O Flamengo destranca o Corinthians em Itaquera e larga com uma ótima vantagem no duelo
O Flamengo realizou um segundo tempo excelente, depois que a boa marcação do Corinthians vista nos primeiros minutos da partida se desmanchou
Corinthians e Flamengo prometiam um duelo enorme pelas quartas de final da Libertadores, mas os rubro-negros eram favoritos pelo futebol apresentado nas últimas semanas. Dentro da Neo Química Arena, a capacidade da equipe de Dorival Júnior se provou com um ótimo placar na partida de ida, para já construir uma vantagem de 2 a 0. Os corintianos até faziam um primeiro tempo eficiente, com muita força na marcação e mais chances geradas na primeira meia hora. Porém, a saída de Maycon pesou, enquanto Arrascaeta abriu o placar. Já na segunda etapa, o plano de Vítor Pereira para sair ao ataque não deu certo e, com os adversários expostos, Gabigol ampliou. A metade final do jogo seria mais elétrica, mas com um controle inquestionável do Fla e também bem mais oportunidades para dilatar o marcador. Foram 45 minutos finais maiúsculos dos visitantes. A situação já favorece bastante rumo ao reencontro no Maracanã.
O Corinthians entrou escalado num 4-3-3. Cássio era o goleiro, protegido pelo quarteto formado por Fágner, Bruno Méndez, Fabián Balbuena e Lucas Piton. A trinca central reunia Cantillo, Du Queiroz e Maycon. Já na frente, Gustavo Mosquito e Adson atuavam abertos, com Yuri Alberto na referência. O Flamengo vinha com a escalação repetida normalmente nas últimas semanas, sem mudanças. Santos estava no gol, resguardado por Rodinei, David Luiz, Léo Pereira e Filipe Luís. O meio contava com Thiago Maia, João Gomes e Everton Ribeiro, além de Arrascaeta na aproximação. Na frente, Gabigol e Pedro se combinavam.
Os primeiros minutos de jogo viram uma marcação muito forte do Corinthians no campo de ataque. Os alvinegros pressionavam a saída do Flamengo e forçavam os erros. Foram três passes defeituosos em sequência para a primeira chance da noite, com Gustavo Mosquito, em boa defesa de Santos. No escanteio, Maycon bateu para fora. Os rubro-negros giravam os passes, mas sem tanta penetração no início. Os corintianos marcavam com linhas muito próximas, o que bloqueava a movimentação do ataque flamenguista. Já no ataque, os alvinegros tentavam a velocidade pelas pontas. Chegaram a ter cruzamentos perigosos.
O Flamengo construiu sua primeira boa jogada da noite pelo meio, aos 17. Arrascaeta pegou a defesa do Corinthians bagunçada e aproveitou para lançar Pedro. O centroavante foi atrapalhado por Fágner na hora de chutar, antes que Cássio abafasse a bola em seus pés. A situação para os alvinegros ficou pior com a lesão de Maycon, substituído por Fausto Vera. O Fla seguia mais tempo com a bola, mas não com a mesma objetividade dos oponentes. Os corintianos voltaram a assustar em duas finalizações travadas na área aos 27. Quem aparecia um pouco mais no Flamengo era Everton Ribeiro, o principal responsável por tentar abrir a marcação. Mas não estava fácil, quando a equipe errava passes curtos e também inversões. O lado esquerdo não funcionava.
Arrascaeta carimbava as jogadas mais agudas do Flamengo. Aos 33, o uruguaio tentou surpreender Cássio num chute de fora, mas o goleiro segurou firme. O primeiro gol rubro-negro sairia com o meia, aos 37, com um antídoto parecido ao usado pelo Corinthians: a marcação forte no campo de ataque. Arrascaeta bloqueou o passe de Cantillo e a bola espirrou no cotovelo de João Gomes, antes de sobrar de novo para o uruguaio. O armador foi brilhante na definição, com o domínio rápido e uma batida colocada direto no ângulo, passando longe de Cássio. Os alvinegros reclamavam do toque não marcado. A reta final do primeiro tempo seria mais arrastada, com os corintianos tentando sair mais, sem sucesso. O Fla administrava.
O Corinthians saiu dos vestiários mais ofensivo, mas sem uma peça essencial na proteção do meio-campo. Giuliano e Roger Guedes entraram, com Cantillo e Adson indo para o banco. A equipe já propunha mais o jogo no campo de ataque, mas estava exposta na defesa. Isso teria seu preço muito rapidamente, aos seis minutos, com o segundo gol do Flamengo. Rodinei teve ótima participação no lance, ao puxar o ataque pela direita e quebrar a marcação, superando Giuliano. Acionou Gabigol, que dominou com espaço na entrada da área e engatilhou o chute cruzado. A bola beijou a trave de Cássio antes de entrar.
A resposta do Corinthians surgiu num chute de Roger Guedes, que Santos pegou. O cenário favorecia o Flamengo. Os alvinegros subiam para o campo de ataque, mas estavam vulneráveis. Os rubro-negros podiam acelerar. Everton Ribeiro teria um chute mascado para fora, enquanto Piton demorou para bater quando surgiu uma fresta dentro da área, após boa troca de passes. Era uma partida mais aberta. O Fla forçava os erros e David Luiz teve duas finalizações, primeiro de cabeça e depois de chapa. Cássio pegou ambas. Quando Roger Guedes avançou no contragolpe, mandou ao lado da trave. Depois de um primeiro tempo morno, o segundo era bastante animado.
Mais uma mudança no Corinthians veio aos 18, com Giovane no lugar de Mosquito. O efeito não seria imediato, mas os alvinegros passaram a encarar a última linha do Flamengo um pouco mais. Roger Guedes ia bem nas tabelas, o que gerou um tiro para fora de Du Queiroz. Logo os rubro-negros trocariam no meio, com a participação de Vidal no posto de João Gomes aos 28. Os cariocas retomaram o controle e se reposicionaram no ataque, com paciência para rodar os passes. E a equipe voltou a martelar. Rodinei foi ousado numa batida de canhota para fora. Depois, Arrascaeta botou para Vidal, travado providencialmente dentro da área. Aos 34, os corintianos tentaram reajustar o meio e Du Queiroz deu lutar a Roni.
O Corinthians não indicava muitas forças para mudar o cenário nos dez minutos finais. Roger Guedes buscava um pouco mais o jogo, sem continuidade. Quando Santos foi exigido, não teve problemas para encaixar um chute de longe tentado por Roni. O controle estava nas mãos do Flamengo. Aos 42, os rubro-negros fizeram três mudanças, com as entradas de Victor Hugo, Lázaro e Everton Cebolinha. Os corintianos sequer pareciam acreditar no gol para diminuir a diferença e ficaram mais suscetíveis ao terceiro. Quase surgiu em outro ótimo lance de Rodinei, que cruzou para Cebolinha desviar ao lado do poste aos 44. Cássio também seria importante ao pegar um chute de Victor Hugo nos acréscimos. O amargor corintiano era inegável, mas ainda com seu alívio pelo risco de que poderia ter sido pior.
A missão do Corinthians no Maracanã será hercúlea. Precisará sair para o jogo, com o risco óbvio de se expor aos contra-ataques do Flamengo. Ainda terá uma grande pressão nas arquibancadas, o que torna a situação ainda mais delicada. Por bola recente, o Flamengo já estava um passo à frente. E isso se confirmou mesmo quando a situação poderia ser adversa em Itaquera. Depois de um começo difícil, a equipe se soltou e o talento apareceu, sobretudo de Arrascaeta. Foi um senhor segundo tempo dos rubro-negros, no geral. É um time com muitos recursos, e que vira candidato aos títulos quando a engrenagem volta a rodar tão bem, como consegue Dorival Júnior.
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