Libertadores

O Boca Juniors dominou o Racing para se confirmar nas semifinais e, não fosse Arias, poderia até ter goleado

O Boca Juniors avança às semifinais da Copa Libertadores de forma inapelável. Os xeneizes amassaram o Racing dentro de La Bombonera, ainda que a vitória por 2 a 0 não transmita totalmente a superioridade dos anfitriões ao longo da noite. A equipe de Miguel Ángel Russo dominou a maior parte do clássico e martelou bastante em suas finalizações, mas o goleiro Gabriel Arias colecionou milagres para manter as esperanças de seu time. Contudo, ainda que os racinguistas precisassem só de um gol para avançar, estiveram distantes de apresentar futebol para tanto. Na próxima fase, o Boca mede forças contra o Santos, reeditando a histórica decisão de 1963.

O Racing entrou em campo na Bombonera com uma postura bastante defensiva, após a vitória por 1 a 0 em Avellaneda. Melhor ao Boca Juniors, que não demorou a mandar na partida contra um adversário bastante recuado. E não era que a Academia se defendesse tão bem, dando espaços constantes aos xeneizes. Assim, o time da casa logo se aproximou da vitória. Carlos Tevez se movimentava com liberdade, com a presença de Franco Soldano na linha de frente. Enquanto isso, o apoio pelas pontas era fundamental à pressão do time de Miguel Ángel Russo.

Logo de início, Gabriel Arias começou a se tornar a principal figura do Racing. O goleiro fechou o ângulo de Soldano no mano a mano e, depois, realizou uma defesaça diante de Tevez. O tiro baixo veio quicando e o goleiro reagiu muito bem para espalmar. Aos 22, porém, o Boca conseguiu o primeiro gol. Depois do cruzamento de Leonardo Jara pela direita, Sebastián Villa disputou no alto com o lateral Fabricio Domínguez. O defensor racinguista não conseguiu afastar e, na sobra, Eduardo Salvio cabeceou no canto de Arias com força.

O Racing teve a chance de responder logo depois. Fabrício Domínguez fez uma jogadaça pela direita e tocou para Lorenzo Melgarejo, mas o paraguaio bateu para fora. De qualquer maneira, o Boca Juniors continuava mandando no jogo e buscando bem mais o gol. Num chute alto de Tevez, Arias se esticou todo para desviar com a ponta dos dedos, em novo milagre. Os xeneizes tinham mais volume de jogo e iniciativa, mal deixando que os albicelestes avançassem ao campo de ataque. Aos 37, numa batida rasteira de Villa, Arias salvou de novo sua equipe ao espalmar no contrapé. Villa ainda arremataria uma por cima do travessão, pouco antes do intervalo.

O Racing voltou ao segundo tempo com duas alterações, dando pinta de que sairia mais ao ataque. Na realidade, o Boca Juniors permaneceu em cima até anotar o segundo gol. Leonardo Sigali salvou uma batida cruzada de Tevez na pequena área e, de novo no mano a mano, Arias se agigantou diante de Villa. Na sequência da jogada, com o goleiro fora da meta, Soldano cabeceou para fora. E o bombardeio xeneize esbarraria em Arias mais uma vez pouco depois, quando Soldano acertou o alvo. O arqueiro só voltaria a ser vencido aos 16, em pênalti cometido por Lisandro López sobre Salvio. Arias até acertou o canto, mas Villa converteu com um chute forte e rasante.

O Racing acordou um pouco mais depois disso. Lisandro López tentaria se redimir com um chute de primeira que saiu por cima do travessão. Aos poucos, a Academia passou a dominar a posse de bola e a sitiar o campo de ataque, mas com pouca penetração. E o Boca ainda dava seus sustos. Aos 33, Soldano exigiria a enésima defesa difícil de Arias na noite. Esteban Andrada só foi trabalhar depois, quando Carlos Alcaraz mirou o canto e o goleiro xeneize espalmou. Mas ficou nisso. Durante os minutos finais, o Boca ainda levava mais perigo nos contragolpes. Arias evitou o terceiro mais uma vez nos acréscimos, em chute forte de Villa que buscava o canto. Com todos os méritos e poucos riscos, os boquenses avançaram na campanha.

O Boca Juniors oscilou nestes mata-matas da Libertadores. Tanto contra Internacional quanto diante do Racing, os xeneizes fizeram dois jogos bastante distintos. A apresentação desta quarta, ao menos, ressaltou a qualidade individual dos boquenses e a quantidade de alternativas a Miguel Ángel Russo. Não fosse a atuação inspiradíssima de Arias, uma goleada seria natural. Já o Racing se despede da Libertadores com uma campanha até acima de suas forças. A Academia amarrou bem o Flamengo, mas não conseguiu bater de frente com o Boca. Considerando os últimos anos, nem é a melhor equipe racinguista da década. Permanece a ambição de reconquistar a Libertadores, no maior jejum da competição.

https://www.youtube.com/watch?v=FkN551RyqP0
Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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