O pênalti sobre Marinho será o principal assunto do Boca Juniors 0x0 Santos na Bombonera. Porém, o lance negado ao Peixe não podem relegar a segundo plano as virtudes da equipe na primeira partida das semifinais da Libertadores. E os santistas tiveram uma boa atuação na Argentina, especialmente por seu desempenho na marcação. Os xeneizes pouco criaram riscos à meta de John e os alvinegros trancaram a faixa central do campo defensivo. Ficam os méritos dos paulistas no combate, especialmente com Alison protegendo a cabeça de área, além de Lucas Veríssimo e Luan Peres mantendo o controle na zaga.

Ao 27 anos, Alison possui uma história longa pela equipe principal do Santos. O volante soma quase uma década desde que subiu ao time principal, saindo apenas para uma curta passagem pelo Red Bull Brasil em 2017. Não é o Menino da Vila mais querido pela torcida e muitas vezes sua escalação é criticada. Entretanto, o meio-campista se tornou um elemento muito importante na campanha santista dentro da Libertadores. Faz um grande trabalho nos últimos jogos e contribui ao sucesso do time de Cuca. O camisa 5 já tinha figurado entre os melhores da equipe durante a classificação contra o Grêmio. E também se saiu muito bem na Bombonera.

A tarefa de Alison não era simples, considerando que Tevez cairia por sua faixa no campo. O veterano é o melhor jogador do Boca Juniors e as principais atuações do time nestes mata-matas de Libertadores dependeram da criatividade de Carlitos. Não foi desta vez, porém, que o atacante encontraria espaços para flutuar na entrada da área. Alison realizou um excelente papel na marcação e mal deixou que o camisa 10 aparecesse. Exceção feita a um passe para Sebastián Villa nos primeiros minutos e chutes pouco efetivos, o argentino não representou preocupações aos santistas. Méritos de seu oponente, muito atento para acompanhá-lo.

Uma preocupação natural sobre o Santos, diante da escalação, era a ausência de Sandry. O garoto comandou o meio-campo do time contra o Grêmio e sua omissão parecia uma escolha preocupante de Cuca. De fato, o time melhorou quando o jovem saiu do banco, mesmo que Soteldo tenha sido o melhor do ataque no primeiro tempo. Mas, diante das circunstâncias, os meio-campistas titulares deram conta do recado. Pituca também fez uma partida satisfatória, mais encarregado da transição. Alison, por sua vez, liderou a proteção e sustentou a equipe.

E que a contenção no meio tenha sido bem feita, a dupla de zaga do Santos se saiu bem quando exigida. Não dá para dizer que o jogo de Lucas Veríssimo e Luan Peres foi impecável, considerando falhas pontuais de ambos que geraram lances perigosos para o Boca Juniors. Mas, no saldo final, a dupla de zagueiros fez uma partida elogiável na Bombonera. Luan prevaleceu na maioria dos combates. Ajudou a cortar os passes do Boca Juniors e também se deu melhor na maioria dos desarmes contra o ataque adversário. Poderia ter recebido o prêmio de melhor em campo. Já o destaque a Lucas vem numa semana tão importante ao zagueiro.

Um dos principais nomes do Santos na temporada, Lucas Veríssimo tinha manifestado seu desejo de aproveitar o momento diante das ofertas e acertou sua transferência ao Benfica. No entanto, isso não anula o compromisso do beque na Vila e ele seguirá no time até o final da Libertadores. Nesta quarta, ele demonstrou bem como sua cabeça não está na Europa. Foi seguro, bloqueou finalizações do Boca e contribuiu à saída de bola. O melhor lance veio no fim do primeiro tempo, com um desarme limpo diante de Eduardo Salvio, que poderia invadir livre a área alvinegra. Segue com moral.

Num Santos que muitas vezes é elogiado por suas individualidades, o trabalho de quem mantém a estabilidade do time merece ser ressaltado. E na Bombonera, exatamente esta segurança valeu bastante ao Peixe. O time saiu com o empate e teve condições para mais – mesmo sem a colaboração da arbitragem. A relativa tranquilidade se deve à maneira como os defensores controlaram a situação.