Libertadores

O River Plate aproveitou as circunstâncias em Montevidéu e virou uma máquina de gols nos 6 a 2 sobre o Nacional

O River Plate se agiganta rumo às semifinais da Copa Libertadores, com uma das vitórias mais categóricas dos mata-matas nos últimos anos. As circunstâncias beneficiaram os argentinos. Depois da vitória por 2 a 0 sobre o Nacional de Montevidéu em Avellaneda, os millonarios viram o caminho se abrir logo cedo nesta quinta, dentro do Gran Parque Central. Melhor jogador do lado uruguaio, o goleiro Sergio Rochet foi expulso com 16 minutos e tornou mais vulnerável um time com poucos recursos ofensivos, que precisava de uma grande reviravolta. Ainda assim, a equipe de Marcelo Gallardo impressionou por sua qualidade na criação e pela forma como foi impiedosa. Até deu bobeiras na defesa, mas massacrou por 6 a 2. Jorge Carrascal gastou a bola para a implosão do Bolso, enquanto Rafael Santos Borré queria mais no segundo tempo, com uma tripleta. Além deles, Nicolás de la Cruz deixou seu golaço, enquanto Matías Suárez e Gonzalo Montiel contabilizaram três assistências cada.

Retrancado em Avellaneda, o Nacional se mostrou disposto a fazer uma partida bem diferente em Montevidéu. Começou saindo mais ao ataque e Emiliano Martínez exigiria a primeira defesa de Franco Armani aos três minutos. Porém, o River Plate não se fecharia atrás. Por mais que o Bolso ficasse com a bola, os millonarios também davam suas escapadas e tinham velocidade nas transições. Os argentinos criaram dois lances de ataque, até que o jogo se moldasse aos 17. Numa saída de Rochet fora da área, o goleiro deixou a perna em Matías Suárez, para evitar o drible do atacante. Expulsão justa, que facilitou bastante ao time de Marcelo Gallardo.

O River aumentou a intensidade diante da vantagem numérica, buscando o gol que matasse o confronto. E o grande mérito dos millonarios na noite esteve em sua capacidade nas finalizações – bem diferente do que se viu na Argentina. O primeiro golaço saiu aos 27, com Carrascal. O colombiano arrancou após o passe de Matías Suárez e deu uma finta sensacional na marcação, antes de mandar a bola no ângulo. Gonzalo Bergessio tentou responder do outro lado, mas o River testava muito mais o goleiro Luis Mejía e ampliou aos 44. Foi outra pintura, agora de De La Cruz, também mandando a bola indefensável no ângulo. O Nacional pelo menos descontou antes do intervalo, em resposta rápida. Diante do cochilo da marcação, Carlos Cougo recebeu na área e bateu por baixo de Armani.

O Nacional precisava de quatro gols no segundo tempo. E a situação não demoraria a piorar. O River Plate voltou com tudo e anotou o terceiro logo aos quatro minutos. Matías Suárez completou mal o cruzamento, mas Bruno Zuculini estava presente na área para fazer mais um de carrinho. Santos Borré estava disposto a deixar o seu, com um tento anulado e uma bola na trave na sequência. Já aos nove, diante da trocação, o Nacional descontou de novo. Santiago Rodríguez tinha acabado de entrar em campo e puxou o contragolpe. Deu uma caneta belíssima em Paulo Díaz, batendo no contrapé de Armani. O duelo parecia aberto aos dois lados. Mejía salvou uma falta de De La Cruz e o Nacional ainda chegava, com direito uma cabeçada de Oliveros que pegou na trave.

Por fim, depois dos 20, a partida se transformou em recital de Borré e Montiel. O atacante buscava bastante o jogo, mas ainda não tinha balançado as redes. Guardou logo três, sempre em assistências do lateral. Numa boa troca de passes na área, Montiel cruzou para o colombiano escorar na pequena área aos 21. O segundo viria de um lançamento com mais distância, aos 27, de novo para Borré arrematar na área. Já no terceiro, aos 34, Montiel descolou seu passe mais bonito e achou o atacante no segundo pau, mandando para dentro. Se o River quisesse forçar um pouco mais, tinha qualidade ao sétimo. Já o Nacional saiu algumas vezes ao ataque, mas sem reduzir o tamanho da pancada.

O River Plate vinha de atuações mornas nestes mata-matas da Copa Libertadores. Teve o domínio das três partidas anteriores, mas sem necessariamente transformar a superioridade em muitos gols. Desta vez, o placar correspondeu ao domínio dos millonarios. É um time diferente em relação a outros tempos e não se vê uma equipe titular tão rígida. Mesmo assim, há muito talento à disposição e jogadores com capacidade de crescer – como o próprio Carrascal ou Julián Álvarez. Pelo quarto ano consecutivo, o time de Marcelo Gallardo chega às semifinais. E, ainda mais por esse jogo, merece respeito nos ótimos embates que se prometem contra o Palmeiras.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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