O Athletico ia alcançando um milagre, mas o empate sofrido no fim não tira os méritos da resistência ao River
O Athletico Paranaense tinha um trabalho hercúleo nesta terça-feira, mesmo dentro da Arena da Baixada. Os rubro-negros pegavam o River Plate no primeiro encontro pelas oitavas de final da Copa Libertadores, precisando lidar com um elenco depenado pelas ausências geradas por COVID-19. E o Furacão negou as piores expectativas, mostrando como o trabalho de Paulo Autuori supera as limitações. A vitória não veio, mas o empate por 1 a 1 ainda pode ser considerado um resultado heroico. Os athleticanos resistiram à pressão e até flertaram com a vitória ao ficarem em vantagem no placar durante quase todo o segundo tempo. Porém, um gol sofrido já nos minutos finais se transformou em decepção aos paranaenses.
O Athletico precisou lidar com oito desfalques causados pela COVID-19. Nikão e Abner eram titulares ausentes, mas o maior entrave se encontrava no gol. Sem Santos ou Jandrei, o jovem Bento precisou fazer sua estreia como profissional, aos 21 anos. Já o River Plate vinha com seus principais nomes, ainda que Marcelo Gallardo tenha deixado no banco Julián Álvarez, artilheiro da equipe nesta Copa Libertadores.
Num começo de jogo que teve boas chegadas de ambos os lados, o Athletico lamentaria a chance desperdiçada por Richard. Aos quatro, o volante pôde arrematar uma bola limpa dentro da área, mas isolou. Com o passar dos minutos, o River Plate passou a acelerar e a explorar principalmente as jogadas pelos lados. A defesa do Furacão conseguia travar. E os rubro-negros teriam uma preocupação extra aos 20 minutos, quando Léo Cittadini perdeu um dente em disputa durante cobrança de escanteio, ainda que tenha seguido no jogo.
O River Plate era superior e apertava, ainda que não criasse ocasiões tão claras. Muitas das investidas aconteciam pelo lado esquerdo do ataque. A primeira boa intervenção do goleiro Bento ocorreria aos 33, numa cobrança de escanteio. Paulo Díaz cabeceou e o arqueiro deu um tapa para salvar. A defesa do Athletico jogava de maneira compacta, sem dar espaços aos argentinos. O empate sem gols era segurado bravamente pelos rubro-negros, diante dos 69% de posse dos millonarios.
Durante o segundo tempo, Paulo Autuori mudaria seu ataque. Walter e Bissoli entrariam nos lugares de Renato Kayzer e Carlos Eduardo. Deu certo, com o Athletico equilibrando mais as ações durante o reinício. O River ainda lamentaria um cruzamento de Rafael Santos Borré que Matías Suárez não alcançou, com Bento já batido. De qualquer maneira, o Furacão pressionaria mais na frente e veria um dos substitutos ajudar no gol, aos 13 minutos. Erick cruzou da intermediária. Bissoli matou no peito e, com espaço na meia-lua, emendou o chute. Acertou o cantinho de Franco Armani, num belo tento.
O River Plate logo partiria para cima, mandando Jorge Carrascal e Julián Álvarez a campo. O Athletico continha o sufoco, principalmente com Thiago Heleno, soberano na área para afastar os perigos. E a concentração do Furacão precisaria ser maior a partir dos 21, após a expulsão de Reinaldo, que ergueu o pé e acertou Enzo Pérez, recebendo o segundo amarelo. Neste momento, Bento ajudaria a esfriar os argentinos com longo atendimento médico. Logo Gallardo trocou Milton Casco por Lucas Pratto, aumentando a presença de área, enquanto Autuori reforçou a zaga com Aguilar na vaga do lateral João Victor.
A partida ficaria num duelo entre o ataque do River e a defesa do Athletico. Thiago Heleno continuava fazendo uma partida impecável para conter o abafa. Autuori também chamou Lucho González, na vaga de Richard aos 35. Em meio à pressão, o Furacão também agradeceu à sorte. Aos 40, Matías Suárez cabeceou e a bola bateu no travessão, tocando ainda na pequena área de ser neutralizada. Os athleticanos tentaram dar a resposta do outro lado, num escanteio que Walter ajudou a ganhar, para Erick desviar perto da trave. Só que a persistência do River teria seu prêmio aos 46. Numa cobrança de escanteio, Paulo Díaz pulou sobre Lucho e testou para dentro. Os millonarios ainda tentaram a vitória na reta final, levando perigo numa bola que pipocou na área.
O Athletico Paranaense vê interrompida sua série de quatro vitórias, que o alavancou no Campeonato Brasileiro e reduziu os temores de rebaixamento. Mas a esperança na Libertadores ainda vive, especialmente pela maneira como o Furacão encarou o River Plate. Um empate na Argentina, independentemente do placar, força a disputa por pênaltis. A quem teve tantos desfalques importantes e ainda atuou na meia hora final com um a menos, os athleticanos já fizeram bastante. Tentarão surpreender ainda mais em Avellaneda, onde os millonarios mandarão o jogo de volta.



