Libertadores

O América-MG amassou o Guaraní, mas a bola não entrou e o gol sofrido no fim provocou uma frustrante estreia na Libertadores

O América pressionou o jogo todo e acabou derrotado num contra-ataque nos acréscimos do segundo tempo

O América Mineiro se preparou para uma grande festa no Estádio Independência. As arquibancadas se encheram para a primeira partida do Coelho na história da Libertadores. A equipe bem que tentou corresponder com uma vitória e pressionou o Guaraní durante os 90 minutos, com 25 finalizações e um bom número de chances cristalinas. Porém, a bola insistiu em não entrar e puniu os anfitriões nos acréscimos do segundo tempo, quando um contra-ataque permitiu a vitória paraguaia por 1 a 0. O lamento dos americanos é óbvio, numa noite de clara superioridade em várias estatísticas, menos no placar. Tentarão a classificação para a terceira fase na volta, em Assunção, marcada para a próxima semana.

O América começou bem a partida, buscando o gol desde o princípio. Matheusinho participava bastante e as chances de gol logo surgiram, com Patric desviando para fora e Índio Ramírez forçando a primeira defesa do goleiro Devis Vázquez. Já o lance mais espetacular aconteceu aos 13, com Juninho. O meio-campista aplicou um lençol no marcador, na entrada da área, e bateu com estilo, por cobertura. Um pecado que o golaço não tenha terminado nas redes, estalando o travessão.

Com o passar dos minutos, a pressão do América arrefeceu. O Coelho permanecia em cima, mas insistia nos cruzamentos e via a defesa do Guaraní prevalecer pelo alto. Uma nova oportunidade de ouro surgiu aos 26, num contra-ataque puxado por Matheusinho. O passe veio na medida para Wellington Paulista, que tocou na saída do goleiro, mas a zaga rasgou quase em cima da linha. Faltava mais penetração aos mineiros, que só conseguiam ameaçar um pouco mais quando escapavam em velocidade. A postura resguardada dos paraguaios não permitia muito isso, sem que os aurinegros registrassem uma finalização sequer em todo o primeiro tempo.

O segundo tempo recomeçou com o América Mineiro em cima. Felipe Azevedo viu a zaga tirar um passe para Wellington Paulista e logo Lucas Kal tentou a primeira finalização, para fora. O Coelho empilhava tentativas, também com Juninho batendo para fora e Wellington Paulista chutando para uma grande defesa de Vásquez aos 11 minutos. Os americanos pareciam dispostos a resolver logo, até porque o Guaraní passaria a sair mais para o jogo. Jaílson também salvou a equipe aos 14, quando Ángel Benítez aproveitou o contra-ataque e fez o veterano trabalhar, numa pancada. De qualquer maneira, os mineiros é que comandavam o bombardeio.

Durante a segunda etapa, o América arriscava mais, por vezes travado ou sem muita direção. E um aviso de que a derrota poderia vir aconteceu aos 29, numa cabeçada que Marcelo Gonzáles mandou na trave de Jaílson. Refeito do susto, o Coelho voltou a martelar e Juninho se mostrava disposto a ser herói, com um chute muito perto da trave dois minutos depois. À medida que o tempo passava, as apostas vinham do banco, com Rodolfo e Henrique Almeida. Nada que resolvesse, com a zaga do Guaraní ainda rifando as bolas na área. E quase deu para marcar aos 44, num lance em que Roberto Fernández negou o tento a Rodolfo ao desarmar na hora exata.

O lamento do América veio no início dos acréscimos, aos 46, com o gol do Guaraní. Num contra-ataque pela esquerda, Josué Colmán encarou a marcação e conseguiu se desvencilhar. No bico da grande área, o chute desviou em Iago Maidana e atrasou a reação de Jaílson, num grande banho de água fria aos mineiros. Ainda restavam poucos minutos para lutar e o Coelho não se entregou. Contudo, a bola insistiu em não entrar, com Pedrinho batendo mas para fora na última tentativa.

O América teve uma boa atuação no Independência. Por vezes faltou um repertório maior, mas a equipe buscou bastante o gol e teve destaques individuais, principalmente Matheusinho e Juninho. O problema foi mesmo na hora de converter. O Guaraní, como de praxe, se apresentou de forma organizada e foi mais feliz em sua estratégia. Volta a Assunção com a vantagem do empate, embora o Coelho deva partir para cima também lá.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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