Libertadores

O Inter passou em primeiro, mas a façanha do grupo foi a insana goleada do Olimpia, que eliminou o Táchira no saldo

O Olimpia precisava golear por quatro gols de diferença e conseguiu enfiar 6 a 2 no Táchira em Assunção

O Internacional só perderia a classificação aos mata-matas da Libertadores com um desastre praticamente impossível e isso não aconteceu. Ainda assim, os colorados saíram frustrados com o empate por 0 a 0 diante do Always Ready no Beira-Rio, mesmo que tenha valido a liderança do Grupo B. Nada se compara, porém, à hecatombe do Deportivo Táchira. Os venezuelanos eram exatamente a principal ameaça à primeira colocação dos gaúchos e tinham, na rodada anterior, goleado os bolivianos por 7 a 2 – na maior vitória de seu país na história das competições continentais. Mesmo podendo perder por três gols de diferença para o Olimpia na visita a Assunção, o Táchira conseguiu ser eliminado. O Rey de Copas viveu uma das noites mais sensacionais de sua rica história na Libertadores. Os paraguaios golearam os aurinegros num insano 6 a 2 e, com um gol a mais no saldo, avançam às oitavas de final de forma épica. Aos venezuelanos, resta a consolação com a vaga na Sul-Americana.

O Olimpia entrou em campo sabendo o que precisava fazer. Com três pontos a menos que o Táchira, só a goleada por quatro gols ou mais interessava aos franjeados no Estádio Manuel Ferreira. Ainda assim, os olimpistas passaram sufoco de início. O goleiro Alfredo Aguilar precisou se agigantar para evitar o gol precoce dos aurinegros. Aos 25 minutos, o placar foi aberto pelo Rey de Copas. O capitão Richard Ortíz aproveitou a bola no alto e marcou de cabeça. Seis minutos depois, os paraguaios chegavam à metade do caminho. Hugo Quintana assinou uma pintura, ao enganar o goleiro Cristopher Varela e bater com calma às redes. Ainda assim, os anfitriões necessitavam de mais dois tentos.

O Olimpia seguiu apertando no segundo tempo e marcou o terceiro aos dez minutos, num pênalti convertido por Derlis González. No entanto, o Táchira reviveu aos 16. Lucas Trejo marcou de cabeça e recolocou os venezuelanos na parada. Os paraguaios voltavam a precisar de dois gols. A expulsão de Francisco Flores do lado aurinegro, aos 21, aumentava as chances do Olimpia. E o herói seria Isidro Pitta, que saiu do banco no fim do primeiro tempo para substituir um companheiro lesionado e anotou dois gols de oportunismo em sequência. Entre os 25 e os 26 minutos, as bolas sobraram na área para o atacante e iam dando a classificação aos alvinegros.

Mesmo com um a menos, o Táchira não estava morto. Os venezuelanos tentariam um último suspiro com Douglar Angarita, que aproveitou o cruzamento e fez o segundo de seu time aos 31. O placar de 5 a 2 voltava a exigir mais um gol do Olimpia. Aos 37, então, Richard Ortíz confirmou a dramática classificação. A bola sobrou na entrada da área e o capitão pegou na veia, mandando um míssil no cantinho do goleiro. Golaço que teria um significado ainda maior aos anfitriões. Sergio Otálvaro até seria expulso no fim, deixando o time da casa também com dez, mas os olimpistas não permitiriam a vaga escapar.

O Internacional fechou o Grupo B com dez pontos. Olimpia e Deportivo Táchira ficaram com nove. A diferença favorável aos paraguaios veio no saldo, -1 contra -3. Caso os olimpistas vencessem por três gols de diferença, porém, ficariam com saldo igual e número de gols anotados menor. Já o Always Ready terminou em quarto, com sete pontos. Os bolivianos até poderiam se meter na briga com uma vitória, mas ainda dependeriam de um placar por três gols de diferença para avançar às oitavas. Isso esteve longe de acontecer no Beira-Rio.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

Inter muito tentou, mas Lampe estava inspirado

Diante da situação tranquila, em que só seria eliminado com uma goleada sofrida por oito gols de diferença, o Internacional poupou Rodrigo Dourado e Moisés. Os destaques ficavam para Taison jogando mais centralizado, além de Thiago Galhardo acompanhado por Palacios na frente. Desde os primeiros minutos, o Inter tomou conta do jogo no Beira-Rio. E também não demorou para Carlos Lampe se tornar um personagem importante. Antes dos 15 minutos, o goleiro da seleção boliviana faria grandes defesas contra Saravia (num venenoso tiro de fora) e Galhardo (num chute rente à trave). Era um grande “ataque contra a defesa” o que se via no Beira-Rio, com o Inter martelando e os bolivianos tentando evitar outra humilhação como a da semana anterior diante do Táchira.

Miguel Ángel Ramírez até buscou mudar o posicionamento de seus jogadores, abrindo Taison e Palacios nas pontas. Todavia, o Inter batia a cabeça contra a parede, diante do enorme ferrolho do Always Ready para proteger a sua meta. Com o passar dos minutos, os colorados perderam o ímpeto e passaram a rodar a bola, sem forçar tanto Lampe. Do outro lado, os bolivianos mal conseguiam se aproximar da área adversária, com apenas uma finalização sem grande perigo em toda a primeira etapa.

O Inter precisava melhorar seu jogo no terço final e até colocou Mauricio no segundo tempo. Seguia sem acertar suas finalizações. Palacios tentaria sem precisão, antes de Saravia ser barrado por Lampe novamente. Quando o Always Ready finalmente chegou num contra-ataque, aos 19 da segunda etapa, Lomba estava atento e evitou o gol de Jhon Jairo Mosquera ao fechar o ângulo no mano a mano. Mas aquele susto foi uma exceção. Era o Inter que tinha a bola e arriscava, mesmo sem a intensidade necessária. O goleiro adversário brilhava, mas não que fosse uma grande apresentação dos gaúchos.

A partir dos 20 minutos, as mudanças foram mais frequentes no Inter. Lucas Ramos, Caio Vidal e Rodrigo Dourado foram para o jogo. Quem brilhava era Lampe, que faria sua defesa mais impressionante da noite aos 29, quando Taison bateu cruzado e o goleiro desviou no limite. Paolo Guerrero também viria a campo, mas sem gerar muito impacto. Os colorados seguiam travados e só nos acréscimos voltaram a acreditar na vitória tardia. Cuesta teve um gol anulado e Lampe, pela última vez, interviria para pegar um chute firme de Caio Vidal. O goleiro garantiu uma ponta de dignidade ao Always Ready, mesmo com a lanterna do Grupo B, enquanto o Inter saía insatisfeito. Ao menos, poderá refazer sua reputação na competição com a vaga nas oitavas.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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