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Num jogaço com cara de mata-mata, Vitor Roque deu um choque imediato e Bento se agigantou para segurar o Galo

O Athletico Paranaense abriu dois gols de vantagem durante o primeiro tempo e conseguiu segurar a blitz do Atlético Mineiro no segundo tempo, muito graças às defesaças de Bento

Athletico Paranaense e Atlético Mineiro faziam uma partida decisiva logo pela segunda rodada da fase de grupos da Copa Libertadores. Depois dos tropeços na estreia, os dois times vinham pressionados para conseguir um triunfo na Arena da Baixada. E o jogo entregou o que prometia, com cara de mata-mata. No fim das contas, o Furacão conquistou o triunfo por 2 a 1, com um primeiro tempo muito incisivo, mas também sobrevivendo à blitz na etapa final. O primeiro gol, de Vitor Roque logo aos sete minutos, auxiliou demais os rubro-negros em seu plano de jogo e um pênalti que Terans converteu aumentou a tranquilidade – em lance contestado pelos visitantes. O personagem da noite, todavia, seria outro: o goleiro Bento, com mais uma atuação enorme pelo torneio continental. O Galo já esbarrou em suas defesas desde a primeira etapa e cresceu no segundo tempo. Paulinho até descontou, mas a insistência dos alvinegros pararia no arqueiro. Foram nove defesas de Bento, algumas sensacionais, que valeram um resultado maiúsculo aos paranaenses e complicaram a vida dos mineiros.

A promessa de uma grande partida se cumpriu desde os primeiros minutos. Foram ataques lá e cá, com chances expressas para os dois times de imediato. Primeiro chegou o Galo, com Paulinho, mas Bento realizou grande defesa num chute fechado. E do outro lado, quase que Everson comete uma pixotada, em bola rifada que bateu em Rômulo e saiu ao lado da meta. Diante das tentativas de ambos os times em busca da iniciativa, o talento de Vítor Roque preponderou para deixar o Athletico em vantagem aos sete minutos. Foi um movimento muito inteligente do garoto, que conseguiu se desvencilhar dois marcadores logo no domínio. Então, acelerou na diagonal e chutou com muita precisão, num tiro rasteiro que saiu do alcance de Everson. Mais uma prova de seu talento, mesmo tão jovem.

Com a vantagem, o Athletico Paranaense pôde controlar melhor a situação. Passou a atuar de maneira mais contida, com linhas defensivas muito bem compactas. O Atlético Mineiro mantinha a posse de bola, mas sem tanta penetração. A defesa rubro-negra prevalecia, também com intervenções pontuais de Bento. O Furacão poderia esperar o momento para atacar, o que surgiu aos 27 minutos. O primeiro aviso veio num lindo lance de Khellven, que ganhou a dividida contra Paulinho e chutou com veneno, para uma defesa muito difícil de Everson. Na cobrança de escanteio, havia uma reclamação de pênalti para os paranaenses.

Seria uma longuíssima revisão da arbitragem, que durou mais de cinco minutos e gerou bastante insatisfação entre os mineiros. Demorou para o árbitro se dirigir ao monitor e rever a jogada. No fim das contas, avaliou que a bola bateu no corpo de Paulinho, mas o braço estava muito aberto e interferiu na jogada. Pênalti confirmado. Na marca da cal, Terans mandou para dentro e aumentou a tranquilidade do Furacão. O Galo precisava de mais agressividade, e conseguia ficar com a bola por mais tempo, mas não era missão simples destravar a defesa. Fernandinho era importante na organização.

O jogo voltaria a esquentar nos minutos finais, até pelos longos acréscimos ocasionados pela revisão do penal. Paulinho teria mais uma escapada pela esquerda, acionado por Hulk, mas Bento cresceu no mano a mano e salvou seu time. Depois, seria a vez de Battaglia mandar uma pancada de fora e o arqueiro do Furacão salvar novamente. Os rubro-negros ainda tiveram uma escapada ou outra, mas a missão era tentar preservar a diferença no placar, já ótima pelas circunstâncias da partida. Foi um aproveitamento excelente dos paranaenses em suas subidas ao ataque.

O segundo tempo recomeçou equilibrado, mas com o Athletico Paranaense ligeiramente melhor. A equipe continha as tentativas do Atlético Mineiro e também tinha chegadas mais perigosas no ataque, embora nada tão claro para buscar o terceiro. O relógio que corria, de qualquer maneira, já era um afago aos rubro-negros. A primeira novidade do Galo foi Hyoran, no lugar de Dodô. O substituto quase gerou um impacto imediato, numa cobrança de falta fechada que entrou direto no gol, aos 18. No entanto, Jemerson estava impedido e, ao saltar junto com Bento, interferiu no lance. O tento seria anulado. No Furacão, Rômulo deu lugar a Thiago Andrade.

O Atlético Mineiro renasceu no jogo aos 25 minutos, quando encontrou mais espaço para encaixar um ataque rápido e pegar a defesa do Athletico Paranaense aberta. Hulk teve grande participação, ao girar sobre a marcação e acelerar na intermediária. Então, o atacante entregou outro presente para Paulinho invadir a área em velocidade e agora tirar do alcance de Bento, para reduzir a diferença no marcador. O empate já poderia ter saído dois minutos depois, agora com uma aparição de Patrick pelo lado esquerdo. Bento defendeu o tiro rasteiro. O Galo melhorava após se redesenhar com a entrada de Hyoran.

Os dois times voltaram a mexer em seguida. Pedrinho saiu lesionado e deu lugar a Vargas no Galo, enquanto Cuello e Pablo ofereciam novo gás ao ataque do Furacão. A partida ficava mais intensa e mais franca, com algumas tentativas de resposta dos rubro-negros. O problema era lidar com Hulk do outro lado. Aos 38, o atacante experimentou o foguete numa falta próxima do círculo central e o chute saiu muito perto do poste. As bolas paradas geravam as maiores esperanças para os alvinegros. Aos 42, num tiro livre da lateral da área, Hulk mandou outra pancada e Erick afastou de cabeça na pequena área. No escanteio, Mauricio Lemos cabeceou no primeiro pau e Bento pegou firme.

Esse momento seria decisivo. Bento conectou rapidamente o contragolpe e, na escapada de Thiago Andrade, Mariano chegou mais firme no adversário. Por matar o contra-ataque, o lateral recebeu o segundo amarelo e foi expulso, o que atrapalhava bastante as pretensões do Galo. Mesmo assim, os mineiros não desistiam e ganharam sete minutos de acréscimos. Nem isso parecia suficiente para superar Bento. Numa jogada de Paulinho, Hyoran chutou à queima-roupa de dentro da área e o goleiro do Furacão fez uma defesa sensacional, fechando o ângulo do adversário. A sobra ainda ficou com Hyoran, que isolou. O abafa final era do Atlético Mineiro. Os alvinegros insistiram na bola pelo alto e tiveram um último lance com Hulk, travado. O resultado dos rubro-negros era imenso. Do outro lado, Eduardo Coudet saiu revoltado com a arbitragem e Hulk reclamou demais na entrevista.

O Athletico Paranaense fica com quatro pontos e assume a liderança do grupo. O Libertad tem três pontos e o Alianza Lima fica com um ponto, antes do embate desta rodada. Já o Atlético Mineiro se vê ainda mais pressionado com a lanterna confirmada, zerado e com duas derrotas.

Foto de Leandro Stein

Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreveu na Trivela de abril de 2010 a novembro de 2023.

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