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O Libertad marcou logo cedo, moldou o jogo ao seu gosto e derrotou o Galo dentro do Mineirão

O Libertad não precisou de muito tempo para abrir o placar contra o Atlético Mineiro, foi mais perigoso na base dos contragolpes e se segurou bem na defesa pra vencer no Mineirão

A primeira rodada da fase de grupos da Copa Libertadores foi bastante dura a muitos clubes brasileiros, inclusive àqueles que entraram mais badalados na competição continental. E o Atlético Mineiro também sucumbiu em sua estreia, mesmo apoiado pela torcida no Mineirão. O Libertad era um adversário ardiloso e conseguiu moldar o duelo ao seu prazer. Um gol logo no início abriu o caminho para o Gumarelo, contra um Galo deficiente na hora de atacar. O suspenso Hulk fez muita falta e o time, depois de um primeiro tempo arrastado, sequer conseguiu o empate na base da pressa durante o segundo tempo. Os paraguaios voltam para casa com o placar de 1 a 0, premiados pela resiliência defensiva, num tropeço que gera pressão imediata aos atleticanos.

O Libertad estava mais ligado na partida durante os primeiros movimentos. Marcava a construção do Atlético Mineiro e tentava vislumbrar uma oportunidade na base da velocidade. Não demorou a acontecer, com o gol aos nove minutos. Um avanço rápido pela direita rendeu o tento. Héctor Villalba ganhou a dividida contra Otávio e avançou em velocidade, com um latifúndio na intermediária. Na entrada da área, então, a bola ficou solta e Diego Gómez chegou chutando para vencer Everson.

A partir de então, o Libertad se postou no campo defensivo. O Atlético Mineiro tentava uma resposta, mas encontrava dificuldades para abrir espaços e ainda corria o risco nos contragolpes. Não era uma atuação boa do Galo, não apenas pela maneira como o adversário tinha o jogo ao seu gosto, como também pelas dificuldades na criação. Uma batida torta de Pedrinho era pouco para a capacidade dos atleticanos. A equipe não arriscava e sentia falta da presença de Hulk.

O meio-campo era um problema ao Atlético Mineiro. Não construía e ainda cedia espaços aos contra-ataques. Os passes errados eram presenteados sucessivamente ao Libertad. E os paraguaios tinham avanços constantes, ameaçando inclusive o segundo. Alfio Oviedo e Diego Gómez erraram o alvo, enquanto Villalba ficou a um triz de balançar as redes. Num tiro cruzado aos 43, o ponta chutou rente à trave. A única chance concreta do Galo saiu pouco antes do intervalo, aos 45. Paulinho parou no goleiro Martín Silva e Patrick aproveitou a sobra, mas Alexander Barboza tirou quase em cima da linha. Foi uma primeira etapa frustrante aos atleticanos.

O Atlético retornou ao segundo tempo com Rubens e Zaracho, nos lugares de Dodô e Patrick. A equipe ganhou velocidade, mas o Libertad tentava controlar um pouco mais o ritmo. E o Gumarelo não deixava de buscar suas oportunidades, como numa batida de longe de Diego Gómez aos sete minutos, que forçou a defesa de Everson. Logo depois, Vargas teria muito espaço para invadir a área, mas se complicou sozinho e Paulinho acabou travado na hora da finalização. Já aos 13, uma má notícia para os paraguaios veio com a lesão de Diego Gómez, principal nome da equipe na noite, que precisou deixar o campo.

Novas mudanças eram necessárias no Atlético Mineiro. Elas aconteceram aos 18, com Igor Gomes e Isaac, saindo Otávio e Edenílson após apresentações ruins. O Galo ganhava mais projeção ofensiva. Porém, mesmo ficando o pé nos arredores da área, o time não caprichava no passe final. A defesa do Libertad continuava se segurando. Somente na altura dos 30 é que os atleticanos realmente se tornariam perigosos. O time se acendeu num chute venenoso de Mauricio Lemos, de longe, que deu trabalho a Martín Silva. Logo depois, no escanteio, a bola pipocou na área até a zaga afastar. Os mineiros queriam pênalti por toque de mão, mas a arbitragem ignorou.

Era o principal momento do Atlético na noite. O time finalmente tinha mais profundidade e buscava um desvio dentro da área, com a participação ativa do garoto Isaac. De qualquer forma, o desespero era maior que a eficiência. E o peso da ausência de Hulk continuava atormentando o time. O Galo não desistiu na reta final e os seis minutos de acréscimos davam uma sobrevida. Mesmo assim, os seguidos cruzamentos eram persistentemente afastados pela defesa do Libertad. E os paraguaios até conseguiram passar um tempo no campo de ataque, o que esfriou de vez os mineiros. Foi o passo derradeiro a uma celebrada vitória em Belo Horizonte.

O Atlético Mineiro parte na lanterna do grupo, depois do empate entre Alianza Lima e Athletico Paranaense. As chances de classificação ainda são muito grandes para o Galo, claro, mas o time sofre um golpe em suas pretensões. Precisará reagir da derrota em casa e, principalmente, terá que jogar muito mais do que se viu no Mineirão. Mais que o revés, o que incomoda os atleticanos foi a maneira como o time atuou. Esteve bem abaixo do que se pedia, até pela forma como pouco criou.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.
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