Libertadores

O Nacional dificultou ao River Plate, mas a persistência garantiu a vitória aos argentinos no segundo tempo

O River Plate cumpriu o favoritismo para largar em vantagem nas quartas de final da Copa Libertadores. A partida em Avellaneda não fugiu do roteiro esperado, embora os millonarios tenham encontrado mais dificuldades que o imaginado para se impor. O Nacional de Montevidéu se sustenta com um jogo defensivo, de poucos espaços atrás e raros contra-ataques para tentar garantir os gols. Assim, o time de Marcelo Gallardo sofreu para conseguir balançar as redes, mesmo com mais de 70% de posse de bola. Os argentinos perderam um pênalti e tiveram um gol bem anulado durante o primeiro tempo. A vitória por 2 a 0 só foi garantida na etapa complementar, com outro pênalti e um tento nos acréscimos que deixou dúvidas se era realmente legal.

Desde os primeiros minutos, o River Plate tomou o domínio da partida e trabalhou a bola no campo de ataque. Andava difícil destravar a defesa do Nacional, entrincheirada nos arredores de sua área. E os uruguaios, que jogavam por uma bola, pareciam propensos a consegui-la na metade inicial do primeiro tempo. O Bolso conseguiu a primeira finalização da noite, mesmo sem muita direção, e quase abriu o placar aos 27. Alfonso Trezza disparou pela direita e, quando Franco Armani saía em seus pés, cruzou para o meio da área. Porém, ninguém conseguiu completar.

Quando o Nacional parecia mais disposto a sair para o jogo, o River Plate cresceu e passou a atacar com mais eficiência. Os millonarios rondavam a meta de Sergio Rochet e exigiam algumas defesas seguras do goleiro, até que um pênalti fosse marcado aos 38, por falta em Matías Suárez. Rafael Santos Borré cobrou fraco e no meio do gol, facilitando a defesa de Rochet. Os uruguaios não se intimidaram e ainda tentavam igualar a partida, mas também concederam espaços para que o River contra-atacasse. Nos acréscimos, Matías Suárez pegou a defesa aberta e balançou as redes, mas o tento foi corretamente anulado por impedimento.

O River Plate voltou ao segundo tempo disposto a pressionar. Rochet se agigantou de novo, fazendo grande defesa aos dois minutos, ao parar com o pé o arremate de Santos Borré de frente para o gol. Os millonarios construíam melhor suas tramas, com boas trocas de passes e movimentação, mas falhavam nas finalizações e muitas vezes apelavam aos cruzamentos. Aos 14, Matías Suárez recebeu com liberdade na entrada da área e bateu raspando a trave. O desgaste, contudo, começaria a bater no Nacional e a marcação compacta cederia.

O primeiro gol da noite saiu aos 21 minutos, em pênalti marcado por toque de mão na área. Desta vez Gonzalo Montiel assumiu a cobrança e deslocou Rochet, sem desperdiçar a oportunidade. O Nacional se via sem muito poder de reação para tentar o empate. O River mantinha sua engrenagem rodando mesmo com as alterações e parecia mais preparado ao segundo, mesmo sem arriscar tanto. Matías Suárez era quem mais tentava, falhando bastante. Os tricolores ainda precisaram terminar a partida com um homem a menos, depois que Renzo Orihuela se lesionou e as cinco substituições tinham sido feitas. Sem uma peça na zaga, os uruguaios tomaram o segundo aos 50. Numa ótima construção, Julian Álvarez abriu com Suárez no segundo pau e o centroavante cruzou para Bruno Zuculini cabecear. As imagens davam impressão de impedimento, mas o VAR mesmo assim confirmou o tento.

O River Plate não atravessa seu momento mais consistente dos últimos anos, ainda que tenha um elenco recheado de opções. O time de Marcelo Gallardo consegue ter o controle das partidas, mas anda pecando bastante para defini-las. Mesmo assim, contra um adversário inferior, deu para abrir uma boa vantagem nas quartas de final. Até por aquilo que o Nacional tem apresentado, parece difícil de imaginar uma reviravolta no confronto. O Bolso pode até segurar o ataque millonario, mas não parece ter recursos ofensivos para recobrar o prejuízo no Gran Parque Central.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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