torneio continental. Em um duelo difícil com o Independiente, os anfitriões não se desesperaram ao tomar o empate e mostraram o poder de destruição de seu ataque quando partia em velocidade. Ao final, asseguraram a vitória por 3 a 1, suficiente depois do empate sem gols em Avellaneda.

Um dos maiores trunfos do River Plate é a quantidade de opções de qualidade que o elenco possui. A rotação acontece naturalmente e anda até difícil escalar os melhores à disposição, já que são vários jogadores em boa fase. Há a afirmação de Nicolas de la Cruz e Exequiel Palacios; há a tarimba de Ignacio Scocco e Lucas Pratto; há o talento desequilibrante de Juan Fernando Quintero e Pity Martínez. Já nesta terça, o protagonista foi Rafael Santos Borré, um jovem atacante que chegou a Núñez como aposta e demorou a se firmar, mas tem demonstrado suas qualidades com uma frequência cada vez maior.

Depois do jogaço na ida em Avellaneda, o primeiro tempo teve um ritmo mais contido no Monumental. A torcida do River Plate realizou um recebimento fantástico, com fogos, faixas e papel picado. Mas era uma partida bastante pegada, com jogadores visivelmente tensos e algumas entradas ríspidas. A equipe de Gallardo foi melhor, tentando pressionar a bem armada defesa do Independiente, mas sem criar grandes perigos. E na melhor oportunidade de gol, o VAR pendeu ao time da casa, ao não ser utilizado. Javier Pinola deu uma solada em Benítez e deveria ter sido marcado o pênalti. Anderson Daronco não interpretou assim e os árbitros no vídeo deixaram o lance passar.

O duelo se abriu na segunda etapa. Sobretudo, porque logo no primeiro minuto o River Plate abriu o placar. Um contra-ataque de manual dos millonarios, com passes em progressão e ocupação de espaços com inteligência, em que Santos Borré passou a Scocco estufar as redes. Os anfitriões seguiam tentando ampliar uma diferença que ainda não era cômoda. Por isso mesmo, o gol do Independiente poderia ter um efeito devastador aos nove minutos. Emmanuel Gigliotti, que saíra do banco, fez grande jogada pela direita e bateu para o gol. Franco Armani não conseguiu segurar e entrou o presente nos pés de Silvio Romero, em bola que explodiu no travessão antes de entrar. Raro erro do ótimo goleiro.

Gallardo acionou o seu banco imediatamente. Tirou Pratto para a entrada de Quintero, um jogador de mais mobilidade, mais qualidade técnica e mais criatividade. O River Plate seguiu em cima e não demoraria a retomar a vantagem, justamente com o colombiano. Em ataque rápido aos 23, ele aproveitou uma sobra que veio mansa aos seus pés, avançou pela intermediária e, quando chegou na entrada da área, aproveitou o clarão da defesa para mandar no contrapé de Campaña. Sua qualidade técnica fica evidente na definição.

A necessidade do jogo levou os anfitriões a recuarem e permitiu que o Independiente saísse ao ataque. Era um claro momento de pressão. Que, ainda assim, o River aproveitaria. De la Cruz, outro que saiu do banco, puxou o contragolpe aos 39. Passou a Santos Borré, que cortou o seu marcador e bateu com categoria para tirar do alcance de Campaña. Nos acréscimos, o Rojo ainda acertou uma bola no travessão, com Jorge Figal – a terceira no confronto. Não alterou o placar e não evitou a despedida dos atuais campeões da Copa Sul-Americana. Obviamente, o incidente com o VAR poderia alterar completamente os rumos da partida, mas na saída de campo os jogadores derrotados reconheceram a superioridade dos adversários.

Uma grande festa tomou o Monumental. Havia uma grande comunhão entre jogadores e torcedores do River Plate. O momento é favorável e explica tamanha fé. Os millonarios possuem uma equipe competitiva, um bom goleiro e capacidade para variar seu ataque. Elementos em que, edições recentes da Libertadores, foram decisivos. A aparição do copeiro time de Marcelo Gallardo em sua terceira semifinal desde 2015 não é mero acaso e deixa os demais oponentes com a certeza que terão um concorrente bastante difícil em seu caminho na competição.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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