Libertadores

O Flamengo contou com heróis redimidos para vencer na Colômbia, mesmo diante do sufoco causado pelo Tolima

Andreas Pereira anotou um golaço, Léo Pereira foi praticamente impecável na zaga e o Flamengo saiu com a vitória apesar da pressão sofrida em vários momentos

“Os humilhados serão exaltados” é uma máxima que, nesta quarta-feira de Libertadores, faz total sentido para o Flamengo. Os rubro-negros enfrentaram uma partida dificílima na Colômbia e sofreram com a pressão do Deportes Tolima em vários momentos. Porém, a vitória por 1 a 0 aconteceu graças a alguns jogadores tantas vezes criticados. Para começar, o autor do gol foi Andreas Pereira. O meio-campista, naquela que pode ser a última aparição pelo clube, anotou um golaço de fora da área. Tornou-se providencial no bom início do Fla. Com o passar dos minutos, outros antigos vilões se tornaram heróis de ocasião para segurar o sufoco. Léo Pereira fez uma partidaça na zaga e até Rodinei merece seus elogios. O triunfo vale demais antes do reencontro no Rio de Janeiro, para decidir quem vai às quartas de final.

O Flamengo lidava com uma série de desfalques e, até por isso, o resultado seria tão importante. O meio-campo alternativo tinha Diego Ribas, Thiago Maia e Andreas Pereira, com Gabigol acompanhado por Everton Ribeiro e Arrascaeta na frente. Sequer Dorival Júnior ficou à beira do campo, punido pela Conmebol. Já o Tolima, tentando se refazer do vice no Apertura Colombiano, trazia uma escalação com boas alternativas ofensivas. Jeison Lucumí e Luis Miranda, em especial, demandavam atenção na ligação.

O Flamengo agradou nos primeiros movimentos do jogo. Ficava mais com a bola e procurava os espaços. Num cruzamento de Rodinei, Arrascaeta desviou para fora e garantiu a primeira boa chegada. Depois, seria a vez de Everton Ribeiro mandar por cima do gol. Os lances pelo lado direito fluíam, com boas combinações. Porém, aos sete minutos, o Tolima teve um gol anulado. Juan Fernando Caicedo recebeu de Jeison Lucumí, mas estava um passo adiantado e o bandeira assinalou o impedimento, depois confirmado pelo VAR. Os Pijaos começavam a aparecer mais e Caicedo também exigiu defesa de Santos em chute de fora.

O primeiro gol, entretanto, premiou a postura ativa do Flamengo. E seria uma redenção para o tão criticado Andreas Pereira, aos 17. Em nova jogada pela direita, a zaga do Tolima não afastou por completo e a sobra ficou com o meio-campista. Andreas preparou o chute e bateu com muito veneno, mandando no ângulo do estático Alexander Domínguez. A comemoração seria explosiva, tirando a camisa e correndo para o banco de reservas para abraçar os companheiros. Apesar da motivação, os rubro-negros precisariam se preparar para os momentos difíceis que estariam por vir na sequência do primeiro tempo.

O Tolima precisava de uma resposta e atacava em ritmo alto. Santos precisou aparecer aos 21, num chute sem ângulo de Luis Miranda. Rodinei ainda afastou o rebote. O Flamengo tinha dificuldades na saída de bola e o sufoco aumentava, com a blitz dos colombianos. Lucumí era quem mais incomodava com sua movimentação. Já o maior susto veio aos 29. Santos saiu jogando errado e deu a bola nos pés de Brayan Rovira. Por sorte, Léo Pereira salvou quase em cima da linha, antes que Caicedo errasse o calcanhar no rebote.

Levou algum tempo para que o Flamengo voltasse a respirar e a atacar. Os rubro-negros teriam alguns escapes, mas Lucumí de novo causaria alvoroço num tiro pelo lado de fora da rede, aos 39. O Tolima apresentava mais consciência de seu jogo, enquanto o Fla se via exposto, sobretudo pelos erros sucessivos num meio-campo remendado e os problemas na recomposição. A defesa carioca precisava se manter atenta. Mais para o fim, Everton Ribeiro e Andreas Pereira tiveram espaços na área, em arremates que foram frouxos. Gabigol até conseguiu aparecer um pouco mais, mas era um primeiro tempo apagado do centroavante no geral.

O segundo tempo se tornou mais faltoso, com lances mais pegados. Gabigol chegou até a se desentender com Léider Riascos, ambos tomando o amarelo após se peitarem. Mas era o Tolima quem seguia com uma maior participação com a bola. Muitos lances fluíam pelas pontas. A primeira troca do Fla ocorreu aos 12 minutos, com Ayrton Lucas no lugar de Diego Ribas para fechar melhor o lado esquerdo. Os rubro-negros voltaram a ocupar mais o ataque, mas o time rodava a bola e não penetrava. O Tolima logo acionou Daniel Cataño, vaiado em sua entrada após desperdiçar um pênalti e ser expulso na final do Apertura Colombiano perdido no domingo.

As alterações tentavam dar uma nova cara ao jogo aberto. O Flamengo ganharia aos 22 as incursões de Lázaro e Marinho, nas vagas de Everton Ribeiro e Filipe Luís. Já no Tolima, Michael Rangel ocupava o lugar de Caicedo no comando do ataque. Os colombianos permaneciam rondando e se movimentando melhor, mas sem espaços para engatilhar os chutes. Léo Pereira faria algumas ações cirúrgicas para bloquear os Pijaos. Depois dos 30, o Flamengo encaixou alguns contra-ataques, mas seguia com problemas para finalizar. O Tolima, de qualquer forma, também não oferecia tantas ideias.

Aos 38, Matheuzinho e Pedro foram as duas últimas trocas do Flamengo, saindo Rodinei (outro em exibição acima da média) e Gabigol. A partida poderia pender a qualquer um dos lados, a esta altura. Lucumí pegou mascado e parou em defesa de Santos, enquanto Pedro e Lázaro tiveram suas oportunidades do outro lado, mas sem eficiência. Já na reta final, o Tolima partiu para o desespero e insistiu no chuveirinho. Foram alguns cruzamentos perigosos, com direito a um chute de Lucumí da entrada da área que Santos pegou. O Fla, todavia, também poderia ter guardado o segundo antes do fim. Arrascaeta serviu Pedro, que finalizou com desvio e viu a bola sair ao lado da trave. Pelo que foi o jogo, mesmo assim, o flamenguista não reclamava do placar.

O Flamengo teve vários problemas, muitos deles já conhecidos. A equipe foi lenta em tantos momentos e dependeu mais da felicidade individual de alguns jogadores do que de um plano coletivo. Mas o resultado na Colômbia supera as preocupações e garante uma vantagem importante antes do reencontro no Maracanã. Dentro de casa, a pressão será favorável aos rubro-negros para consumar a classificação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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