Libertadores

O entendimento no ataque compensou os espaços na defesa e o Flamengo volta do Chile com a vitória sobre a Católica

O Flamengo criou o suficiente para vencer na visita à Universidad Católica, mas seria uma partida cheia de sustos aos rubro-negros

O Flamengo ainda não se livrou dos problemas, mas manteve os 100% de aproveitamento na Copa Libertadores, com uma vitória suada. Os rubro-negros visitavam uma Universidad Católica em crise, que demitiu seu treinador e precisava de resposta. A torcida fazia barulho em San Carlos de Apoquindo, mesmo que o time não escondesse suas debilidades. O Fla aproveitou, sem deixar de se preocupar. Ofensivamente, a equipe de Paulo Sousa teve bons momentos, sobretudo pelo entendimento entre Gabigol e Bruno Henrique. Defensivamente, os espaços deixados pela defesa geraram constantes perigos e mantiveram o triunfo por um fio. Quando os flamenguistas temiam pelo pior, um gol de Lázaro já no fim praticamente sacramentou o resultado. Só não deu para relaxar tanto, com a Católica descontando nos acréscimos e fechando o placar em 3 a 2 para os cariocas. Apesar dos sustos, é um resultado importante para encaminhar a situação do Flamengo com líder no Grupo H.

O começo de jogo do Flamengo era muito bom. A equipe partiu para uma pressão inicial e trabalhava bem a bola, com jogadas construídas no chão. Aos sete minutos, a vantagem surgiu merecidamente aos rubro-negros. Numa roubada de bola feita por Thiago Maia no meio, Bruno Henrique tabelou com João Gomes e deu o passe na medida para Gabigol. Diante do goleiro Sebastián Pérez, o atacante fuzilou. O ritmo do Fla era muito alto, mas logo a equipe reduziria. E, quando a Universidad Católica ficou mais no ataque, empatou aos 15. Num ataque pela direita, José Pedro Fuenzalida cruzou e Fabián Orellana aparou de calcanhar. Fernando Zampedri teve espaço para dominar no peito e, quando armava o chute, Isla chegou na dividida. Marcou contra, pegando Santos no contrapé.

O Flamengo tentou responder, mas não conseguia repetir a boa forma dos primeiros minutos. Uma boa chance de empate veio aos 22, numa jogada armada por Everton Ribeiro. Thiago Maia rolou e Arrascaeta bateu de primeira, por cima. Entretanto, o alívio seria sucedido por um susto. Num escorregão de Willian Arão, Zampedri ficou de frente para o crime e chutou sem direção, perdendo lance incrível. Os rubro-negros conseguiam se safar, com erros preocupantes na defesa, embora o time seguisse mais perigoso no ataque e apresentasse boa movimentação quando tinha a bola.

Bruno Henrique era um diferencial pelo lado esquerdo, dando muito gás por ali. Num cruzamento fechado, deu trabalho ao goleiro Pérez com 31 minutos. Logo na sequência, aos 34, a famosa parceira se repetiria para o segundo gol do Flamengo. Arrascaeta girou e deu um presentaço a Bruno Henrique, que disparou nas costas da defesa. O atacante cruzou rasteiro e Gabigol estava atento para escorar dentro da área, novamente nas redes. Gabigol ainda poderia ter feito o terceiro aos 40, lançado em velocidade. Diante de Pérez, bateu cruzado e errou o alvo. A única preocupação do Fla era não ceder espaços, e isso não se resolvia. O empate poderia ter vindo antes do intervalo, numa tabela de Cristian Cuevas pela direita. O ala invadiu a área e bateu rasteiro, rente ao poste.

O Flamengo voltou para o segundo tempo com Andreas Pereira no lugar de João Gomes. Os rubro-negros tentavam cadenciar a partida e os primeiros minutos eram mais calmos. Logo o duelo ficaria mais pegado e, por volta dos dez minutos, a Católica passou a arriscar mais cruzamentos. Os Cruzados esboçavam uma pressão, até que o Fla respirasse e respondesse com dois contra-ataques. No primeiro, Bruno Henrique fez fila e acabou desarmado na área, mas a sobra ficou com Gabigol e o atacante chutou pelo lado de fora da rede. Logo depois, numa roubada de bola, Everton Ribeiro cruzou da direita e Gabigol chegou no carrinho, sem pegar em cheio.

Não demorou para que a Universidad Católica emendasse cruzamentos perigosíssimos. No primeiro, Fuenzalida surgiu sozinho pelo lado direito da área e chutou cruzado, na trave. Logo depois, a bola voltaria para Fuenzalida, desta vez travado na hora do chute. E outra bola passou por todo mundo até sair. O Fla respirou do susto com três mudanças de uma só vez, aos 18. Saíram Arrascaeta, Bruno Henrique e Everton Ribeiro, entraram Diego, Lázaro e Marinho. Na primeira participação, Lázaro já tentaria uma finalização e mandou por cima. O sangue novo até permitiu um momento ofensivo aos flamenguistas, mas logo os chilenos restabeleceriam a pressão. E reclamariam de um pênalti sobre Orellana que a arbitragem deixou passar.

O Flamengo perdeu as suas principais referências ofensivas e não tinha proteção no meio-campo. A reta final da partida, assim, seria de provação aos rubro-negros. A bola começava a cruzar a área perigosamente e a defesa rubro-negra chegaria a fazer cortes no limite. Aos 35, outra troca aconteceu com Pedro no lugar do Gabigol. E a garantia da vitória sairia num momento em que o Fla sairia um pouco mais, aos 39, numa bola roubada no campo de ataque. Marinho acelerou pelo meio e esperou a passagem de Lázaro. O garoto dominou e definiu na gaveta, em excelente finalização. Uma breve confusão começou, com a reclamação sobre uma falta de Pedro no início da jogada. Felipe Gutiérrez acabou expulso no banco dos Cruzados.

Depois disso, o duelo virou uma trocação só. O Flamengo não tinha tanta obrigação na proteção e se soltava. A Universidad Católica ainda tentava recobrar o prejuízo. Santos pararia um cruzamento na meta do Fla, antes de Diego ser travado do outro lado. Deu para os Cruzados descontarem aos 48, com o veterano Diego Buonanotte. O meia tentou o passe, a bola bateu na marcação e voltou para ele. Então, na área, o argentino chutou cruzado e a bola ainda desviou em Pablo antes de entrar. Restava pouco tempo para o Fla consumar a vitória, mas os erros acumulados geravam o receio. Por fim, o apito final permitiu a confirmação.

O Flamengo chega aos nove pontos no Grupo H da Libertadores e se aproxima da classificação. O Talleres é o segundo colocado, com seis pontos, após derrotar o Sporting Cristal por 1 a 0 na última terça-feira. A Católica soma três pontos e o Cristal está zerado.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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