Libertadores

O Atlético martelou o América, tomou um golaço no contra-ataque e só no final buscou o empate no clássico

O Atlético Mineiro teve amplo domínio da partida, mas se expôs e teve dificuldades para superar Jaílson

A Libertadores ofereceu um histórico clássico mineiro pela fase de grupos nesta quarta-feira. O favoritismo era do Atlético, pela força de seu elenco e pela boa estreia no torneio. Porém, o América conseguiu surpreender os rivais no retorno de Vágner Mancini à frente do time. O Coelho saiu do Mineirão com o favorável empate por 1 a 1. A superioridade do Galo se expressa em números, com 81% de posse de bola, 28 finalizações, 17 escanteios e 50 cruzamentos. O problema é que a qualidade na criação esteve aquém de tal volume de jogo e os atleticanos esbarraram na ferrenha defesa americana. No início do segundo tempo, Felipe Azevedo abriu o placar para o Coelho com um golaço. O alívio do Galo viria só no fim, com a Lei do Ex garantida por Ademir, mas também certo favorecimento pela ausência do VAR que não pôde conferir o impedimento na jogada.

O primeiro tempo seria dominado pelo Atlético, apesar dos primeiros minutos serem mais equilibrados. Hulk acabaria travado logo no primeiro ataque, mas os atleticanos levaram um pouco mais de tempo para entrar no jogo e o América até incomodou em contra-ataques, mesmo sem criar chances claras – no máximo, tiveram um tiro de Felipe Azevedo desviado por cima do travessão. A partir dos 15 minutos, o Atlético passou a arriscar mais chutes de fora da área e a trancar o Coelho em seu próprio campo. Jaílson faria defesas seguras, mas sem tantos riscos, com destaque a uma falta cobrada por Nacho Fernández que o goleiro rebateu.

A melhor oportunidade do Atlético saiu com Guilherme Arana, num cruzamento que bateu no travessão, antes da defesa rifar a sobra quase em cima da linha. Durante a reta final do primeiro tempo, o Galo conseguiu explorar a velocidade de seu ataque, à medida em que frustrava os contragolpes do América. Os laterais apareciam mais para o jogo e isso era importante para dar profundidade à equipe. Zaracho chegaria a balançar as redes aos 42, mas estava impedido. Os avanços do Galo eram cada vez mais perigosos até a chegada do intervalo.

O segundo tempo recomeçou com o Atlético aumentando sua carga. Passou a arriscar mais cruzamentos e, aos quatro minutos, Arana mandou uma bomba de fora da área, espalmada brilhantemente por Jaílson. Contudo, o América dependia de um contra-ataque. E ele veio aos seis minutos, com o gol. Lançado em profundidade, Felipe Azevedo escapou de Godín com um drible da vaca e partiu com o campo de ataque livre. O veterano soltou uma sapatada da entrada da área e mandou no ângulo. Golaço, que contava no placar uma história diferente do que se via em campo. A confiança do Coelho ia lá no alto e Paulinho Boia seria travado em outro ótimo contra-ataque.

Não restava outra alternativa para o Atlético senão pressionar. Arana teve um chute cortado na pequena área por Éder. Logo entrariam Ademir e Savarino, nas vagas de Vargas e Zaracho. O Galo bombeava a bola na área e, aos 16, lamentou muito num lance com Jair. O volante recebeu a bola ajeitada na pequena área e cabeceou por cima do travessão, perdendo lance inacreditável. Os atleticanos tinham dificuldades para acertar o pé, mesmo que tivessem mais volume de jogo. Aos 24, Hulk até balançou as redes, mas acabou flagrado em impedimento e o tento foi anulado.

O América montava sua muralha diante da área e o Atlético tinha dificuldades para criar. Estava lento na hora de rodar a bola e não variava as jogadas além dos cruzamentos. O clássico ganhava contornos dramáticos. Até Hulk voltava para travar os contra-ataques do Coelho, em disparada de Pedrinho aos 36. O respiro do Galo veio com o empate aos 40, graças à Lei do Ex. Ademir balançou as redes. Depois de um lançamento frontal de Mariano, o substituto conseguiu o domínio na área, escapando de Iago Maidana, e fuzilou Jaílson por baixo. O atacante estava ligeiramente impedido, mas, sem o VAR na fase de grupos da Libertadores, a infração não foi revisada.

O Atlético não se contentaria com o empate e seguiria em cima, empurrado pela torcida no Mineirão. Arana voltou a arriscar, mas de novo Jaílson repeliu. Depois, seria a vez de Savarino bater prensado para a linha de fundo. Havia certa tensão no ar, com discussões entre os jogadores, mas o momento favorecia o Galo e o time se mostrava mais inteiro. Apesar disso, nos acréscimos, o Coelho quase aprontou e Everson precisou se antecipar em saída fora da área. Independentemente da persistência atleticana, Jaílson cortaria cruzamentos perigosos e o apito final selou a decepção dos favoritos no clássico.

O Atlético Mineiro chega aos quatro pontos no grupo e só entra em campo novamente no dia 26 de abril, quando visita o Independiente del Valle. Já o América soma seu primeiro pontinho na fase de grupos e terá seu próximo compromisso no Independência, onde receberá o Deportes Tolima.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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