Libertadores

Num jogo disputado em ritmo altíssimo, o Galo volta do Equador com o empate contra o Del Valle

O Atlético Mineiro foi superior no primeiro tempo e saiu em vantagem, mas tomou pressão no segundo tempo e quase cedeu a virada

O Atlético Mineiro empatou pela segunda rodada consecutiva da Libertadores, mas desta vez o ponto conquistado na visita ao Equador merece ser valorizado. O Galo compartilhou uma partidaça com o Independiente del Valle, em que o placar de 1 a 1 não dimensiona totalmente o nível de intensidade apresentado e a quantidade de chances criadas. Os atleticanos foram melhores no primeiro tempo. Saíram em vantagem, tiveram as melhores ocasiões e se fecharam bem na defesa. Já o segundo tempo se transformou. O Del Valle amassou no ataque e causou muitos problemas aos mineiros. Hulk até mandou uma bola na trave, mas o time de Turco Mohamed certamente saiu de campo aliviado por não tomar a virada, tamanho o abafa.

O Atlético Mineiro entrou em campo num esquema com três zagueiros. Mariano e Arana podiam se soltar mais nas alas, enquanto Ademir e Nacho ofereciam o apoio a Hulk na frente. O Galo não mostrou problemas de adaptação e conseguiu o primeiro gol aos sete minutos. Allan abriu o passe e Nacho deu um lindo corta-luz para Arana. O lateral cruzou rasteiro e, sem que o goleiro Moisés Ramírez alcançasse a bola, Hulk ficou com a meta aberta para completar. Era um ótimo começo num jogo que se provaria intenso. O Independiente del Valle buscava o ataque de maneira vertical e tinha velocidade, em equilíbrio que se manteve na sequência.

O Atlético Mineiro chegava com mais perigo e o goleiro Caicedo precisou pegar alguns cruzamentos, além de salvar uma pancada de Hulk quase sem ângulo aos 15. O Independiente del Valle deu seu primeiro susto aos 22, num escanteio que Mateo Carabajal completou para fora. Pouco depois, Jonathan Bauman apareceu com espaço na área e parecia pronto para fuzilar Everson, mas Junior Alonso travou. O momento pendia aos equatorianos, até que o Galo conseguisse seu escape pela direita. Ademir começou a aparecer muito bem, para aproveitar sua velocidade e também realizar bons cruzamentos. Num passe de Hulk, Ademir quase marcou aos 28, mas Caicedo se antecipou bem em seus pés.

Os 15 minutos finais do primeiro tempo foram bastante animados. O Independiente del Valle se posicionava mais à frente, mas também dava espaço para os contragolpes do Atlético. Ademir era quase sempre quem puxava as jogadas e, num desses lances, acertou um cruzamento primoroso para Arana, mas Ramírez salvou de novo. No rebote, Nacho acabou bloqueado. Já aos 37, seria a vez de Ademir sair de frente com Ramírez e bater em cima do goleiro. Os equatorianos tinham suas melhores respostas no jogo aéreo. Numa dessas, Lorenzo Faravelli pôde encher o pé na área, mas isolou. Jhoanner Chávez era a principal arma dos anfitriões. E, antes do intervalo, ainda deu tempo para Mariano assustar com uma batida para fora. O nível do duelo era alto.

O Independiente del Valle voltou sufocando no segundo tempo. Os equatorianos se impunham no campo de ataque e levavam a defesa do Atlético ao limite. O gol de empate não demorou a sair, aos quatro minutos. Numa inversão da esquerda para a direita, Pedro Perlaza deu o passe rasteiro e Junior Sornoza tinha espaço na área. Bateu firme, de primeira, no canto de Everson. O gol pareceu motivar ainda mais o Del Valle. Carabajal forçaria a defesa de Everson na sequência, num tiro de muito longe. O Galo mal conseguia sair.

Somente aos 14 minutos é que o Atlético Mineiro voltou a criar algo no ataque. Foi uma grande jogada, com Arana servindo Hulk e o atacante arrancando até a linha de fundo. A batida rasteira atravessou a pequena área e Nacho chegou atrasado. Por mais que os atleticanos tenham despertado, o Independiente del Valle não afrouxava a pressão. Sornoza fazia uma grande atuação e bateria para defesa de Everson em dois tempos. Fernando Gaibor era outro muito ativo na construção. Já aos 21, Hulk teve outra chance em cobrança de falta. Buscou o ângulo e acabou acertando o travessão.

A esta altura, qualquer definição parecia possível ao jogaço. O Atlético conseguia acelerar, mas o Independiente del Valle era mais presente no ataque. As melhores finalizações também eram dos equatorianos. Faravelli bateu lambendo a trave e depois Cristian Pellerano experimentou, quase mandando no ângulo. Por volta dos 30, o Galo fez quatro alterações em pouco tempo. Guga, Rubens, Vargas e Otávio renovavam as energias da equipe. Hulk permanecia em campo e tentava forçar as jogadas, sem sucesso. Aos 40, seriam duas grandes chances num contragolpe atleticano, mas Caicedo abafou a primeira tentativa e depois Rubens furou. A resposta do IDV surgiu numa cabeçada de Carabajal, que por pouco não entrou. Os anfitriões voltaram a pressionar nos acréscimos. E os mineiros agradeceram um erro clamoroso de Luis Segovia, que perdeu um gol sozinho na pequena área após escanteio. Apesar das dificuldades, o Galo sobreviveu até o apito final.

O Atlético Mineiro ocupa a segunda colocação do Grupo D da Libertadores. Tem os mesmos cinco pontos do Independiente del Valle, mas desvantagem no número de gols marcados. América Mineiro e Tolima somam um ponto cada, e fecharão a rodada com o duelo em Belo Horizonte nesta quarta-feira.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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