Libertadores

O Corinthians de gols quase inevitáveis conquistou uma grande vitória na Argentina

Além das qualidades ofensivas, amplamente documentas na rede mundial de computadores e nos jornais esportivos, o que mais chama a atenção do atual time do Corinthians é a crença de que uma hora o gol necessário para a vitória aparecerá. De alguma maneira, aparecerá. É algo quase religioso, mas não tem nada a ver com fé. Tem a ver com a qualidade coletiva de uma equipe muito bem treinada, muito bem administrada, e ciente de suas qualidades e defeitos.

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Foi assim, na noite desta quarta-feira, na vitória por 1 a 0 contra o Independiente, fora de casa. A partida estava equilibrada, bem jogada, com chances para os dois lados. Nenhuma muito clara. A defesa corintiana nem foi tão segura quanto costuma ser. Aos 35 minutos do segundo tempo, com o placar ainda zerado, Matheus Vital acertou um bom cruzamento. A bola bateu na nuca de Jadson. Campaña fez o movimento para realizar a defesa, mas espalmou na própria trave. Gol do Corinthians.

Muitas vezes esses gols corintianos parecem sair por acaso. O famoso gol “achado”. Mas este Corinthians os acha com tanta frequência, sempre que precisa, que é mais provável que ele sempre soubesse onde eles estavam. Não é sorte porque sorte constante tem outro nome. É o fim de um processo de uma equipe que raras vezes se apressa, raras vezes toma a decisão errada no campo de ataque. Tem a questão emocional bem calibrada, com a pilha no ponto certo para as partidas importantes.

É um time tranquilo, sempre no controle, mesmo que esteja sendo pressionado. Recupera a bola, aciona suas armas e faz um feijão com arroz bem temperado. Não marca mais vezes porque falta muita qualidade individual nos seus jogadores, ainda falta um atacante com mais ansiedade para colocar a bola para dentro. Caso no fim do processo o gol não apareça, o tratamento correto é como exceção. Nunca a regra.

Essa falta de qualidade apareceu algumas vezes contra o Independiente. Maycon teve uma chance, mas chutou fraco. Clayson estragou boas situações. Romero arrancou sozinho desde o meio campo e também pecou na hora da finalização. E, enquanto a jogada certa não aparece, o talento no outro lado do gramado compensa. Cássio saiu do gol na hora perfeita para cortar um cruzamento de Menéndez que tinha direção certa.

Apesar de, contra o Independiente, a defesa corintiana não ter sido a rocha que costuma ser. Antes do gol de Jadson, Gigliotti teve uma ótima oportunidade. Recebeu com espaço dentro da área. Mas, na hora de finalizar, mostrou por que não é um atacante de muitos recursos: pegou na orelha da bola e mandou para fora. Meza, em jogada parecida, foi travado pela defesa. E quase marcou, aos 41 da etapa final, mas o lance foi equivocadamente anulado. Havia três atletas de vermelho realmente impedidos na jogada. Menos o que fez o gol.

O resultado foi excepcional para o Corinthians. Já são quatro pontos fora de casa, inclusive no jogo teoricamente mais difícil do grupo, contra o Independiente em Avellaneda. Com sete e a liderança da sua chave, a classificação às oitavas de final parece tranquila. Como esta equipe treinada por Fábio Carille.

Foto de Bruno Bonsanti

Bruno Bonsanti

Como todo aluno da Cásper Líbero que se preze, passou por Rádio Gazeta, Gazeta Esportiva e Portal Terra antes de aterrissar no site que sempre gostou de ler (acredite, ele está falando da Trivela). Acredita que o futebol tem uma capacidade única de causar alegria e tristeza nas mesmas proporções, o que sempre sentiu na pele com os times para os quais torce.

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