Libertadores

O Galo acuou o Palmeiras por 60 minutos, mas os alviverdes ressurgiram e arrancaram um empate muito amargo aos atleticanos

O Atlético Mineiro fazia uma grande atuação até sofrer o primeiro gol, quando o Palmeiras ressurgiu para sair com um empate muito valioso

O Mineirão se preparou para uma grande noite de futebol, uma grande noite de Libertadores. O Atlético Mineiro queria sua revanche contra o Palmeiras e parecia pronto para isso. Ao longo do primeiro tempo, o Galo apresentou um futebol que andava em falta: veloz, ofensivo, intenso. Foram várias e várias chances perdidas, até que o gol surgisse num pênalti. Os palmeirenses estavam acuados e tomaram outra pancada logo na volta para o segundo tempo, com novo tento atleticano. Depois de 60 minutos duríssimo, porém, os alviverdes ressurgiram. Contavam com uma atuação excelente de Scarpa para liderar o time. E se valeram das bolas paradas, primeiro num desconto que já era bom, depois num empate nos acréscimos que saía como lucro. O placar de 2 a 2 vem com gosto de derrota pela oportunidade desperdiçada pelo Galo, enquanto enche o Palmeiras de confiança para o reencontro no Allianz Parque.

O Atlético Mineiro começou a partida com Everson no gol, protegido pela linha composta por Mariano, Nathan Silva, Junior Alonso e Rubens – o lesionado Guilherme Arana era a principal ausência. Jair e Otávio eram os volantes, com mais liberdade para Zaracho. Na frente, Ademir e Keno se aproximavam de Hulk. O Palmeiras começava com Weverton, Marcos Rocha, Gustavo Gómez, Murilo e Piquerez. Danilo e Zé Rafael resguardavam a linha de meias composta por Dudu, Veiga e Scarpa. José Manuel López era o homem de referência, enquanto Rony desfalcava os alviverdes.

O Atlético começou a partida com muito mais força. Os alvinegros eram mais agressivos com a bola e ameaçaram primeiro. Zaracho tentou de voleio, mas parou em Weverton, enquanto Hulk deu um chute forte para fora antes dos dez minutos. O Palmeiras não tinha a mesma chegada e dependia das bolas paradas. Foi assim que Everson precisou trabalhar pela primeira vez, numa bomba de Scarpa cobrando falta. Porém, a resposta do Galo não tardou e Zaracho também mandaria por cima.

O problema do Atlético Mineiro era a falta de calibragem nas finalizações. Os chutes não eram precisos. Quando a conexão entre Hulk e Keno começou a funcionar, o ponta não acertava os arremates. Foi num bolão de Hulk que Keno entrou em boas condições na área, mas isolou aos 15. Logo na sequência, a combinação se repetiu. Hulk voltava mais na organização e botou Keno nas costas da zaga. O atacante ficou cara a cara com Weverton, mas perdeu o equilíbrio e de novo desperdiçou a oportunidade. Mesmo a pressão palmeirense na saída de bola dos mineiros não adiantava.

Outra boa escapada do Atlético aconteceu aos 26. Júnior Alonso acionou Ademir, que bateu na linha de fundo e conseguiu o escanteio. A dificuldade do Palmeiras era tamanha que as faltas na intermediária também se tornaram um recurso para brecar o Galo. E o lamento seria maior aos 32, de novo com Ademir. Após outro voleio de Zaracho, o atacante pegou a defesa saindo depois de um escanteio e ficou sozinho com Weverton, carimbando o pé da trave. O clima ficava quente, com troca de empurrões entre Jair e Zé Rafael. Os alviverdes chegavam duro nas divididas.

O Palmeiras tinha um respiro ou outro nas bolas longas, em velocidade. Os lançamentos viravam um caminho, quando a equipe não conseguia trocar passes com eficiência pelo chão. E quase sai o gol alviverde antes, aos 39. Scarpa recebeu a bola na esquerda e cruzou. Everson desviou e Piquerez chutou no contrapé do goleiro para balançar as redes, mas um impedimento de Scarpa anulou a jogada. Foi o alívio do Galo. E, nos minutos finais que voltaram a ter uma pressão alvinegra, o Mineirão gritou mais forte aos 44, num pênalti cometido por Marcos Rocha em Jair. Hulk deu uma paradinha e bateu rente à grama, o suficiente para vencer Weverton, mesmo com o goleiro saltando no canto certo. O gol atleticano era bem mais condizente ao que foi o primeiro tempo.

Sem trocas para o segundo tempo, o Palmeiras sofreu o baque logo no primeiro minuto. O Atlético conseguiu ampliar num lance muito veloz. Keno acelerou pela esquerda e chegou até a pequena área. O cruzamento fechado passou diante da linha do gol e desviou no infeliz Murilo, que não teve o que fazer. A confiança no Mineirão se tornava maior. Inflamado pela torcida, o Galo não diminuiu o ritmo. Keno e Zaracho ameaçaram antes dos dez. Os palmeirenses estavam nas cordas.

O Palmeiras demorava para mexer e contava com atuações abaixo de alguns nomes importantes. Rafael Veiga era um deles. Mesmo assim, o meia arranjou uma falta na entrada da área. Foi a deixa para os palestrinos voltarem ao embate, aos 14. Scarpa cobrou no capricho e acertou o travessão. Dessa vez a sorte estava com Murilo, que se redimiu ao marcar o gol no rebote. A atmosfera era mais silenciosa, esfriando o Galo. A partida também reduziu a sua intensidade e passou a ficar mais concentrada na faixa central. Aos 23, Veiga deu lugar a Gabriel Menino, na primeira mudança palmeirense.

A partida ficava mais tensa. E era mais interessante ao Palmeiras, um pouco mais solto. Os alviverdes rondavam a área adversária com mais frequência, enquanto o Galo ficou sem Junior Alonso, substituído por Igor Rabello. Os palmeirenses voltaram a assustar aos 33, com Dudu mandando para fora. A sequência do duelo teria um caminhão de mudanças, para os dois lados. Eduardo Vargas e Nacho entraram nos lugares de Keno e Zaracho no Atlético. O Palmeiras apostava em Mayke e Navarro nas vagas de Marcos Rocha e López. Eram as cartas para melhorar a situação em minutos finais abertos.

Ainda era uma situação convidativa para o Palmeiras. Scarpa continuava sobrando como o melhor da equipe e, aos 38, deixou Dudu na cara do gol. O ponta pegou mal na bola e errou o alvo, numa chance claríssima. O Atlético sentia o desgaste e passava longe de seu melhor momento na partida. Aos 44, Alan Kardec e Pedrinho ainda entraram, com as saídas de Ademir e Hulk. E o gol de empate dos palmeirenses saiu nos acréscimos, de novo na bola parada com Scarpa. O escanteio fechado chegou no segundo pau, onde Dudu mergulhou de peixinho. Danilo, quase em cima da linha, ficou com a parte fácil de anotar. O Mineirão parecia estupefato. Restava pouco tempo para o Atlético tentar buscar o triunfo. Teve no máximo um escanteio, sem efeito.

A maneira como o Atlético Mineiro lidará com esse resultado será muito importante. Se por muito tempo o placar de 2 a 1 pareceu barato pela quantidade de finalizações do time, o empate em 2 a 2 é ainda pior. Faltou mais pontaria, enquanto a equipe caiu demais depois do primeiro gol alviverde. Entretanto, os atleticanos apresentaram armas para também acreditar num triunfo em São Paulo, se jogarem como na primeira etapa. Já o Palmeiras sai fortalecido no embate, mesmo com uma atuação no geral mediana. O time não estava bem, tomava sufoco e mesmo assim conseguiu mudar a história do jogo. Construiu pouco, mas se agarrou nas bolas paradas. E também na partidaça de Scarpa para precisar apenas de uma vitória simples na volta dentro de casa.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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