Libertadores

Nacho faz valer a lei do ex, Everson fecha o gol e o Galo volta com uma excelente vitória diante do River

Depois de um primeiro tempo cheio de perigos, o Atlético Mineiro construiu a vantagem dentro do Monumental de Núñez

O Atlético Mineiro retorna da Argentina com um resultado enorme, após o primeiro encontro com o River Plate nas quartas de final da Libertadores. O Galo venceu dentro do Monumental de Núñez por 1 a 0. Depois de um primeiro tempo difícil, em que os millonarios foram claramente superiores, os atleticanos aumentaram seu ritmo na segunda etapa e criaram chances suficientes à vitória. Dois jogadores seriam os protagonistas alvinegros em Buenos Aires. Everson fechou o gol e realizou pelo menos quatro defesas difíceis. E Nacho Fernández deixou sua marca contra o ex-clube, pelo bem e pelo mal. O meio-campista anotou o gol decisivo, embora também tenha acabado expulso nos minutos finais. Mesmo com um a menos, o Atlético segurou a vantagem.

O bom momento do Atlético Mineiro no Brasileirão não intimidou o River Plate. Os millonarios começaram a partida se impondo no campo ofensivo e adiantando as linhas para pressionar. Com mais volume, o River trocava passes e procurava os espaços, mas os atleticanos conseguiam travar as finalizações. As escapadas do Galo do outro lado eram mais esporádicas. Hulk era bem marcado e os companheiros também não conseguiam encaixar os contra-ataques. A defesa argentina permanecia atenta para evitar problemas.

O River Plate criou sua primeira grande chance aos 24 minutos. Fabrizio Angileri era fundamental no apoio pela esquerda e começou a encontrar brechas para arriscar. Numa dessas, o lateral mandou uma pancada e Everson evitou o gol com uma grande defesa. O goleiro deu um leve desvio para tirar o balaço da direção do ângulo e ainda contou com a ajuda da trave. Os millonarios pareciam ganhar confiança e suas ameaças se tornavam mais constantes. Everson teria que trabalhar novamente numa cabeçada de Braian Romero.

Sem conseguir construir suas jogadas, o Atlético se concentrava em evitar o pior. Com a atitude do River Plate, que não permitia as transições, o Galo acabava muito recuado. A melhor chegada dos atleticanos no primeiro tempo aconteceu aos 37, numa jogada entre Mariano e Vargas. A bola ficou com Zaracho, que bateu de primeira em ótimas condições, mas mandou ao lado da meta de Franco Armani. De qualquer maneira, o River fazia por merecer a vantagem no primeiro tempo. O gol só não veio por causa de Everson, decisivo outra vez aos 44. Julián Álvarez bateu rasteiro e o goleiro conseguiu realizar outra intervenção fundamental para segurar o placar zerado.

O Atlético Mineiro reapareceu no segundo tempo com outra atitude. O Galo tomou a iniciativa e começou a empilhar chances. Guilherme Arana era importante na esquerda. Logo de cara, o lateral cruzou e Vargas arrematou, dando trabalho a Armani. Na sequência, Arana arriscou de fora da área e mandou para fora. O campeão olímpico ainda carimbou Casco num outro tiro com menos de cinco minutos. Vargas também carimbaria Armani ao invadir a área. O Galo encaixava melhor as jogadas e martelava. Todavia, também precisou de Everson do outro lado. Romero acertou um chute venenoso com curva aos 12, que parou na terceira grande defesa do arqueiro na noite.

Marcelo Gallardo fez a primeira alteração logo depois, com Matías Suárez dando mais presença de área no lugar de Jorge Carrascal. No entanto, a agressividade do Atlético rendeu o primeiro gol no ataque seguinte. Nacho Fernández armou a jogada e abriu com Zaracho na direita. O argentino cruzou e Hulk foi muito inteligente, ao ajeitar de cabeça para o meio da área. O próprio Nacho apareceu arrematando e mandando a bola cruzada no canto de Armani. O meio-campista não comemorou, em respeito ao clube onde viveu grandes momentos.

O River Plate tentou responder, mas não reproduzia o abafa do primeiro tempo. O Atlético Mineiro era mais consistente, acertando a marcação e encontrando mais espaços para atacar. E o segundo gol quase foi antológico, numa tentativa sensacional de Alan aos 20. O meio-campista chutou por cobertura da intermediária, ao perceber Armani fora de posição. O goleiro não chegaria nunca, mas o travessão parou o arremate caprichoso e impediu o golaço.

Mesmo com Matías Suárez na área, o River Plate não tinha muitos resultados em seus cruzamentos. A defesa do Atlético se posicionava bem e se dava melhor nos combates, com muitos desarmes e interceptações. Quando os mineiros respondiam, encontravam a zaga argentina bem mais no limite para se proteger. E Armani sairia com as luvas queimando aos 33, depois de espalmar um míssil de Hulk cobrando falta.

A partida se tornaria mais difícil ao Galo a partir dos 36 minutos. Numa dividida com Angileri no limite da área, Nacho chegou com a sola alta e pegou o lateral. O árbitro revisou o lance no monitor e resolveu expulsar o meio-campista, mostrando o vermelho direto. O empate quase saiu na sequência, quando Álvarez cobrou a falta diretamente ao gol e Everson buscou no cantinho, mandando para escanteio. Os atleticanos tentaram gastar um pouco mais de tempo depois disso, com dois atendimentos médicos seguidos.

O River Plate botou mais um atacante, com Federico Girotti no lugar de Bruno Zuculini. Enquanto isso, Cuca fechava o Atlético Mineiro com Réver e Dylan Borrero. Ainda assim, quase os atleticanos anotaram o segundo aos 44, a partir de um escanteio. Réver cabeceou e Armani operou um milagre, com Hulk mandando o rebote para fora. O árbitro deu seis minutos de acréscimos e a partida era mais picada. O River insistiu nas bolas alçadas nesta reta final. Não conseguiria muito, com a defesa mineira rechaçando os perigos para confirmar o triunfo.

A partida de volta acontece também na próxima quarta-feira, dentro do Mineirão. O Atlético Mineiro joga pelo empate contra o River Plate, embora tenha que se virar com a ausência de Nacho Fernández. O vencedor do duelo pegará Palmeiras ou São Paulo na semifinal.

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Leandro Stein

É completamente viciado em futebol, e não só no que acontece no limite das quatro linhas. Sua paixão é justamente sobre como um mero jogo tem tanta capacidade de transformar a sociedade. Formado pela USP, também foi editor do Olheiros e redator da revista Invicto, além de colaborar com diversas revistas. Escreve na Trivela desde abril de 2010 e faz parte da redação fixa desde setembro de 2011.

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