Libertadores

O Flamengo conquistou a classificação, mas o sofrido empate com a LDU gerou mais debate que satisfação

O resultado foi condicionado por uma expulsão aos 15 minutos, mas ainda assim o Flamengo errou mais que o esperado

O Flamengo flertou com a derrota nesta quarta, como em suas piores noites em Libertadores passadas. A situação parecia encaminhada aos rubro-negros no Grupo G antes que a bola rolasse no Maracanã, fruto da ótima largada da equipe fora de casa. Desta vez, um empate bastaria contra a LDU Quito para selar a classificação antecipada às oitavas de final. Porém, seria uma noite em que muita coisa daria errado ao Fla. Escolhas ruins na escalação, uma expulsão logo de cara e os repetidos erros defensivos pareciam deixar a equipe à beira da derrota. Apesar disso, o resultado sofrido viria. Com um gol na marra de Pedro e outro garantido por Gustavo Henrique no apagar das luzes, saiu o empate por 2 a 2. O ponto conquistado bastou para o avanço aos mata-matas. Ainda assim, a atuação gera seus questionamentos por decisões e falhas recorrentes.

O Flamengo poupou jogadores, numa escolha discutível que parecia priorizar a final do estadual – o que Rogério Ceni depois negou. O treinador entrou com uma formação que parecia experimental. Gabriel Batista era o goleiro, com Gustavo Henrique, Bruno Viana e Léo Pereira entre os zagueiros. Willian Arão voltava ao meio, com Vitinho aberto na esquerda. Enquanto isso, Gabigol e Pedro formavam a dupla de ataque. Não era a escalação que inspirava maior confiança, até pelas deficiências dos três zagueiros. Léo Pereira surgia mais como um lateral pela esquerda, na vaga de Filipe Luís, o que liberava Matheuzinho para avançar na direita.

A LDU Quito teria a primeira chegada perigosa, num chute de longe de Luis Amarilla, que passou perto do travessão. Dominante nos primeiros minutos, o Flamengo respondeu rapidamente, quando Gerson avançou com espaço pela direita e chutou firme para acertar a trave do goleiro Adrián Gabbarini. Só que mal deu para entender a ideia de Rogério Ceni, quando Willian Arão foi expulso com apenas 15 minutos. O meio-campista ergueu demais o pé e pegou em cheio o rosto de Amarilla, recebendo o merecido cartão vermelho. Com isso, Everton Ribeiro recompôs o meio por um tempo, até que João Gomes entrasse aos 25 minutos.

Apesar da inferioridade numérica, o Flamengo não passava necessariamente apuros. E acabou achando o primeiro gol aos 32. Depois do cruzamento de Matheuzinho, a bola ficou viva na área. Pedro ganhou na força entre os zagueiros e conseguiu bater por baixo do goleiro, mesmo abafado. Gols de centroavante, que parecia aliviar a pressão sobre o Fla. Só parecia, porque a LDU empatou três minutos depois. Na sequência de um escanteio, Jordy Alcivar teve muito espaço para cruzar e Franklin Guerra subiu para cabecear às redes. Mais uma vez, a zaga vacilava num lance pelo alto. Ainda quase saiu a virada com Amarilla, que mandou para fora. Antes do intervalo, porém, Gabbarini também faria boa defesa contra Léo Pereira.

Na volta para o segundo tempo, Rogério mudou duas vezes. Bruno Henrique entrou no lugar de Gabigol e Ramon encerrou o improviso de Léo Pereira. Ramon quase marcou o gol num cruzamento fechado, que Gabbarini se desdobrou para espalmar. O Flamengo melhorava e parecia ainda ter mais capacidade para conseguir a vitória com dez. As deficiências atrás, porém, não permitiam muitas certezas. Aos 15, a LDU virou. Adolfo Muñoz cruzou, Amarilla ajeitou com o peito e Jhojan Julio fez bela jogada, ao tirar de Bruno Viana antes de fuzilar. Os equatorianos pareciam forçar um drama no Maracanã.

O Flamengo teria Diego e Arrascaeta logo na sequência. A LDU passou a se fechar na defesa para travar os rubro-negros, também gastando um bocado de tempo para arrancar a vitória que seria fundamental à sua sobrevivência. A situação dos cariocas era mais difícil com um a menos, ainda que o Fla martelasse. Pedro pararia na marcação, antes de Gabbarini fazer bela defesa contra Matheuzinho. Mesmo assim, não era o jogo mais agressivo do setor ofensivo.

Havia ainda uma clara tensão, com os jogadores se estranhando e muitas faltas. A arbitragem não ajudava, sem muitos critérios e até errando um cartão amarelo, mostrado a Bruno Henrique em vez de Ramón, o que tirará o atacante do próximo jogo. E a derrota parecia se encaminhar diante da falta de lances claros, até que o gol de empate saísse aos 43. Arrascaeta cobrou falta no limite da área, Gustavo Henrique cabeceou e Gabbarini não chegou a tempo. Neste momento, a igualdade já era lucro aos flamenguistas. Acabaria assim, com o resultado necessário, mas mais queixas que satisfação entre os cariocas.

Classificado, o Flamengo chega aos 11 pontos e permanece na liderança do Grupo G. Quem também avança é o Vélez Sarsfield, que bateu o Unión La Calera por 2 a 1 e chegou aos nove pontos, sem poder ser ultrapassado pela LDU. Na última rodada, brasileiros e argentinos decidem a liderança no Maracanã. Momento para os rubro-negros tentarem baixar a poeira. Que o empate desta quarta seja condicionado pela expulsão, também gera uma série de discussões por problemas que não dependeram da inferioridade numérica.

Classificação fornecida por SofaScore LiveScore

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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