Libertadores

Marcelo Gallardo: “Não podíamos jogar depois da agressão ao ônibus do Boca”

O dia triste do jogo de volta da final da Libertadores ficou marcado pela força que a Conmebol fez para que a partida fosse jogada, mesmo depois da agressão dos torcedores do River Plate ao ônibus do Boca Juniors. Foram ao menos três adiamentos do horário de início da partida, antes da suspensão do jogo e adiamento para este domingo, 25. Isso só aconteceu depois de um acordo entre os dois clubes e um dos principais responsáveis para que isso acontecesse foi o técnico Marcelo Gallardo, do River.

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Gallardo é um personagem importante nesta Libertadores. Ele, assim como o técnico do Boca jUniors, Guillermo Schelotto, foram suspensos pela Conmebol por algo previsto em regulamento, mas muito questionado: o atraso das suas equipes para voltar a campo. Suspenso no jogo contra o Grêmio em Porto Alegre, o treinado esteve o tempo todo em contato com os seus assistentes, além de ter descido ao vestiário no intervalo. Foi julgado e recebeu nova punição – mais suspensão de jogos. Nem esteve na Bombonera no jogo de ida. Estava no Monumental, mas não poderia comandar o time.

Na tarde de sábado, depois do ataque ao ônibus do Boca Juniors, o treinador foi o primeiro a se solidarizar com o elenco xeneize. Ele lembrou, informalmente e longe dos microfones, o que eles, do River, passaram na Bombonera, nas oitavas de final da Libertadores de 2015. Torcedores do Boca atiraram gás de pimenta nos jogadores adversários, na volta do intervalo. O jogo foi suspenso e o Boca acabou eliminado da competição. O River acabou campeão. Gallardo sabe, portanto, da gravidade de algo assim, ainda que desta vez tenha sido fora do estádio.

Por isso, ele foi o primeiro a dizer que não queria jogar. Não queria que o seu time entrasse em campo com essa vantagem. E deixou isso claro nas entrevistas que deu depois do jogo, no estádio Monumental de Núñez. Disse aos seus jogadores o que pensava e, principalmente, aos jogadores adversários. A delegação do Boca ficou no estádio por mais tempo, até cerca de 21h de Buenos Aires (22h de Brasília). Em determinado momento, ficaram dentro de campo, no banco de reservas, esperando o momento de poderem ir embora. Gallardo foi até eles, conversou com o técnico rival, Guillermo Schelotto, e perguntou aos jogadores como eles se sentiam.

“É um constrangimento geral e total. Primeiro com a agressão ao ônibus do Boca e depois com o que aconteceu na rua. Esperamos que amanhã possamos jogar a partida em condições normais”, afirmou o treinador. “Estamos em um estado de tristeza. Esperamos uma festa do futebol e vivemos um constrangimento geral”, continuou.

O treinador do River também falou sobre a situação do elenco do Boca. “Eu transmiti a eles o que eu sentia. Se os jogadores do Boca não estavam em condições normais, feridos fisicamente e psiquicamente, eu não queria jogar. É bom senso, mas não era eu quem decidia”, disse.

“Às 16h eu deixei clara a minha opinião de não jogar; desde o primeiro momento eu senti que se havia desnaturalizado tudo com a agressão ao ônibus do Boca”, declarou Gallardo. O treinador fez uma reflexão para além dos campos e do futebol. “O que aconteceu hoje marca algo que nos deixa em evidência de novo como sociedade, o que está acontecendo como sociedade. Ficamos expostos novamente”, disse.

“Com tudo que vivemos hoje, amanhã será outro dia e o show deve continuar, como diz uma música. Para que é assim. Nós que somos os protagonistas parece que temos que entrar em cena, não importa as condições que estejamos. E não é a final do mundo, rapazes, é a final da Copa Libertadores da América”, sentenciou ainda o treinador do River Plate, ainda no estádio Monumental de Núñez.

“Foi uma final que pareceu jogar-se durante um ano. Insistimos que é uma partida de futebol, mas há pessoas que mancham. Muito pouca gente. As 66 mil pessoas se comportaram como campeões por sete horas esperando para ver o que acontecia. Lamentavelmente, alguns mancharam a festa e a imagem do futebol”, disse ainda o treinador. “Teremos poucas horas pela frente. Já falei à equipe. Esperamos que amanhã possamos viver a festa que nos obscureceu como sociedade hoje”.

A partida está programada para este domingo, 25, às 17h de Buenos Aires (18h de Brasília). Veremos se, desta vez, o foco será o que acontece em campo, e não tenhamos que lidar com mais acontecimentos tristes fora dele.

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Felipe Lobo

Formado em Comunicação e Multimeios na PUC-SP e Jornalismo pela USP, encontrou no jornalismo a melhor forma de unir duas paixões: futebol e escrever. Acha que é um grande técnico no Football Manager e se apaixonou por futebol italiano (Forza Inter!) desde as transmissões da Band. Saiu da posição de leitor para trabalhar na Trivela em 2009.

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