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O Fluminense botou o Strongest na roda, mas a vitória saiu magra – e isso quase custou caro no fim

O Fluminense teve grande atuação coletiva contra o Strongest no Maracanã, com ótimo toque de bola e algumas grandes participações individuais, mas só marcou um gol e correu o risco do empate nos acréscimos

A fase do Fluminense é excelente. As vitórias se emendam, com muita qualidade no futebol apresentado pelos tricolores. Nesta terça-feira, a equipe conquistou sua segunda vitória na fase de grupos da Copa Libertadores, agora para delírio da torcida no Maracanã. O placar de 1 a 0 acaba sendo magro pela superioridade do Flu diante do Strongest, mas de fato não foi a apresentação mais calibrada do time na hora de concluir as jogadas – e os cariocas correram o risco de tomar o empate nos acréscimos. Outras qualidades do Tricolor, de qualquer forma, estiveram visíveis. André, de tantas grandes atuações desde que se firmou no meio-campo, fez uma de suas exibições mais impositivas. Arias botou fogo pela ponta direita, enquanto Ganso tirou coelhos da cartola, o suficiente para servir o tento decisivo de Nino.

O Strongest até equilibrou um pouco as coisas nos primeiros dez minutos. Adiantou a marcação e teve um período de alternância. Porém, a dominância dos cariocas logo começaria no Maracanã, para fazer o jogo da equipe preponderar. O que se viu foi o toque de bola envolver os bolivianos logo cedo, com passes curtos que desmantelavam as linhas e aproveitavam os espaços especialmente pelos lados. A posse do Flu chegava na casa dos 80% e as primeiras finalizações surgiam. Germán Cano cabeceou para defesa de Guillermo Viscarra, antes de ter um gol anulado por impedimento aos 16.

O Fluminense não tinha receio de arriscar. Empilhava chances, mas faltavam apenas os detalhes para o gol sair. Cano furou num bom passe de Arias, enquanto Samuel Xavier parou em Viscarra. O tento parecia questão de tempo, mas não dava para o Tricolor se descuidar, especialmente depois que Fábio precisou trabalhar num cruzamento perigoso. E o time ainda perdeu Marcelo aos 30, substituído por John Kennedy. O substituto entrou com gás, logo participando de boas chegadas.

A defesa do Strongest parecia no limite, mas o abafa do Fluminense não rendia o gol mesmo assim. Foi necessário um pouco de paciência e também a cátedra de Paulo Henrique Ganso. O armador estava numa noite daquelas, fazendo qualquer passe de mágica parecer fácil. E seria de seus pés que nasceria o gol, aos 40 minutos. Ganso cruzou da direita e Nino entrou rasgando na área para cabecear no fundo da meta. De certa maneira, o tento tirava o peso da tensão.

Na volta do intervalo, o Fluminense continuou mandando na partida. Pecava na hora de arrematar, por mais que criasse bastante. Arias era um azougue pela direita. E era bom que os tricolores não se desligassem. Aos dez minutos, Álvaro Quiroga arriscou a batida do meio da rua e Fábio foi buscar a bola na gaveta. Defesaça do veterano. Foi um momento de mais perigo do Strongest, até que o Tricolor recuperasse o controle. Apesar disso, o goleiro Viscarra não era tão exigido.

A sequência do segundo tempo viu uma versão imperial de André. O volante impressionava pela maneira como dominava o meio-campo, com excelentes desarmes e escape ao time. Auxiliava Ganso a distribuir ótimos passes e Arias a bagunçar pela direita, mas sem que as jogadas tivessem o desfecho esperado. O grito do segundo gol continuava preso, por mais que as ocasiões dos tricolores se sucedessem. Cano tentou bastante, mas não estava em sua exibição mais precisa, mesmo que se apresentasse a todo momento. Samuel Xavier também carimbou a trave num lance anulado por impedimento.

Felipe Melo entrou no Fluminense aos 27, antes que Cano e Arias dessem lugar a Lelê e Gabriel Pirani. A sequência de ocasiões dos tricolores se reduziu neste momento, com as trocas, enquanto a torcida fazia muito barulho nas arquibancadas do Maracanã. Mas não dava para se esquecer do placar mínimo, e Fábio fez mais uma boa intervenção para espalmar uma bola cruzada no meio da área. E entre o que não acontecia na área ofensiva do Flu, quase o lamento se confirma do outro lado. Já nos acréscimos, Enrique Triverio foi acionado numa bola longa e saiu sozinho para balançar as redes. Todavia, a arbitragem marcou falta em Nino na disputa do atacante pelo alto antes do arrancar. Era uma decisão discutível, mas que salvava o bom futebol do Tricolor.

O Fluminense salta à primeira colocação isolada do grupo na Libertadores. São seis pontos e uma situação já tranquila. O Strongest fica com três pontos, depois do triunfo na estreia. A pressão agora recai sobre o River Plate, zerado, que recebe o Sporting Cristal nesta quarta-feira.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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