Libertadores

O Flamengo se inflamou no Maracanã e, com um grande primeiro tempo, assegurou a vitória sobre o Barcelona

Bruno Henrique e Gabigol mais uma vez se combinaram decisivamente, ainda que o time tenha ficado devendo com um a mais na segunda etapa

O Flamengo reiterou sua força na Copa Libertadores, com uma vitória que aproxima bastante a equipe da final continental. O Barcelona de Guayaquil inspirava certos cuidados e foi mesmo um visitante incômodo durante os primeiros minutos de jogo, exigindo defesas de Diego Alves. Porém, não demorou para que os rubro-negros tomassem conta da partida e construíssem mais um triunfo contundente. O entendimento de Gabigol e Bruno Henrique fluiu por telepatia, rendendo dois gols no primeiro tempo. Já na segunda etapa, com um jogador a mais durante boa parte do tempo, o Fla acabou diminuindo o ritmo e manteve o placar em 2 a 0 – desperdiçando a chance de encaminhar mais sua situação. Uma atuação que arrancou muitos aplausos no Maracanã, com público parcial, mas ambiente intenso ao longo da noite.

Renato Gaúcho tinha como grande novidade na escalação a estreia de David Luiz, acompanhando Rodrigo Caio no miolo da zaga. Mauricio Isla foi mantido na lateral direita, com Renê substituindo o ausente Filipe Luís. No meio, Andreas Pereira e Willian Arão compunham a cabeça de área. Vitinho ocupava a vaga de Arrascaeta, com Everton Ribeiro e Bruno Henrique completando a trinca de meias, além de Gabigol no ataque. Do lado do Barcelona, as maiores atenções ficavam ao meia Damián Díaz, além de Emmanuel Martínez e Adonis Preciado representando as principais ameaças nas pontas. Fabián Bustos apresentaria uma equipe bem montada e dinâmica, por mais que fosse tecnicamente inferior.

Empurrado pela torcida, o Flamengo começou a partida no abafa. Colocava-se no campo de ataque e tentava apertar os adversários, forçando os erros. No entanto, os rubro-negros dependeriam de um milagre duplo de Diego Alves para não sofrer o primeiro gol aos sete minutos. Após cobrança de escanteio, Gonzalo Mastriani emendou a chicotada na sobra e o goleiro buscou no cantinho. O rebote ainda ficou com Preciado, que bateu de primeira, mas Diego se recuperou rápido e também salvou. A resposta do Fla viria com Everton Ribeiro, mas Javier Burrai estava bem posicionado e nem deu rebote.

Embora um pouco perdido de início, o Barcelona demonstrou que a pressão não incomodava tanto. Os equatorianos também recuperavam bolas no campo de ataque e, numa dessas, Isla precisou dar um carrinho providencial na área. Já aos 11, Diego Alves faria mais uma defesaça, em pancada cruzada de Byron Castillo. O momento era dos amarelos, que ainda teriam uma batida de Nixon Molina muito próxima da trave. Não à toa, Diego Alves disse sentir dores ao saltar, para ganhar um respiro aos rubro-negros. Já aos 16, Burrai também operou seu milagre. Numa roubada de bola, Everton Ribeiro chutou com desvio e o goleiro pegou no contrapé, antes que Bruno Henrique mandasse a sobra para fora.

Diante do ritmo frenético da partida, era natural que o primeiro gol logo viesse. Foi do Flamengo, aos 22 minutos. Gabigol saiu da área para receber a bola e deu um cruzamento perfeito, com curva, para o segundo pau. Bruno Henrique entrou de frente para o gol e arrematou de cabeça, garantindo a explosão do Maracanã. O gol não abalaria muito o Barcelona, que continuou saindo para o jogo e aproveitando a desorganização rubro-negra atrás. Quase o empate surgiu aos 26, numa bola bem ajeitada por Preciado, que Mastriani chutou de bate-pronto e mandou muito perto da trave.

Os minutos seguintes ficaram mais disputados na faixa central, com posse do Flamengo. Quando os rubro-negros conseguiram encontrar uma brecha na marcação do Barcelona, quase a combinação do primeiro gol se repetiu para o segundo. Aos 34, Gabigol escapou pela esquerda e cruzou da linha de fundo. Bruno Henrique saltou mais que a marcação e cabeceou no travessão. E Andreas Pereira também ficou a um triz de marcar um golaço dois minutos depois, em pancada de longe que beliscou o travessão. O momento era dos anfitriões, que aproveitaram um contragolpe para ampliar aos 38. Everton Ribeiro lançou Gabigol, que abriu com Vitinho na direita. Com a defesa aberta, o camisa 11 rolou para Bruno Henrique concluir à meta escancarada. Bela trama.

Mesmo sem novos gols, o Flamengo ditou o ritmo do baile até o intervalo, arriscando algumas jogadas de efeito. O Barcelona não conseguia mais se achar no jogo e perdia muitas bolas no meio do campo. No máximo, tentou ameaçar numa cobrança de escanteio, que Diego Alves afastou de soco. E o que já era ruim o suficiente ficou pior aos equatorianos nos acréscimos. Molina cometeu uma falta dura em Bruno Henrique, recebeu o segundo amarelo e foi expulso. Os Canários teriam que suportar o segundo tempo com apenas dez homens em campo.

Fabián Bustos preferiu recompor a cabeça de área com Michael Carcelén, mesmo que precisasse sacar o maestro Damián Díaz. Com dez jogadores, o Barcelona partiu para cima durante os primeiros minutos do segundo tempo. E, depois de um escanteio, a bola pipocou na área até Carcelén arrematar no canto. Diego Alves apareceria decisivamente de novo, com sua quarta grande intervenção na noite. Contudo, bastou uma escapada para o Flamengo representar sua força do outro lado. Em cruzamento de Isla, Vitinho cabeceou e a zaga salvou em cima da risca. Andreas Pereira ainda mandou um míssil no rebote, muito perto do travessão, mas para fora.

Com o passar dos minutos, o Flamengo controlava mais o jogo, esperando o momento para dar suas estocadas. Gabigol arrancaria pela esquerda e, com pouco ângulo, chutou em cima de Burrai. Depois, seria a vez de Vitinho cabecear para nova defesa do goleiro. Aos 13 minutos, Renato gastou suas duas primeiras substituições: sacou David Luiz e Vitinho, para as entradas de Léo Pereira e Thiago Maia. O Fla continuava rondando o gol e via o Barcelona se desdobrar para evitar o terceiro. Bruno Henrique chegou a engatilhar a tripleta, mas acabou bloqueado na hora exata. Do outro lado, quando Mastriani chutou de fora, Diego Alves voou para agarrar.

O Barcelona teria algumas bolas paradas por volta dos 20 minutos, mas bastou um lance para o Flamengo ser novamente mais perigoso. Renê cruzou e Gabigol apareceu com espaço na área, cabeceando para fora. Ainda assim, os rubro-negros não sobravam como se esperava depois da expulsão, com uma postura aguerrida dos equatorianos mesmo em inferioridade numérica. Num ritmo mais baixo, o Fla errava muitos passes e perdia a bola rapidamente. Quando uma tabelinha finalmente deu certo, aos 34, Burrai saiu nos pés de Gabigol para se antecipar ao risco. Ao menos, a defesa carioca não tomava sufoco.

Renato mexeu de novo aos 35, com Michael e Matheuzinho nos lugares de Bruno Henrique e Isla. Também viria Pedro no posto de Andreas Pereira, com o time redesenhado num 4-4-2. Todavia, quando tinha mais presença de área e poderia forçar em busca do terceiro gol, o Flamengo também ficou com dez aos 43. Num lance desnecessário antes de cobrança de escanteio, Léo Pereira deu uma cotovelada no queixo do zagueiro Luis Fernando León e recebeu o vermelho direto, justificadamente. Com as cinco alterações feitas, Willian Arão passaria à zaga. Os acréscimos teriam tentativas de ambos os lados, mas sem continuidade. A vitória por dois gols de diferença se consumou.

O Flamengo vai reencontrar o Barcelona em situação favorável no Estádio Monumental Isidro Romero Carbo. Os rubro-negros poderão perder por um gol de diferença e, se balançarem as redes pelo menos uma vez, os Canários precisarão ganhar por uma vantagem de três tentos. Montevidéu pode entrar de novo na rota dos flamenguistas, exatamente 40 anos depois da conquista do primeiro título continental sobre o Cobreloa naquele mesmo Estádio Centenario.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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