Libertadores

O Barcelona de Guayaquil será o intruso nas semifinais brasileiras, após eliminar o Fluminense com novo empate

Barcelona tinha saído com um resultado interessante do Maracanã e aproveitou essa vantagem dentro de casa

O aguardado Fla-Flu da semifinal da Libertadores não se concretizará. O Fluminense sucumbiu nas quartas de final do torneio, permitindo que o Barcelona de Guayaquil seja o único time de fora do Brasil entre os quatro melhores nesta edição. O empate por 2 a 2 no Maracanã concedia uma situação favorável aos equatorianos, que poderiam especular o placar no Estádio Monumental Isidro Romero Carbo. O Flu teve seus momentos de domínio no Equador, mas sem intensidade para converter em gol, e ainda reclamou da arbitragem. No segundo tempo, quando os cariocas não vinham bem, os Canários abriram o marcador. E o desespero dos cariocas na reta final da partida não renderia mais que um gol de pênalti nos acréscimos. Assim, graças aos gols fora, o Barcelona se valeu do empate por 1 a 1 para avançar e encarar o Flamengo.

Os primeiros minutos de jogo indicaram dificuldades para o Fluminense. O Barcelona tentou imprimir um ritmo mais forte e Damián Díaz logo forçaria a primeira defesa de Marcos Felipe. A resposta tricolor ocorreu aos seis minutos, numa boa jogada de André para Fred, mas a finalização saiu fraca. Com o passar dos minutos, o Flu domou a pressão alta dos equatorianos e ditou o jogo, garantindo o domínio da posse. O primeiro poderia ter saído aos 14. Numa trama que envolveu Ganso e Fred, Luiz Henrique mandou o chute de fora da área muito perto do travessão. Todavia, também haveria um susto do outro lado, numa saída errada de Marcos Felipe.

O Barcelona recuou e o Fluminense buscava os espaços no ataque. Faltava ser mais contundente, com uma posse de bola que superava a casa dos 70%. Somente na reta final do primeiro tempo que as oportunidades surgiram com mais frequência. Luiz Henrique de novo ameaçaria, antes de Ganso tentar de bicicleta e parar no goleiro Burrai, com a ponta dos dedos. No entanto, o meia (que vinha bem na partida) caiu sobre o braço e se lesionou, dando lugar a Cazares. Antes do intervalo, Burrai trabalhou de novo em tiro fechado de Samuel Xavier, mas o Barcelona também voltaria a incomodar numa cabeçada de Perlaza para fora.

O lance mais reclamado pelo Fluminense aconteceu logo no início do segundo tempo. Em uma disputa na área, Riveros foi no corpo de Fred, que pediu pênalti. A arbitragem não marcou. O Barcelona, ainda assim, voltou melhor do intervalo e poderia ter aberto o placar numa cobrança de escanteio, mas León cabeceou para fora. Fred tentaria o troco, mas também cabeceou sem direção. De qualquer forma, o duelo pendia aos equatorianos, que passaram a rondar a meta de Marcos Felipe.

Roger Machado promoveria a entrada de Kayky no lugar do lesionado Yago Felipe, o que fez o Fluminense perder sua organização no meio. O Barcelona parecia ter a situação nas mãos, aproveitando sua vantagem no placar agregado. E num momento de mais iniciativa dos Canários, saiu o gol aos 28 minutos. Hoyos deu um grande passe por elevação e, no limite do impedimento, Mastriani saiu livre dentro da área. Dominou e tocou para o fundo das redes, diante de Marcos Felipe.

Abel Hernández e Nenê entraram na sequência da partida, mas a missão do Fluminense era ingrata, precisando de dois gols. Marcos Felipe ainda faria uma grande defesa, para negar o segundo a Mastriani num chutaço que buscava o ângulo. E os minutos finais guardaram a insistência do Flu, mas não a força necessária para uma reviravolta na situação. Mesmo permanecendo no campo ofensivo, o Tricolor não conseguia criar lances suficientes sequer ao empate. Pior, o Barcelona ainda gerava riscos nos contragolpes.

O goleiro Burrai só voltaria a fazer uma boa defesa aos 49, num chute de fora de Egídio. Pouco depois, Kayky erraria o alvo com a meta aberta. Mesmo com os acréscimos chegando ao final, o Fluminense não desistia e Abel Hernández também teve um chute no meio do gol que Burrai segurou. O empate veio, enfim, no término dos acréscimos. Riveros deixou o cotovelo em Luccas Claro e, desta vez, a arbitragem marcou após revisar no VAR. Fred partiu para a cobrança e converteu. Porém, o apito final viria logo depois. A reação pararia nisso.

O Barcelona chega à oitava semifinal de Libertadores em sua história, um recorde entre os clubes equatorianos. É a segunda vez neste século que os Canários se colocam entre os quatro melhores do torneio, repetindo o feito de 2017, quando perderam para o Grêmio. Já o Fluminense deixa a competição com um gosto agridoce. O mau momento da equipe não gerava muita confiança, mas alguns sinais positivos até vieram no primeiro tempo. Porém, a atuação dos tricolores não seria suficiente, independentemente dos questionamentos sobre a arbitragem. O Fla-Flu histórico da semifinal não sairá da imaginação.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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