Libertadores

Num jogo bem mais vivo no Mineirão, o Palmeiras busca o empate contra o Galo e vai a mais uma final de Libertadores

A volta da semifinal ganhou bem mais emoção e, mesmo com o Atlético abrindo o placar, Dudu garantiu a classificação do Palmeiras graças ao gol fora

O “eu acredito” ecoou em Belo Horizonte durante muitas noites de 2013 e embalou uma campanha histórica na Libertadores. Nesta terça-feira, porém, a profissão de fé não teve o efeito desejado no Mineirão, com o Palmeiras prevalecendo sobre o Atlético Mineiro e conquistando a classificação para a final continental, a segunda consecutiva. O jogo desta semana, enfim, seria digno do peso da ocasião. As duas equipes fizeram um duelo ainda pegado, mas com mais riscos tomados e mais emoção. Depois de um primeiro tempo equilibrado, o Galo abriu o placar quando elevou a pressão e dava um passo à frente no confronto. Todavia, os palmeirenses conseguiriam responder e empatariam com a estrela de Dudu. Mantendo uma postura pragmática e uma defesa bem trancada, a equipe de Abel Ferreira segurou o 1 a 1 no placar, suficiente graças ao gol fora. Os alviverdes eliminam aquele que era visto como favorito do duelo e fazem as malas para Montevidéu, com o sonho vivo pelo tri continental.

O Palmeiras vinha escalado num 5-3-2, com Renan se juntando à defesa para liberar Piquerez na lateral. No meio, Danilo era um retorno importante, formando trinca com Raphael Veiga e Felipe Melo. Já na frente, Abel Ferreira apostava na movimentação de Dudu e Rony. Cuca, por sua vez, não poderia contar com o lesionado Diego Cosa. Assim, desenhou seu 4-4-2 com Eduardo Vargas acompanhando Hulk na frente. De resto, a equipe se manteve com destaque a Guilherme Arana e Nacho Fernández pela esquerda, além de Jair e Allan na dupla de volantes. Keno era outra ausência considerável no banco.

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O Palmeiras indicou logo no primeiro minuto que teria uma postura diferente em relação à ida. Danilo enfiou a bola e Rony saiu de frente para Everson, parando no goleiro, em lance anulado por impedimento. Os alviverdes, ainda assim, ganhava mais qualidade no meio-campo e encontravam escapes para atacar. Do outro lado, o Atlético permanecia com mais iniciativa, mas via a defesa adversária travar as investidas através da boa cobertura, com cinco homens em sua última linha.

Seria um primeiro tempo equilibrado, sem tantas oportunidades de gol. Porém, a intensidade das equipes garantia uma partida bem mais interessante que no Allianz Parque. A tensão, desta vez, se transformava em nível máximo de atenção e muita pegada. Com isso, a impressão era de que o mínimo deslize poderia custar caro. O Galo se valia das bolas roubadas no campo ofensivo como principal arma. Foi assim que surgiu a primeira grande oportunidade, numa esticada de Vargas para Hulk, que Weverton se antecipou bem aos 14.

Com o passar dos minutos, a confiança do Palmeiras se reverteu numa postura mais ativa. Os palestrinos chegaram a dominar a posse de bola em certos momentos e se postaram no campo de ataque. Era uma equipe mais segura e mais propositiva desta vez. Piquerez tinha liberdade pela esquerda e geraria o principal lance da equipe na primeira etapa, aos 26. Depois de limpar a marcação, o uruguaio bateu cruzado e seu chute assustou. Logo depois ainda aconteceu uma confusão em cobrança de falta que custou o cartão amarelo a Nathan Silva. O zagueiro acertou Luan diante do árbitro e, pendurado, perderia uma eventual final.

Sem o domínio visto em São Paulo, o Atlético abusava das faltas para brecar os contra-ataques do Palmeiras. No fim do primeiro tempo, o Galo cresceu. Porém, não contou com a colaboração de Vargas e viu o chileno vacilar em alguns lances ofensivos. O melhor caminho aos mineiros era mesmo a pressão alta e os desarmes no campo adversário. Em mais uma roubada, Arana bateu para defesa segura de Weverton aos 33. Ainda assim, quando o ritmo dos atleticanos baixava, os palmeirenses fechavam bem os espaços.

O Galo tentaria acelerar um pouco mais o jogo depois dos 40. Hulk seria bloqueado por Felipe Melo, enquanto Vargas chutou em cima de Weverton, em lance no qual estava impedido. Já a melhor jogada aconteceu graças a Nacho Fernández, nos acréscimos. O argentino foi inteligente para ganhar a dividida de Felipe Melo e, com espaço, chutou cruzado para que Weverton espalmasse. Era um sinal de como os atleticanos poderiam ditar a sequência do duelo.

A postura do Atlético na retomada do segundo tempo foi essencial. Afinal, o Galo conseguiu se impor e a agressividade logo gerou chances. Hulk mandaria uma pancada de fora da área e, no quique da bola, Weverton deu sorte ao defender. A energia dos mineiros era bem maior, ainda que Everson tenha sido exigido do outro lado, com uma boa defesa em contragolpe puxado por Rony. O momento, de qualquer forma, era atleticano e o gol surgiu aos sete minutos. Numa troca de passes pela direita, Jair escapou rumo à linha de fundo e mandou um cruzamento no capricho rumo ao segundo pau. Vargas apareceu e cumprimentou às redes, sem chances para Weverton.

O Palmeiras sentiu o baque e o Atlético arreganhou os dentes para mais. Não arrefeceu a pressão e, depois de um tiro desviado para fora de Jair, poderia ter feito o segundo na sequência, com Vargas. O chileno recebeu um passe cirúrgico de Nacho, mas chutou para fora quando Weverton fechava o ângulo. A resposta palmeirense surgiria a partir de uma série de escanteios. As batidas fechadas de Dudu incomodaram, mas a zaga mineira deu conta. Everson também trabalharia outra vez aos 16, com uma defesa salvadora no mano a mano com Rony. Após falha de Nathan Silva, o atacante apareceu sozinho na área e o goleiro salvou de forma sensacional. Rony teria outra arrancada totalmente livre, mas cancelada por impedimento.

Quando Rony gerava exatamente os maiores perigos pelo Palmeiras, causou estranhamento sua saída aos 22 minutos, substituído por Gabriel Verón. E o que parecia uma troca conservadora de Abel Ferreira se pagou de imediato, com o empate logo na primeira participação do garoto. Lançado por Piquerez na esquerda, Verón ganhou de Nathan Silva na corrida e chegou com o caminho aberto na linha de fundo. Quando Everson tentava fechar o ângulo, o substituto cruzou rasteiro e Dudu entrou de carrinho para marcar. O empate era suficiente às pretensões palmeirenses naquele momento.

Com a situação desfavorável, o Atlético Mineiro voltaria a intensificar suas ações no ataque. Partiu para o abafa, com o Palmeiras voltando a fechar a casinha para jogar nos contra-ataques. Entretanto, não era tão simples para o Galo encontrar espaços. Numa cobrança de falta de Hulk, a bola por baixo seria rebatida por Weverton. E Cuca botou seu time mais para frente, com a entrada de Savarino no lugar de Jair. Apesar disso, recuperando a bola no meio, os palmeirenses até conseguiram ameaçar num cruzamento de Dudu pela linha de fundo.

A reta final do jogo seria jogada no campo de ataque do Atlético, em espaço mínimo. O Palmeiras teria Zé Rafael e Wesley na sequência, saindo Dudu e Raphael Veiga, enquanto Zaracho deu lugar a Vargas entre os atleticanos. O Galo trabalhava suas jogadas principalmente pela direita, mas os palmeirenses chegavam em todas e evitavam os riscos, ainda que sem segurar a posse de bola. O duelo no Mineirão ganhava ares dramáticos, com o constante perde e ganha. E dava a impressão de que os alviverdes poderiam matar o confronto por volta dos 45. Everson pegou bem a batida de Wesley e, num contragolpe aberto, Verón demorou e acabou bloqueado.

Por fim, as últimas cartadas de Cuca foram Tchê Tchê e Réver, nos postos de Nacho e Allan, com o zagueiro entrando para jogar no ataque. O jogo do Atlético se resumia aos cruzamentos na área, mas nem assim as chegadas eram tão constantes. Quando Hulk cabeceou livre, mandou nas mãos de Weverton e ainda estava impedido. A zaga do Palmeiras prevalecia pelo alto e os visitantes não economizavam nas bolas rifadas para gastar o tempo. O duelo ficava picado e o desespero claramente batia no Galo. Mas não era a equipe dos milagres de 2013. A frustração imperou no Mineirão, diante do alívio e da festa do Palmeiras pela segunda final consecutiva.

A sensação ao redor do Palmeiras é diferente da vivida na Libertadores passada. Naquele momento, havia a empolgação pela classificação contra o River Plate e a própria expectativa pelo fim do jejum no torneio continental. Desta vez, os palmeirenses avançam sob maiores desconfianças e com um futebol mais conservador, mas que se prova competitivo e pode render mais uma conquista das Américas. Já ao Atlético, fica a empolgação interrompida por uma campanha que se desenhava grandiosa, mas não desabrochou num jogo que dependia mais da agressividade dos atleticanos. Nos 180 minutos, o Galo até foi superior, mas não dentro do regulamento, e isso é o que conta. Restará lutar principalmente pelo Brasileirão, em busca de um bicampeonato esperado há 50 anos.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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